A poesia se come crua

Devoras a solidão, como bife?
ou a vomitas, como um bêbado
ao fim da noite?

a solidão é tua carne
ou a carne que cobiças
naquela churrascaria
em que não podes entrar
porque bebeste todo
teu dnheiro?

o mundo está cheio de poetas
mas tão vazio de poesia...

e se lambesses o pé do Brasil?
e se cuspisses na cara dele?

não... preserva-te, no teu canto,
esquecido e anônimo
tão longe do jô soares

quando puderes, vai ao boteco
tomar uma com os amigos
sobretudo, respeita a menina
corajosa a seu lado

brindarei contigo, irmão,
estarei lá também
para conversar sobre tudo
história, política, amor

recitemos poesia
em todos os lugares
nas salas de aula, nos bares, na rua

a poesia sem gravata
sem acessórios importados,
sem arrogância,
sem encher o saco, porra,
de ninguém


Ouça o poeta recitando este poema.

4 comentários:

Anônimo disse...

Yeah!

Anônimo disse...

Oh!

Jorge Ferreira disse...

com amor e raiva, concordo contigo! bem longe dessas verdades compostas por encomenda pros talk shows e dos beijos de novela, construindo trincheiras com flores, entulho e garrafas vazias.
Brindaremos com certeza, espumando de alegria.

Jéssica disse...

Excelente poema. Adorei.

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