O café da minha casa & matricídio em São Paulo

Voltei em casa para tomar um café. Não vou beber café de botequim. Queria ir ao banheiro também, mas é melhor não falarmos nisso. Não é elegante falar de nossas anti-estéticas necessidades fisiológicas. O fato é que fiquei excitado e sempre que isso acontece o meu intestino funciona mais rápido. Talvez seja uma coisa saudável. A excitação gera um desejo instintivo de auto-limpeza. Enfim, voltei em casa para tomar um café e fazer aquilo que todos fazem. O motivo da excitação é que, finalmente, encontrei uma saída para um problema que vinha me atazanando há tempos.

Não consigo mais escrever em casa, por vários motivos. Escrever literatura. O ambiente doméstico obstrui-me a inspiração, principalmente porque trabalho em casa. Sou jornalista especializado em agribusiness. Passo horas pesquisando notícias e estatísticas na internet, que compilo, sumarizo e publico no site-jornal para o qual trabalho. Quando termino o batente, ainda tenho a mente cheia de números e informações. O computador à minha frente não me desperta aquele sentimento de mistério e felicidade que considero tão importantes para a inspiração. A sala bagunçada, a mesa cheia de anotações, o chão empoeirado, a mal organizada estante de livros, a cozinha americana - uma pia embutida na parede - são as mesmas imagens de sempre e, por algum motivo, ajudam na paralisia e torpor aos quais meu espírito parece estar preso.

A saída é escrever nesta lan house, que oferece preços promocionais - duas horas por cinco reais. Já disse ao atendente desligar o som alto, explicando-lhe que, apesar da maioria vir aqui só para entrar em orkut e conversar em msn, alguns vêm para escrever e precisam se concentrar.

Pedi um computador com headfone e achei uma boa rádio online, no site da TVcultura. Ainda não é a ideal, queria mesmo uma rádio com blues antigos, mas não quero perder minhas duas horas procurando. Mandem-me sugestões, por favor.

Devidamente instalado, posso dar livre curso às minhas divagações. Gostaria de comentar o recente caso do professor Geraldo Barbosa, que assassinou a própria mãe, num bairro de classe média da capital de São Paulo. A vítima, Zilda Barbosa, tinha sessenta e três anos, morava no mesmo prédio e vinha, diariamente, à residência do filho cuidar dos afazeres domésticos. Era assim desde que Geraldo separou-se de sua esposa, que foi morar em outra cidade.

Nesse dia, Geraldo acordou por volta de meio dia e encontrou sua mãe na cozinha. Por alguma razão, a presença dela irritou-o profundamente. Houve discussão, ela chamou-lhe fraco, incapaz de ter uma mulher. A senhora dizia isso de costas, enquanto cortava legumes. Geraldo nem aparentava tanta fúria; tinha uma expressão fria, ódio contido. Pegou a faca numa mesinha e atacou-a por trás. Repetiu o gesto três vezes. Ficou parado alguns minutos, contemplando o espetáculo sangrento. Aí resolveu fazer uma coisa ainda mais monstruosa. Abriu o armário, pegou um frasco de álcool e despejou sobre a vítima, que caíra no chão, gemendo e contorcendo-se. Riscou um fósforo e pôs fogo.

Sentiu sono. Chegara em casa pela manhã, depois de passar a noite numa festa, com seus alunos. Geraldo tinha quarenta e dois anos, mas sentia-se com trinta. Desde antes do divórcio, estava sempre namorando uma de suas alunas.

Interfonou para o porteiro, pediu que chamasse o bombeiro. Voltou ao quarto, indiferente aos gritos da velha, deitou-se na cama e dormiu. Teve um sonho agitado, no qual abria uma porta e saía para um jardim ensolarado, muito bonito, com flores de todos os tipos e cores. No entanto, havia algo de maligno e violento, pois era guardado por homens armados com metralhadoras. Sentia uma alegria enorme, e medo também. Apesar da luz que banhava o jardim, o sol, quando olhou para cima, era negro. Um astro negro no meio de um céu azul, que, no entanto, irradiava luz amarela, solar. Uma menina negra, de uma magreza cadavérica, saiu de trás de uma árvore e aproximou-se dele, sorrindo. Por alguma razão, ele tentou fugir, mas não conseguiu mover nenhum músculo do corpo. A negrinha correu até ele, olhos fixos no pênis do homem, que só agora conscientizou-se de que estava nu. Ela abocanhou-lhe o órgão, chupando-o sofregamente, gemendo. De início com nojo, ele não pôde evitar, contudo, a ereção. Ela continuou chupando até ele gozar. Quando terminou, a garota encarou-o e ele viu, aterrorizado, o rosto de sua filha!

Alguém sacudia-lhe o corpo, ordenando que acordasse. Abriu os olhos e viu um homem corpulento, de calça jeans, camisa social e gravata.

- Senhor, acorde! É a polícia!

3 comentários:

Pedro Gomes disse...

Bem forte esse conto, hein! Tu num perdoa nem a avó, cara! Gostei. Mas coitada da velhinha... hehe

Anônimo disse...

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