Poema do mestre


Rua das Palmeiras

Minha visão com os cabelos presos nos rumores de uma rua
o sol fazendo florescer as persianas por detrás do futuro
meu impulso de conquistar a Terra violentamente descendo uma rua gasta
minha vertigem entornando a alma violentamente por uma rua estranha

os insetos as nuvens costuram o espaço avermelhado de um céu sem dentes
as copeiras se estabelecem nas sacadas para gritar
o sangue fermenta debaixo das tábuas
meninas saem de mãos dadas sem que a tarde deixe marca nas unhas

onde está tua alma sempre que o velho Anjo conquista as árvores com seu sêmen?

os aviões desencadeiam uma saudade metálica do outro lado do mundo
colunas de vômito vacilam pelos olhos dos loucos
corpos de bêbes mortos apontam na direção de uma praça vazia
o tapume os vultos meu delírio prestes a serem obliterados pelo crepúsculo

almas inoxidáveis flutuando sobre a estação das angústias suarentas
as palavras cobrem com carícias negras os fios telefônicos

no ar no vento nas poças as bocas apodrecem enquanto a noite soluça no alto de uma ponte

Roberto Piva

Um comentário:

Flávio Côrrea de Mello disse...

Ah!!!!
tá entrando por aí...
legal tu ter publicado este texto...
O Piva é bom pacas
gd abraço

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