Fim da festa, prêmios e poetas espancados

O Festival de Cinema do Rio terminou com a exibição do filme Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles, super-produção holliwoodiana de 50 milhões de dólares. Filme em formato convencional, não traz nada de novo em termos de linguagem, e mesmo assim é um grande filme, dirigido com a competência insuperável de Meirelles e que aborda um tema de caráter fortemente político.

Trata-se de um thriller basedo em romance de John Le Carré, no qual um fabricante de remédios suborna governos e diplomatas para realizar experiências com cobaias humanas na África.

O mergulho do filme na realidade miserável da África nos remete a Cidade de Deus, primeiro longa de Meirelles, e nos faz lembrar como esse continente precisa desesperadamente de ajuda, ao mesmo tempo em que a própria ajuda à África já se tornou uma indústria e um mal.

O filme foi exibido na quinta-feira. Ontem, sexta, foi a premiação dos filmes brasileiros, no Odeon. Beto Brant ganhou o prêmio de melhor diretor e Cinema, aspirinas e urubus, o de melhor filme. O melhor curta de ficção foi Curupira, que não assisti mas que pelo rápido trailer exibido, me parece muito bom. O documentário Do Luto à Luta, também recebeu um importante prêmio, que incluiu R$ 100 mil em divulgação da Globo.

Recebemos convites para a festa de encerramento, na Tenda de Copacabana, e fomos pra lá na van oferecida pelo Festival. Bebida liberada, salgadinhos, coisa fina.

Mas os seguranças eram uns ignorantes. Fiquei conversando com dois amigos, o Juliano Guilherme e o Nilton Pinho, que estavam junto à entrada e não tinham convite. Certa hora, saí rapidamente para conversar com eles do lado de fora, num gesto de solidariedade. Enfim, apareceu uma amiga e eles conseguiram convites e entraram. Eu não. Eu, que já estava na festa, minha mulher estava na festa, meus amigos entraram, e os seguranças não deixaram eu voltar pra festa!

Foi a coisa mais absurda. Revoltei-me. Acabei tentando entrar à força e fui retirado com violência. Aí o Juliano saiu e fomos tomar uma cerveja num quiosque ali perto. Depois voltamos e tentei conversar com a equipe de segurança. Um deles começou a dizer gracinhas desrespeitosas. O sangue me subiu à cabeça e despejei a latinha e o copo de cerveja em cima dele. O Juliano me puxou rapidamente, prevendo um desfecho perigoso, e me arrastou para outro quiosque. Então eles vieram, o segurança piadista que tomou o banho de cerveja e mais uns dois ou três negões de duzentos quilos e dois metros de altura. Um deles se aproximou, deu-me um soco no estômago, derrubou-me e me chutou. Aí eu me levantei e comecei a berrar pela polícia. O negócio esfriou e eles voltaram para o trabalho deles.

Por sorte, não me machuquei. Tenho o corpo meio fechado, eu acho. Só estou sentindo uma dorzinha na barriga. Caso seja uma hemorragia interna e este for meu derradeiro post, adeus amigos, inimigos, curiosos. Amo todos vocês. Me desculpem por às vezes ter sido arrogante, tentando impor minhas idéias como verdades absolutas. Não acho que existam verdades absolutas, nem soluções definitivas para coisa nenhuma nessa vida. Existe um caminho à nossa frente e a gente é obrigado a seguir por ele, por bem ou por mal. Tem gente que prefere deitar-se à margem, ou parar num botequim na beira da estrada, mas cedo ou tarde, temos que voltar a caminhar.

3 comentários:

Adhemar disse...

Voce esqueceu de falar do premio do Cidade Baixa, que foi aliás, o premio principal do festival. E também que Alice Braga, do Cidade Baixa, ganhou o premio de melhor atriz, e que aquele baiano que trabalhou no Cinema, Aspirinas e Urubus levou o troféu de melhor ator.

Roberto Iza Valdes disse...
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Anônimo disse...

Best wishes.

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