Dejetos de um luxo carioca à sombra de satânicas flores azuis

vai, meu chapa, olha a vida
de frente e paga a conta
de seus porres de outrora
homem que é homem chora
lágrimas de cachaça
e está sempre brincando
em serviço

secos estão seus olhos?
molha-os com o mar
branco de teu ódio
apimentado, acarajé
com coca-cola

com pupilas limpas
contempla as ruas
e as moças semi-nuas
da praça castro alves

pega um ônibus
e vai pra chapada
da diamantina
contemplar a imensidão

eleja-se presidente de si mesmo
depois o derrube
torne-se anarquista
sem bombas, dê gargalhadas
com teus amigos do bar

não esqueças, todavia
que a palavra "buça" é sagrada,
ou satânica, não a disperdices
em poemas sem amor

a poesia às vezes se finge
de cínica,
pra comer um pouco mais
de carne vermelha

mas ainda é o amor,
sombrio e desesperado
que corre em suas veias
inchadas de viciada (a poesia),
dialética prostituta
cujo beijo
exala átomos
de bondade, inteligência
e levedos
de cerveja

2 comentários:

Antonio Diamantino Neto disse...

um poema solto, de ritmo caotico e de uma metalinguauem lirica, suja e cotidiana. Gosto da maneira como você transmuta o sordido em virtude e do valor que da as coisas aparentemente sem valor. Sem xurumelas:gostei pra caralho

Miguel do Rosário disse...

Obrigado Diamantino, você realmente sabe analisar um poema. Escreva um artigo sobre poesia para a gente publicar no AP. E mande-nos mais poemas.

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