Tristezas revolucionárias

meu partido são girassóis
doces como o mel do sangue
flor que chora
sangue floral
beijo terminal
sem mágoa

meu partido é vivo
beijos roubados
com violência
beijos bandidos
sanguinários, insanos

o partido é um sol
descarnado, morto
como pássaros esmagados
secos no asfalto
quente e sangrento
da avenida Brasil

meus pássaros são jovens
viciados em beijos
sôfregos, ardentes, sujos
chaga luminosa
borbulhando pus
e desespero

meus sonhos são flores
revolucionárias, tristes
crianças vagando com fome
poetas cegos
atropelados por motoristas bêbados

meus sonhos, minhas esperanças
nunca morrem, porque nunca exisitiram
sempre os matei
antes que saíssem do ventre
histérico da estupidez

(Miguel do Rosário - Agosto 2005)

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