Antes que chegue a primavera

Meus horrores,
solidões azuis sem pátria
mares baixos, antigos,
como doces
que se transformam,
por desencanto,
em drogas psicotrópicas

silêncio,
mágoas esverdeadas,
lentamente apodrecidas sobre mesas
como natureza doente,
explosiva em seus fantasmas

santos dias, que vivemos
em igrejas decadentes
maldizendo Cristo,
bebendo vinho barato
e ouvindo blues

os sonhos, foram tantos
e tantos destruídos
por beijos inexistentes
olhares inconsequentes
línguas envenenadas

obsoletas auroras
sangraram ouro
e canções de amor
sobre os horizontes
de nossa liberdade

devassamos o fim
nas entranhas do meio
e passeamos em Paquetá
antes do inverno

a poesia
morreu sem medalhas
agora lava o chão dos bares
em troca de cerveja

mas os versos
que anotei
na parede dos banheiros,
esses ficarão,
até a primavera

Ouça o poeta recitando este poema.

3 comentários:

alvarêz dewïzqe disse...

"a poesia
morreu sem medalhas
agora lava o chão dos bares
em troca de cerveja"

isso, muito bom!

Anônimo disse...

a poesia não é confundível com a nossa humandade,
não é tempo nem espaço.
as próprias palavras são artifícios da verdade.
tudo o que nos rodeia pode ser destilado em poesia.
é urgente ver.
é urgente sentir.
e o resto,
é a magia do delírio fértil da alma.

por isso, todas as pedras da calçada,são nossas.
e essa liberdade, é a nossa autenticidade de verdade.

tudo está a nosso favor.

o amar e o sofrer é-nos devido.
somos obrigados a.

só nos resta, viver,
então.

e que melhor cura para a loucura,
do que a própria loucura desmedida,
de palavrear as coisas ..

um abraço, da Lapa do outro lado do oceano.

em Lisboa, Alice.

Miguel do Rosário disse...

obrigado alice.

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