Metafísica engordurada

Céu, se houvesse, seria aos poucos, com pássaros sangrando,
ou sorrindo,
elas, as musas, rodopiando em meio às plantações.
Elas são cruéis, as musas, porra, se são!
Matam inocentes com armas
que os exércitos mais desumanos se recusam a usar.

A respiração é um sol suicida,
pai assassino do próprio filho,
amante da própria filha,
piloto de avião que estupra as nuvens,
e mutila as estrelas.

Claro que a polícia
mata,
mata e deixa matar,
e incendeia com dor
o sexo do mundo.

o demônio transforma a liberdade
num slogan de guerra
e as crianças desmembradas
serão obrigadas
a usar a cabeça.

o amor? é também um mar,
imprevisível, grandioso,
maior que tudo,
mistério profundo,
onde pescamos o prazer
nosso de cada noite.

2 comentários:

Daniela disse...

Oi, encontrei seu blog pesquisando no google pelo assunto jovens escritores! De pouco que varri os olhos ao ler teus pedaços, me encantei pela síntese.

Raphael Vidal disse...

Conheci seu blog através do site Arte & Política. Muito intensas e perturbadoras suas poesias, gostei bastante! Possuo um site de contos chamado Bagatelas (http://bagatelas.zip.net), quem sabe você não nos visita?
Abraços!

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