Paneros & De Haro

Seguindo a tradição blogueira, faço esse post influenciado pelo blog do Douglas Kim, em cujos comentários se citou um dos poetas homenageados neste bar virtual. Ao fim, transcrevo poesia do Rodrigo De Haro, grande poeta catarinense, cujo livro Amigo da Labareda me foi enviado pelo ex-carioca e presentíssimo poeta e amigo Silvio Barros. Por fim, reservo-me o prazer de fazer a introdução léxica, com todo respeito, como diria o Anselmo Góes, da sulíssima (ia dizer gauchíssima, mas não quero causar conflitos diplomáticos com os catarinas) palavra "vasca".

LA POESÍA DESTRUYE AL HOMBRE...

La poesía destruye al hombre
mientras los monos saltan de rama en rama
buscándose en vano a sí mismos
en el sacrílego bosque de la vida
las palabras destruyen al hombre
¡y las mujeres devoran cráneos con tanta hambre
de vida!

Sólo es hermoso el pájaro cuando muere
destruído por la poesía.

"El último hombre" 1984


*


A poesia destrói o homem

A poesia destrói o homem
macacos pulam de galho em galho
buscando em vão a si mesmos
no sacrílego bosque da vida

as palavras destróem o homem
e as mulheres devoram crâneos com tanta fome
de vida!

Só é belo o pássaro quando morre
destruido pela poesia

"El último hombre" 1984

Leopoldo María Panero
Tradução livre por Miguel do Rosário


*


Festa

A comida dos santos
levo num barco
faço parte do hieróglifo.

Levo a comida dos santos
coberta por linho puro
destroços para caranguejos
Assim o poema
é comido na vasca.

A ilusão é bela
porém a pedra
ainda é mais.

Com a ferramenta parca
construo meu barco.
O rio escuro
fica pintado no muro.


(Rodrigo De Haro, Amigo da Labareda, 1991, Massao Ohno Editor)


*
Aurélio
vasca
[De or. incerta.]
Substantivo feminino.

1.Grande convulsão:
“Quem minha angústia suportar, prefira / A morte, redentora, à desventura / De não poder, nas vascas da loucura, / Distinguir a verdade da mentira.” (Martins Fontes, Verão, p. 119).

2.Ânsia excessiva; estertor:
“uma bala vara o peito de Juanillo que cai e, nas vascas da agonia, rolando no chão, aproxima-se da defunta” (Érico Veríssimo, México, p. 128).

4 comentários:

Anônimo disse...

miguelito
pode usar o GAUCHISMO sem constrangimento. O poeta foi criado em SÃO JOAQUIM ,na serra
catarinense e là a cultura predominate é a gaucha. coisas do ciclo do gado(de certo modo lembra muito o interior de minas)
um abraço
S.B.

Miguel do Rosário disse...

valeu pela informação, silvio. Abraço.

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