Mini-conto: Pé sujo

Mini-conto: Pé sujo

O escritor miserável caminhava pelos arredores da Central, esbarrando em mendigos e camelôs, procurando o botequim mais sujo que pudesse encontrar. Afinal, achou um bar realmente imundo, com bêbados estendidos no chão fedorento. A cerveja tá quente, disse a senhora gorda e bigoduda por trás do balcão. Quero cachaça pura, disse o escritor miserável, enquanto analisava o espaço livre deixado pelos pinguços caídos. Talvez eu possa me deitar por aqui, pensou...

Artigo do Alexei no Prosa & Verso

Para quem se interessa pelos destinos da poesia brasileira (e mundial), vale a pena ler o artigo de Alexei Bueno no Prosa & Verso, ontem no Globo, reproduzido aqui.


Romance Botequinal

Des'que decidiu ser vagabundo (dois dias atrás, quando bebia sozinho num bar, algumas horas após se demitir), José não pregou olho, ou melhor, sentia como um prego de angústia entrando-lhe no olho esquerdo, e assoava o nariz a toda hora.

Assoava o nariz e coçava o olho, de onde começava a vazar um líquido amarelo, e falava sozinho, sonhando com um osso pra roer enquanto vivesse viralatamente pelas ruas.

Seus olhos pretos (todo ele era preto, em verdade), brincava caralhamente com uma peitona também preta que entrou na bodega-dega onde mamava feliz nas tetas duras de uma cachaça em graça. Brincavam os olhos? Ou era o ca-cetim que tomava o cérebro de assalto, se apoderando do sentido olhal?

Que veio fazer a preitona (peituda+preta, ok?), num lugar tão sujo e escondido lá atrás da Central, na boquinha do morro da Providência? Cigarros, ela pediu e virou-se para onde o preto tava que tava, mamando e babando, pronto e tonto, com seus olhos pretos e pobres - pinguços de pé-sujo em geral são péssimos financistas. Ah!

Quem acreditaria? Não faz um ano e o preto era um próspero camelô, até que uma cacetada do guarda o deixou meio maluco e só mesmo cachaça pra pegar no tranco. Ei, ele tá falando.

- Ô pretinha, não quer cuidar do nego que tá sozinho?

Um sorriso safado explodiu no bar e os dois se casaram.

Sobre direitos autorais

O portal literal está com um artigo novo deveras interessante sobre direito autoral. Vale a pena conferir.

Mini Conto e Poema

Palestina

Elas engasgavam sangue, porra e cachaça: na cama, junto com armas de fogo e plantas medicinais. Ana e Ana eram duas e a mesma pessoa, repetição poética que explodia em Hebrón às três horas da tarde. Por liberdade, elas morreram, pela Palestina sublime, eterna - incêndio negro e impossível.

Van Gogh Blues

Lembra-te dos sóis
violentos e amorosos
que te invadiam
a casa nas madrugadas
quando ficavas a sós,
com tua angústia
e tua liberdade?

Lembra-te, camarada,
dos tempos destruídos
por cores fortes,
tão fortes como bombas
explodindo à tarde?

E da morte,
lembra?
Quando ela veio
arrebatando-te irmãos,
irmãs, pais e mães,
tias e avós,
e novamente a sós
ficaste no mundo?

No quarto
em que esconderam
tua luz,
não encontraste,
mais uma vez,
a deusa das formas,
das cores,
e das paixões?

Quem te apresentou
às musas?

Quem te ensinou
a violência dos amarelos?

Não, não digas nada.
Não é preciso.
Os vermelhos de tua noite
falam por ti.

Sobre melecas e crepúsculos

O estranho não era ver Alice tirando melecas e dando para sua amiguinha de vestido amarelo comer, e sim que ela o fazia olhando o céu, que tinha um cor de alergia epidérmica em último estágio. Sua amiguinha bem que tentou mas não pôde ingerir a iguaria, mas delicadamente recolheu-a e, aproveitando-se da distração crepuscular de Alice, arremessou-a ao mar com o auxílio luxuoso de um peteleco.

Rio de Janeiro: a meca da literatura policial

O Rio de Janeiro possui todos os ingredientes para se tornar uma meca de inspiração para escritores de ficção policial. Polícia corrupta, políticos oportunistas, comunidades carentes em estado de alta tensão social, bandidos ousados, elite endinheirada e devassa, enfim, os elementos abundam. Falta somente alguém que pegue tudo isso e transforme em arte

Hell Bar

Testando.

Seguidores

 
BlogBlogs.Com.Br