<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412</id><updated>2011-11-27T21:33:08.343-02:00</updated><title type='text'>Hell Bar</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>280</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-8345250762187152230</id><published>2008-12-01T13:20:00.002-02:00</published><updated>2008-12-01T13:20:49.088-02:00</updated><title type='text'>Venha para o Oleo do Diabo</title><content type='html'>Esse blog está abandonado, meu irmão. Venha para o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/"&gt;http://Oleododiabo.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-8345250762187152230?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/8345250762187152230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=8345250762187152230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/8345250762187152230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/8345250762187152230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2008/12/venha-para-o-oleo-do-diabo.html' title='Venha para o Oleo do Diabo'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-7428967786308239088</id><published>2008-06-04T16:04:00.000-03:00</published><updated>2008-06-04T16:05:02.632-03:00</updated><title type='text'>O belo e o escalafobético</title><content type='html'>Por Miguel do Rosário &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Escrever sobre arte é como escrever sobre Deus. Quanto mais pesquisamos o assunto, mais profundamente sentimos seu mistério. E talvez a arte deva mesmo seu sentido ao que existe de misterioso, de infinito, de inatingível em nossa cultura e em nossa história. Mas enfim, qual o critério para se afirmar que tal obra é bela e outra não? Para Kant, que inaugurou a filosofia estética moderna, o belo na arte é o que nos proporciona prazer. Não o prazer vulgar das sensações físicas, como o deleite de se beber um vinho famoso. Tampouco o prazer de realizar ou ver realizada uma ação moralmente boa. A sensação estética causa uma espécie distinta de prazer, mais espiritual, mais profunda, que agita nosso entendimento e nossa imaginação. Durante a contemplação da obra, estas duas faculdades do conhecimento brincam, jogam e dançam. Utilizando a metáfora preferida de Kandinsky, a arte não seria útil nem agradável, mas teria o poder de tocar um piano existente em nosso espírito, fazendo-o emitir uma melodia suave ou brutal, amorosa ou sombria, gerando um prazer incomparável. A pior violência inflingida pelo capitalismo aos trabalhadores, dizia Marx, é a falta de dinheiro, tempo e educação necessários para se maravilhar e se transformar diante de um quadro de Leonardo ou uma sinfonia de Beethoven.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, fala-se em crise da arte. De fato, diante da imensa gama de instalações escalafobéticas, experimentações multimídia e bizarrices conceituais, que desde algum tempo invadiram nossos museus e galerias, lastreadas no discurso de que a arte tradicional estaria ultrapassada, o público se depara, enfastiado, com obras que não lhe despertam nenhum prazer, não estimulam a imaginação e nem atiçam a inteligência. Entre um bocejo e outro, lê explicações acadêmicas, em linguagem metafísica, sobre a suposta qualidade revolucionária daqueles trabalhos. Enfim, o espectador vai para casa certo de que é um ignorante incorrigível e decidido a não pisar novamente numa galeria de arte. E os aspirantes a críticos de arte resolvem seguir - antes tarde do que nunca - uma carreira menos intangível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de continuar, cumpre ressalvar duas exceções relevantes da arte conceitual brasileira, por sinal seus pioneiros no país: Hélio Oiticica e Lygia Clark. Os inesquecíveis parangolés seguramente estarão para sempre inscritos nos anais de nossa história de arte. Mas, conforme muito bem argumenta o crítico Rodrigo Naves, em artigo recente, houve uma super-valorização destes dois artistas em detrimento de figuras mais expressivas de nossa modesta porém singela história de arte. Curadores internacionais, sobretudo americanos e europeus, interessados em divulgar as obras conceituais de seus próprios países, pescaram no terceiro mundo os representantes do mesmo estilo. Fazendo isso, acabaram perturbando a evolução singular de nossas artes, com uma desvalorização injusta de grandes nomes como Iberê Camargo, Oswaldo Goeldi e Flávio Shiró. Desvalorização, naturalmente, não entre os amantes das artes, mas nos circuitos oficiais de divulgação cultural, que passaram a cortejar seguidores de Oiticica nem sempre - ou quase nunca - à altura do mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   **&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, as grandes exposições internacionais vêm encorajando um determinado tipo de arte extremamente duvidosa, apresentando como obra um bando de peladões em fila, além de outras dezenas de obras-evento que, embora inegavelmente exóticas, esgotaram seu efeito estético sobre o público. Urinóis e rodas de bicicleta não causam mais nenhum espanto. A ousadia de Duchamp (1908 – 1968) foi importante para libertar a arte de todas as amarras, mas agora esta mesma liberdade deve ser usada com responsabilidade, técnica e objetivo estético. A perplexidade das pessoas diante de formas vazias de expressão é confundida com estranhamento por críticos dóceis, ideólogos fervorosos das teses fragmentadas e fragmentantes do pós-modernismo. Mas no fundo grande parte destas obras causam somente náusea e tédio. Então, os artistas conceituais, desesperados com o enfado crescente do público, apelam para as soluções mais patéticas, como o caso daquele que se mutilou diante dos visitantes de uma exposição. O estranhamento provocado por uma obra não é dissociado da sensação de prazer que sentimos diante do enigmático. As figuras humanas distorcidas de Francis Bacon (1909 – 1992) continuam a nos causar uma espécie de repulsa, mas não deixam de acender nossa imaginação e entendimento, fazendo-nos refletir sobre a condição humana e despertando um intenso prazer estético. Mesmo as pinturas de Basquiat (1960 – 1988), que nos assustam num primeiro momento, acabam por fazer vibrar nossas cordas íntimas, deixando em festa o espírito que consegue captar, no meio daquelas formas extravantantes, a poesia intensa e trágica deste nova-iorquino rebelde. Uma instalação escalafobética, como aquelas de Bispo do Rosário, pode eventualmente ser genial, mas isso só ocorre porque consegue causar forte prazer estético no espectador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A discussão sobre a validade de uma obra de arte nos remete novamente à tese kantiana, que aponta outro fator determinante na identificação do belo na arte: a universalidade. A beleza na obra não é uma questão de gosto individual do espectador. Quer dizer, uma pintura de Delacroix não é bela porque tu ou eles determinaram, mas sim porque todos gostamos dela, sentimos prazer com ela. Esta universalidade é obrigatória, pois sem ela simplesmente não existiria arte; e significa que a beleza artística é guardiã de arcanos poderosos que afetam a todos os membros de nossa civilização. Afeta de maneira estética, quer dizer, através do prazer estético, que tem o poder de atingir tanto nossa consciência mais superficial como as camadas mais ocultas de nosso inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta comunicabilidade universal, fator necessário da boa arte, nos conduz aos pioneiros da arte moderna, que realizaram ao final do século XIX uma verdadeira revolução estética, ao resgatar a poesia épica dos grandes mestres renascentistas e ao mesmo tempo conquistar um público mais amplo, através da expressão, sob uma linguagem atualizada, das angústias e anseios de liberdade dos novos tempos. E, de fato, após uma primeira fase de perplexidade e mesmo hostilidade (Cézanne foi chamado de louco, tarado, que pintava sob o efeito de delirius tremendus), os modernos conseguiram multiplicar de maneira extraordinária o público amantes das artes. Não fosse esta preocupação de tocar ao coração das pessoas, de um Degas, Gauguin e Van Gogh, talvez a arte moderna não se difundisse de maneira tão avassaladora pelos quatro cantos do mundo, rompendo todo elitismo e atingindo, com sua mensagem carregada de humanismo, todas as classes sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale lembrar um artigo de Baudelaire, publicado num jornal parisiense, por ocasião da morte de Delacroix, em que ele relata que um dia viu o grande pintor romântico a passear no Louvre, em companhia de sua velha criada, explicando-lhe os mistérios da escultura assíria. Filho de um ministro da revolução francesa, Delacroix cultivou em toda a sua vida esta paixão pelo homem e seu destino, esta esperança ardente na possibilidade de libertação através do conhecimento e da arte. Da mesma forma, algumas décadas depois, Picasso irá resgatar este mesmo humanismo irredutível, sob uma forma mais objetiva e racional, interferindo conscientemente no curso da história. Não custa recordar de Guernica, pintada em 1937, que foi uma resposta calculada e contundente ao massacre de civis por aviadores alemães, que a pedido de Franco bombardearam a pequena cidade espanhola insurgente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em humanismo, vale citar este movimento formidável, o expressionismo alemão, fundado por jovens inspirados na revolução cromática de Van Gogh e no existencialismo sombrio e desesperado de Munch. A Alemanha do início do século XX - unificada sob a mão-de-ferro de Bismarck e realizada enfim sua própria revolução burguesa - emergia como uma grande potência econômica e cultural. As obras de Kant, Hegel e Marx incendiavam os círculos intelectuais, gerando correntes variadas de pensamento e instilando na sociedade a ânsia por reformas que minorassem a miséria de grande parte da população. Os expressionistas refletiam esta inquietação. O advento da Primeira Guerra Mundial, que põe a nu os conflitos de classe, irá intensificar ainda mais a verve revolucionária de pintores como Kirchnner, Otto Dix e Max Beckman. Alguns anos depois, serão banidos e execrados pelos nazistas, que irão lhes atribuir a excêntrica qualificação de arte degenerada. Há uma curiosa anedota contada por aquele que foi um de nossos maiores críticos de arte, Mario Pedrosa, em que ele relata uma conversa com Georgio Morandi, em Bolonha. O grande pintor de naturezas mortas lembra que, em 1942, no auge da glória do III Reich, Hitler e Mussolini inauguraram pessoalmente uma exposição fascista em Roma, apoiada e divulgada pela mídia oficial e incensada pelos críticos. Morandi decide, junto com um amigo, ir à capital conhecer os novos artistas que tanto agradavam Il Ducce. Ao ver as pinturas retratando mancebos de raça pura saudando seus líderes, matronas heróicas e exércitos em armas, faz uma observação visionária a seu companheiro: “Com esta pintura, acho que vamos perder a guerra”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando a nossas plagas tropicais, vale a pena sair dos círculos convencionais e andar um pouco pela periferia cultural de nossas grandes cidades, para notar que amadurece nas sombras uma nova geração de artistas plásticos, vacinados contra este vanguardismo importado e conscientes de seu papel num país como o Brasil, dilacerado por agudas mazelas sociais. Isso não significa que sacrificam sua arte em prol de um panfletarismo vulgar. Muito pelo contrário. Os artistas que os neo-liberais anos 90 relegaram aos subterrâneos desenvolveram uma linguagem vigorosa, original e ferozmente moderna. Alguns se apoderaram inclusive de técnicas contemporâneas, como colagens e reciclagem de objetos cotidianos, sem esquecer a tradição e a lição dos grandes mestres do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem diferenças fundamentais entre os falsos e os legítimos artistas, que podem ser avaliadas pela técnica apurada, resultado de longos e exaustivos exercícios, pela força expressiva, sofisticada sem ser hermética e, sobretudo, por esta beleza misteriosa e profunda que só as grandes obras possuem. Beleza esta que nos paralisa e nos transforma, interferindo em maior ou menor grau em nossa cultura. O urinol de Duchamp pode ter sido muito importante para a história da arte, mas não quero crer que valeu mais que o David de Michelângelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se admitir que não existe, necessariamente, relação entre arte e a luta de classes, mas ninguém pode negar que as obras realmente belas são históricas e marcam as épocas. Se são históricas, estão inseridas, de maneira participante, neste magma eternamente em transformação a que chamamos vida. Participando da vida, muitas vezes decisivamente, as obras são também políticas, visto que influenciam no rumo histórico trilhado pelo homem. Finalizando, os argumentos expostos até aqui têm um objetivo claro: é chegado o momento de pararmos de falar em fim da arte. O patrimônio artístico é peça fundamental no desenvolvimento cultural e político de um povo, e em sua projeção para o resto do mundo. É tempo de inagurarmos uma nova crítica, mais poética e mais apaixonada, sem deixar de ser esclarecida e ponderada. Menos acadêmica e técnica, mas respeitando a tradição bibliográfica. Enfim, a arte pode ser misteriosa, mas o prazer estético, que sentimos em sua apreciação, é real e palpável e, através dele, pode-se avaliar com alguma objetividade o valor da obra. Com uma crítica corajosa, moderna e afirmativa, talvez consigamos mudar as políticas públicas, que relegam ao limbo e à pobreza os melhores talentos. E contribuir para que haja uma renovação saudável dos critérios de seleção vigentes em nossos espaços culturais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-7428967786308239088?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/7428967786308239088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=7428967786308239088' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/7428967786308239088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/7428967786308239088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2008/06/o-belo-e-o-escalafobtico.html' title='O belo e o escalafobético'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-2383332980989291453</id><published>2008-02-13T09:58:00.001-02:00</published><updated>2008-02-13T09:58:30.251-02:00</updated><title type='text'>A volta do marginal</title><content type='html'>Ensaio sobre o filme Cidade de Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Miguel do Rosário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o filme Cidade de Deus se consolida uma nova escola do cinema brasileiro contemporâneo, superando inclusive a "Retomada", como está sendo conhecido a etapa que se seguiu ao vácuo do início dos anos 90, após o fim da Embrafilme, com os lançamentos de Carlota Joaquina e, um pouco mais tarde, Terra Estrangeira, sob os auspícios da Lei do Audivisual. A exploração estética da poesia suburbana das metrópoles representa um ressurgimento triunfal da idéia preconizada por Glauber Rocha, que nos anos 60 escrevia que o cinema dos países periféricos só alcançaria produzir um efeito estético contundente através da manipulação artística da violência e da fome. O rebelde politizado de Glauber, porém, será substituído pelo bandido cínico do cinema marginal pós-64, como por exemplo o Bandido da Luz Vermelha, visto que a produção cinematográfica estará sob severa vigilância da censura militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta nova estética marginal do cinema brasileiro não deve ser confundida com a eterna paixão pelo gangsterismo de holliwood, embora as influências sejam inevitáveis. Enquanto o bandido americano (Poderoso Chefão, Scarface, Bons Companheiros, Pulp Fiction) é um capitalista que optou pelo enriquecimento fácil, ou então um caso de perturbação psicológica (Psicose, Kannibal), o bandido brasileiro é mostrado sempre como uma vítima social, um rebelde cínico ou politizado, cujos valores morais foram submergidos por circunstâncias alheias à sua vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um épico da modernidade - Nesta volta surpreendente da estética marginal, o mesmo herói bandido aparece inserido num contexto sócio-político definido com assombrosa lucidez e encaixado numa película elaborada com um profissionalismo de fazer inveja aos melhores técnicos de holliwood. Embora a censura tenha se esvaído com o fim da ditadura, os cineastas continuam vigiados por executivos dos departamentos de publicidade que aprovam os projetos de patrocínio. Os heróis marginais de Cidade de Deus, por exemplo, não têm nenhum discurso político consistente, porque são totalmente, ou quase, analfabetos. Ainda não é o momento do cinema engajado, se é que ele terá seu momento, já que a arte não necessita de uma forma explícita para atingir um determinado objetivo estético ou político. O ritmo da câmera, a música, as cores, enfim a linguagem, serão suficientes para influenciar a percepção moral dos personsagens. Através destes recursos, Meirelles consegue iluminar os bandidos com uma luz que parece vir da consciência do espectador, que lhes compreende o desvio moral como resultado da realidade dolorosa do Rio ou de qualquer outra metrópole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Universalismo - Trata-se, antes de tudo, de um filme universal, o que fica acentuado pelo título bíblico. Logo no começo, a vista do alto da comunidade lhe confere um ar de lugar divino, atemporal, um microcosmo onde se desenrolará um drama épico. Mesmo a guerra das gangues tem um motivo digno da Ilíada: o estupro da mulher de Zé Galinha lembra o rapto de Helena, e a fúria titânica do vingador aparece como a ira de Ulisses. Nesta parte mesma, o narrador diz: "só mesmo um milagre... mas existe um lugar melhor para um milagre do que uma cidade com o nome de Cidade de Deus?". E Zé Galinha, como que protegido por Atenas, deusa da guerra, irrompe atirando, sozinho, contra um bando de mais de doze homens armados, colocando-os em fuga e matando um deles. As mulheres que o rodeiam, enquanto ele observa sua primeira vítima, recordam o coro de uma tragédia grega, expressando os pensamentos da comunidade: "Legal você... Matou bem... Esse foi um, mas ainda não foi todos...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A galinha em pânico - Voltemos ao início do filme. Churrasco, samba, cerveja, caracterizam, em traços rápidos e precisos, o ambiente da favela. A alegria é contagiante, envolve completamente o público através do contraste desconcertante entre a realidade vibrante da comunidade e a imobilidade quase mórbida da sala de cinema. A galinha, esse personagem inesquecível, símbolo do ser em perigo, do medo e, enfim, da fuga, a galinha escapa da morte, com suas próprias pernas, e pôe-se a correr pelas ruelas, acompanhada pela câmara que, assim, apresenta o público à Cidade de Deus. A cena continua alegre, apesar dos empurrões que Zé Pequeno dá nas pessoas que atravessam seu caminho. Uma introdução clássica, idílica, que mostra de quebra o adorável vestígio rural da periferia onde as galinhas ainda são compradas vivas. Em poucos quadros, alguns elementos centrais do filme são apresentados: Zé Pequeno, líder de um bando armado, obviamente um traficante, a favela, a inocência constante dos personagens, exacerbada pela presença de crianças no grupo. A galinha chega a uma rua mais larga e encontra Buscapé, ele também um ser em fuga, como mais tarde se evidenciará no filme. Buscapé e o animal se enfrentam, como iguais. Começa de fato o drama. Não admira que uma cena tão espetacular fosse o fio que amarra o começo ao fim da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estética negra - A linearidade da história é total. Depois desta introdução, o filme segue uma ordem lógica e tocantemente simples, dando mostra de uma preocupação peculiar de tornar o filme acessível a qualquer pessoa. E ainda temos um narrador onisciente - o próprio protagonista - que explica, em linguagem coloquial e voz pausada, as origens da favela e outros pontos capitais do filme. O recurso à imobilização das cenas, descansando a vista do espectador e dando tempo para a compreensão de determinada cena ou personagem, e os flash backs, que refrescam a memória ou explicam situações, completam uma linguagem assumidamente didática, legitimando a veracidade absoluta da narrativa. Esta veracidade extremada se desenvolve com diálogos espontâneos e personagens escolhidos a dedo, tipos físicos negros e mestiços absolutamente verdadeiros. Com isso, Meirelles consegue enfim superar o próprio Glauber Rocha, que apesar de sua busca apaixonada pela legitimidade social, não conseguiu nunca transformar o homem do povo em sujeito da narrativa. O vaqueiro Manuel, de Deus e Diabo, assim como Corisco, é um personagem de Glauber, uma fantasia bem construída de um diretor genial, mas o Zé Pequeno e demais personagens da Cidade de Deus não são criações de Meirelles, nem de Paulo Lins. Eles são reais, autônomos, personagens nascidos prontos, senhores de seu mundo e auto-referentes. E aí temos outra característica efetivamente revolucionária de Cidade de Deus, digna de ser louvada como um marco na história do cinema brasileiro: a consolidação estética da beleza negra. Com uma honestidade comovente, Meirelles mostrou a negritude essencial do brasileiro, sem traços finos, sem subterfúgios de espécie alguma, praticamente inaugurando uma nova referência estética-racial para o cinema nacional, ainda fortemente preso a uma estética branca e "global".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenas dissonâncias - É difícil encontrar defeitos em Cidade de Deus, mas uma crítica sincera não pode deixar de opinar sobre os pontos mais problemáticos. Alguns personagens são um pouco mal construídos, como o puxa-saco de Zé Pequeno, embora ele seja importante. O próprio Zé Pequeno, apesar de interpretado magistralmente por Leandro Firmino da Hora, peca por um maniqueísmo exagerado, como vilão de história em quadrinhos, enquanto Bené, seu comparsa, assume ares de bom moço um pouco incoerentes com o seu envolvimento em tantos crimes e assassinatos. Esses defeitos, contudo, se é que são defeitos, fazem parte do filme, como nossos defeitos fazem parte de nossa personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta falar da fotografia e da música. Sobre a primeira, o filme consegue um efeito bastante eficiente, ao conferir uma cor antiga, fosca e tênue, e mesmo em preto e branco, aos períodos mais antigos da história, os anos 60, e cores vivas aos períodos mais recentes. A trilha sonora também participa desta ambientação histórica. A entrada das primeiras cenas dos anos 70 é acompanhada por uma música tipo discoteca que serve como uma descrição perfeita da época. Todas as músicas parecem ter sido feitas especialmente para o filme, desde o emocionante Cartola, que sublinha as cenas mais românticas, até o Seu Jorge, com seu suíngue dançante da cena inicial do churrasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sacrifício dos inocentes - Muitos espectadores devem ter ficado chocados, com razão, com a cena de brutalização de duas crianças pequenas, exacerbada pelo fato de que o autor do disparo mortal em uma delas ser ainda uma criança, também violentada pela coerção da qual é vítima por parte dos bandidos mais velhos. Esta cena, porém, tem um significado crucial e representa, paradoxalmente, o momento mais humanista do filme. É porque ela é construída de maneira a evitar, a todo custo, a banalização da morte. As crianças estão ali, contorcendo-se de medo e dor, diante do espectador impotente. Não são bandidos cínicos e cruéis, nem vítimas anônimas. São crianças, frágeis, aterrorizadas, que haviam participado de um assalto tosco de uma padaria, para roubar frango assado, e que não conseguiram fugir dos algozes no momento que eles surgem para cumprir a lei da favela, que não permite assaltos dentro da comunidade. O espectador participa da cena, a qual é recortada do que vem antes e depois, aprofundando o sentido de estranhamento e perplexidade perante o ato irracional, quase inacreditável, que introduz brutalmente, com uma violência de forma perfeitamente ajustada à violência de conteúdo, uma crítica amarga e ferina a uma sociedade indiferene ao destino das primeiras gerações. Com esta cena, o filme rompe por completo certa solidariedade com o público, a qual é retomada contudo nas cenas seguintes. A participação destes guris, o bando da "caixa baixa", será constante no filme e serão eles, inclusive, que ao fim darão cabo ao vilão-mor da história. A narrativa termina com eles confabulando, de maneira infantil, e terrível, sobre quem deverá morrer na favela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O galã marginal - O personagem Bené, comparsa boa praça de Zé Pequeno, faz parte do instrumental do diretor para forçar o público a uma atitude compreensiva perante o fenômeno do banditismo. Bené é um rapaz bom, um contra-ponto à ferocidade incontrolável do parceiro. É leal, simpático, carinhoso, sabe amar, sabe ser amigo, e o público não o vê em nenhum momento matando alguém, pelo contrário a sua intervenção é sempre no sentido de preservar a vida dos outros. "Você quer matar todo mundo!", é o protesto que ele repete mais de uma vez para Zé Pequeno. A cena do baile - a despedida de Bené - é um dos pontos altos do filme. Bené conquista o amor da musa da história, Angélica, garota de classe média baixa – filha de um sargento -, que lhe convence a abandonar o crime. Bené não é obcecado pelo poder como Zé Pequeno, ele representa a busca da felicidade. Com o dinheiro do tráfico, ele ascende socialmente, ingressando na turma dos "cocotas", usando roupas de marca, pintando o cabelo de loiro, ganhando um charme irresistível que conquista o público. Após construir uma intensa relação afetiva de Bené com o espectador, o roteirista decide matá-lo no auge da festa, provocando um forte efeito dramático. A despedida de Bené, afinal, era mesmo o fim de sua participação na história. Após sua ida, tudo fica mais sombrio na Cidade de Deus. Bené simbolizava o coração de Zé Pequeno. Sem Bené, o bandido vai desenvolver, sem limites, toda a sua crueldade, como fica claro na primeira cena após a morte do amigo, o estupro da namorada de Zé Galinha. A guerra é deflagrada. Temos um combate. Tiros, muitos tiros. Entra o personagem que vende armas, mancomunado com a polícia. Um personagem espetacular, chamado Tio Sam, numa referência interessante ao principal país produtor de armas do mundo, que gasta tanto dinheiro em repressão de drogas, mas é tão tolerante com o contrabando de armas para o terceiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O combate - As cenas de combate, todavia, são apressadas, entrando o filme numa etapa um pouco mais descuidada e fantasiosa, o que revela talvez um certo desinteresse do diretor pelas cenas puras de violência, priorizando os dramas pessoais dos personagens. Apesar de apressadas, contudo, são eficientes e transmitem o efeito desejado, de que uma violência caótica e desorganizada se instalou na Cidade de Deus. Os assaltos do bando de Cenoura e Zé Galinha, por outro lado, são magistralmente encenados, embora bastante rápidos. A entrada de Zé Galinha na história, com todos os seus dilemas morais, reforça novamente a idéia de que um destino trágico, mais do que a má índole, força os personagens a romperem com a ordem jurídica e moral da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The End - E aí chegamos ao final do longa-metragem, em que se repete algo da cena inicial. Buscapé, já contratado pelo jornal, consegue a foto desejada. Enquanto as crianças desfilam armadas, adultos anônimos cruzam as ruelas, atarefados. Buscapé conversa com seu amigo sobre suas expectativas profissionais. O narrador diz seu nome verdadeiro: Wilson Rodrigues. Os bandidos se perdem no passado, mortos, presos, distantes em sua aventura tresloucada, ou reduzidos a crianças inconsequentes. O personagem de Buscapé ganha realce, é um rapaz inteligente, esforçado e irremediavalmente honesto, como aliás a grande maioria dos moradores da Cidade de Deus, expostos constantemente às maiores privações, mas sempre dispostos a vencer pelo trabalho. Em tempos pós-modernos, em que não julgar, não se posicionar é sinônimo de qualidade estética, Cidade de Deus termina com uma mensagem moralista explícita e corajosa, como tudo neste filme brilhante, que abre tantas perspectivas novas para o cinema brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-2383332980989291453?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/2383332980989291453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=2383332980989291453' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/2383332980989291453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/2383332980989291453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2008/02/volta-do-marginal.html' title='A volta do marginal'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-4650033596007042318</id><published>2007-10-26T21:50:00.000-02:00</published><updated>2007-10-26T21:52:24.643-02:00</updated><title type='text'>Entrevista exclusiva com Paulo Scott (arquivo Arte &amp; Política)</title><content type='html'>(CONCEDIDA EM 2005)&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Paulo, fale um pouco de seus livros passados e futuros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Scott: Publiquei três livros até agora: o “Histórias curtas para domesticar as paixões dos anjos e atenuar os sofrimentos dos monstros” (SULINA, 2001), uma compilação das poesias que escrevi nos anos oitenta e noventa; o já esgotado “Ainda orangotangos” (LIVROS DO MAL, 2003), contendo vinte e dois contos curtos – herméticos, poéticos e violentos –, e, recentemente, o romance “Voláteis” (OBJETIVA, 2005). O “Histórias curtas...” é um livro irregular, há textos melhor acabados – nos quais já é possível perceber o estilo que hoje me caracteriza – e outros de uma ingenuidade insuportável, mas que pela crueza têm algum valor literário. O “Ainda orangotangos” virará longa-metragem em plano-seqüência, dirigido pelo Gustavo Spolidoro, da Clube Silêncio – hoje, a segunda produtora de cinema mais importante do Rio Grande do Sul –, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final deste mês de janeiro, sairá pela Editora Objetiva, o livro de poesias “A timidez do monstro”, com ilustrações do Guilherme Pilla, o responsável pelas capas da Livros do Mal – uma coisa importante a ser dita é que as ilustrações do livro, por motivos que não vêm ao caso, são as últimas feitas por ele antes da decisão, tomada há quase um ano, de parar de ilustrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Como analisa a atual conjuntura do mercado de ficção no país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conjuntura do mercado ainda é reflexo dos problemas estruturais relacionados ao baixo nível cultural (educacional) do nosso país – crises econômicas, na minha opinião são secundárias, menos determinantes, tanto é que em vários países a procura por livros aumenta nos períodos de gravidade financeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há boa ficção sim, mas que não provoca – apesar de algum esforço editorial, como, por exemplo, esse que a Companhia das Letras está fazendo com o livro recente do Marçal Aquino – a devida atenção dos consumidores-leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode esquecer que mercado é, sobretudo, consumo, e isso – a exceção dos livros de auto-ajuda e dos autores da moda, alguns cujo resultado sequer pode ser considerado literário – é algo que em escala significativa sequer existe no Brasil. Livros excelentes, como o “Deixe o quarto como está” (COMPANHIA DAS LETRAS, 2002), do Amílcar Bettega Barbosa (ganhador da última edição do Portugal Telecom), não chegam a vender os três mil exemplares da primeira edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo isso, vale o registro, autores novos (e tidos como marginais ao gosto médio do consumidor brasileiro) vêm recebendo, inclusive da imprensa literária, maior atenção do que receberiam há alguns anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Para você, a proliferação de pequenas editoras trouxe que tipo de mudanças à literatura contemporânea?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As editoras pequenas, com maior ou menor êxito, expõem novos autores, cuja qualidade literária – se, de fato, presente – poderá ser mais facilmente reconhecida. Importante lembrar que nem todas as pequenas editoras têm compromisso com a qualidade, muitas entram na lógica: “vamos publicar os nossos amigos” – radicalmente contrária a essa perspectiva, esteve (ou está, já que não se sabe se a editora acabou, ou não) a editora Livros do Mal, com rigor máximo na seleção dos seus autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, escritores das pequenas editoras passaram a receber da imprensa brasileira o mesmo destaque dispensado aos autores das grandes editoras; isso obrigou as grandes a se tornarem mais sensíveis e abertas aos excêntricos (admitidos aí todos os significados cabíveis na expressão).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: O que faz para se inspirar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta de inspiração não é o meu problema. Pelo contrário, tenho de controlar a enxurrada de impulsos e as idéias para conseguir, efetivamente, ser produtivo; quero dizer: não há como você terminar os projetos iniciados se não controla a compulsão de iniciar outros e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na execução dum texto longo (como um romance, por exemplo) – especialmente quando estou muito cansado ou envolvido pela frieza e tensões da vida prática (como diz a minha mulher Simone) – escuto Chet Baker, Nina Simone e John Coltrane, coisas desse tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma certa indignação constante (que me caracteriza) é outro elemento inspirador importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Falta uma crítica mais profissional e independente no país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza. Isso está mudando, mas muito lentamente. Num meio repleto de leitores pouco informados – preguiçosos até – uma crítica literária razoável seria algo indispensável. Uma das pessoas que melhor tem se pronunciado a esse respeito é o escritor Nelson de Oliveira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Onde gosta de passar o Carnaval?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carnaval? O que é isso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Três livros que levaria para uma ilha deserta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A náusea”, do Jean Paul Sartre. “Viagem ao fim da noite”, do Luis-Ferdinand Céline. “Almoço nu”, William Burroughs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja que são todos estrangeiros; é uma pena (mas fazer o que?, são minhas grandes influências).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Dostoiésvki ou James Joyce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joyce, por razões muito particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Pode dizer alguma coisa sobre o tema educação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a educação, o que posso dizer é que... bem, é o maior problema do Brasil e os Governos todos (de todos os níveis federativos), como acontece com a saúde – aliás, só isso já seria motivo para protestos e manifestações intermináveis – não conseguem resolvê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: A literatura serve pra quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornar o vazio e a falta de sentido da vida – o que, ao menos mediatamente, pode-se resumir às relações interpessoais – mais suportáveis. Ou – supletivamente – permitindo-me um pouco de sarcasmo: para um tanto de gente infeliz bater no peito e vociferar “eu sou um escritor, vocês não vêem?, eu sou um escritor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Como descreveria Porto Alegre e seus habitantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lugar provinciano, elitista e racista, com gente talentosa e neurótica saindo pelo ladrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Que autores brasileiros contemporâneos chamaram mais sua atenção nos últimos tempos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo por dois jovens (acima da média): João Paulo Cuenca e Daniel Galera. Dos mais velhos, seja pela verve ou pelo estilo, citaria João Gilberto Noll, Marçal Aquino e o Nelson de Oliveira. Na poesia, tem o Fabrício Carpinejar, singular em todos os aspectos. Há também os que me influenciaram: Luiz Ruffato, Daniel Pellizzari (este pela postura admirável que assumiu diante da literatura) e o Joca Reiners Terron. Correndo por fora, estão o Marcelo Benvenutti, a Cecília Giannetti, o Cardoso e a Mara Coradello.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte &amp; Política: Considerações finais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente me escreve perguntando como eu fiz para assinar contrato com duas das quatro editoras mais importantes do Brasil – sinto, nesses assaltos, nessa ansiedade, que os interlocutores estão mais interessados em publicar (seja lá o que for) do que realmente escrever. Esse é o maior erro que se pode cometer (até por que se a intenção é se expor – e isso, sem dúvida, é fundamental – basta iniciar um blog e veicular os textos por lá). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há truque: o negócio é escrever do jeito que você acha que vale a pena e, dessa obstinação, retirar algum prazer, porque – mesmo quando conseguir o almejado reconhecimento nacional – logo perceberá que todo o resto (vaidades, glamour etc) é bobagem. Isso eu posso garantir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-4650033596007042318?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/4650033596007042318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=4650033596007042318' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/4650033596007042318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/4650033596007042318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2007/10/entrevista-exclusiva-com-paulo-scott.html' title='Entrevista exclusiva com Paulo Scott (arquivo Arte &amp; Política)'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-5360672403846635337</id><published>2007-09-22T16:42:00.000-03:00</published><updated>2007-09-22T16:43:39.486-03:00</updated><title type='text'>Arquivo</title><content type='html'>Oi galera, estou usando esse blog apenas como arquivo. Meu blog mesmo é o:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/"&gt;oleododiabo.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-5360672403846635337?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/5360672403846635337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=5360672403846635337' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/5360672403846635337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/5360672403846635337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2007/09/arquivo.html' title='Arquivo'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-1925020502402551175</id><published>2007-09-12T03:40:00.002-03:00</published><updated>2007-11-28T21:06:39.749-02:00</updated><title type='text'>Assassinato na Riachuelo 217</title><content type='html'>Odiava isso, desde o início. Mas antes de cobrir a seção de Cidade de um jornal como aquele, eu tinha uma visão totalmente romântica sobre reportagem policial. Sonhava com crimes cinematográficos, cometidos por assassinos célebres, as pessoas comprando jornais em todo país para ler as últimas notícias sobre os casos que abalaram a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que era porque sempre nutri o desejo de ser detetive, investigador, qualquer coisa assim, mas não tinha o perfil psicológico afirmativo, firme, estruturado que se exigia dos homens da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que me enganei redondamente, sendo que meu caso é mais grave pelo fato do jornal onde trabalho possuir uma linha editorial voltada para o sensacionalismo escatológico. Somos orientados, para não dizer coagidos, a bater as fotos mais infames...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há câmera fotográfica, contudo, por mais moderna e possante que seja, que consiga captar o horror da morte de maneira tão profunda, tão intensa, como a íris humana, que conta com o auxílio do olfato - o aroma de carnes putrefatas é coisa que não atinge leitores, apesar da marca indelével que deixa no espírito do observador. Isso sem falar das paisagens adjacentes, em geral decoradas com toda espécie de lixo, esgoto, ratos e coisas nojentas e sujas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma diferença significativa entre folhear um jornal vagabundo bebericando uma cerveja depois do almoço, como quem se diverte vendo um filme de ação, e rodar oitenta quilômetros do centro até algum extremo da periferia, axilas úmidas de suor, atravessando lixões, favelas, valas podres, para fotografar e descrever a morte de um jovem de vinte cinco anos, o rosto destruído por uma bala de fuzil AR 15, larvinhas brancas se mexendo pelas feridas múltiplas do corpo moreno...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa boa, no meu caso, é que finalmente havia encontrado um bom motivo para me tornar um inveterado, incorrigível e orgulhoso alcóolatra. Nos últimos tempos, começava com uma cervejinha no café da manhã, que tomava por volta das dez horas num botequim perto de casa, junto com um ou dois pastéis de queijo. Era o melhor momento do dia, em que a consciência, esvaziada pela bebedeira e pela noite de sono, permitia-me alguns minutos de poesia. Os raios de sol, filtrando-se pelos galhos de uma velha amendoeira da calçada, riscavam o chão do bar e faziam o copo de cerveja resplandecer com um luz especial, alegre e libertadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora do almoço, às três da tarde, mandava ver mais algumas cervejas para abrir o apetite, no mesmo bar onde às vezes íamos ao final do dia, enquanto esperávamos algum marido ciumento esfaquear a mulher, ou um desempregado estuprar a enteada, matá-la e enterrá-la no quintal de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do expediente, lá pelas onze ou meia-noite, saíamos pela Lapa, eu e mais uns pinguços do jornal, bebendo todas e cheirando umas carreiras. Também eram momentos felizes, em que ríamos, enlouquecidos, de tudo, de todos, do mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltava para casa guiado apenas pelo instinto animal, já que nunca me lembrava como conseguira fazê-lo. Certa vez acordei fedendo a urina e vômito, ao lado de dois mendigos, perto do Passeio Público, o que me levou a frequentar reuniões do AA por dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele serviço estava me fazendo mal, me afundando cada vez mais. O editor, porém, gostava do meu trabalho e me dava bônus e folgas sempre que pressentia que eu estava a ponto de abandonar o barco. Assim eu ia levando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da maioria dos crimes mais horríveis acontecerem na Baixada Fluminense, as partes mais nobres da cidade também ofereciam palco para espetáculos macabros. Aliás, foi no centro da cidade, ironicamente na mesma rua onde eu morava, que registrei a cena mais terrível da minha carreira como repórter policial do Jornal O Povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos sentados no bar do Paulinho, o mais próximo da redação. Eu descrevia, a duas estagiárias de jornalismo, como funcionava o esquema das máfias da Baixada, geralmente controladas por oficiais graduados da polícia militar ou figurões da política local. Uma das mais poderosas era a Máfia do Capote, que atuava nos complexos da Maré e do Alemão, e que era chefiada, dizia-se, por um major da Polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma máfia extremamente violenta, que tinha convênio com traficantes, que pagavam tributos. Policiais fora do esquema não podiam extorquir os bandidos, que já pagavam uma bolada à Máfia. De certa forma, era um sistema que organizava e disciplinava o mercado de propinas do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As garotas estavam fascinadas com o mundo obscuro do crime organizado. Uma delas, Regina, era de São José, cidadezinha depois de Nova Friburgo, no norte fluminense. A outra, Tatiana, era uma "patricinha" da zona sul. Meu sonho era levar as duas pra cama, de preferência ao mesmo tempo, e nada como uma boas histórias de terror para excitar uma mulher... ou duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, estava eu no bar, conversando com as duas, quando entra Josias, o fotógrafo, esbaforido, como todo gordo quando fica agitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tem um crime na Riachuelo, Zé. Parece que é coisa forte. O Antunes mandou a gente ir lá imediatamente. Vai ser capa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedi-me das meninas com ar de grande soldado diante de perigosa batalha. Elas me olhavam embevecidas. Empertiguei-me, embrigado pelo olhar admirado das moças e caminhei em direção ao carro. Sentei-me ao volante, Josias instalou-se no carona, com a usual dificuldade de seus cento e vinte quilos, e seguimos até o endereço indicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no inverno e uma frente fria acabara de chegar à cidade, vinda do Sul. Havia nas ruas um ar londrino, lúgubre e triste. Em dez minutos, chegamos a prédio número 217. Meia dúzia de moradores fofocavam sobre o crime na portaria. Era um prédio sóbrio, simples, construído aparentemente nos anos 60, onze andares, atualmente ocupado por famílias de classe média baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversamos rapidamente com o zelador e subimos pelo elevador até o sétimo andar. O elevador, com as tradicionais portas pantográficas, estava todo pichado com frases estranhas. Uma delas ficou gravada em minha mente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esqueçam o que viu!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessando o corredor, eu sentia a desagradável sensação de estar sendo observado através de todos os olhos mágicos das portas fechadas. O apartamento, número 710, estava com a porta somente encostada. Toquei a campainha, ouvi alguém resmungar lá dentro, entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conhecia o investigador Carlos Mesa, da Polícia Civil, de longa data. Observei-o primeiramente pelo espelho da sala. Ele era alto, forte, com mandíbulas quadradas e um grande nariz perfeitamente aquilino, semelhando um detetive de estórias em quadrinhos, e não pude evitar um certo sentimento de inferioridade ao ver-me também ao espelho, baixo, muito magro, olhos esbugalhados e um pequeno e horrível nariz de batata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oi Zé", ele cumprimentou-me, altivo, com uma forte voz de barítono que me fez, inconscientemente, engrossar também a voz, ao respondê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E aí, Mesa, tudo certo? Que aconteceu?", perguntei, passeando os olhos pelo apartamento de dois cômodos, tipo kitnet, a cozinha americana dentro da sala, apenas uma pia e um espaço para o fogãozinho de duas bocas. Na parede, uma cortiça com fotos de grupos de amigos em lugares turísticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Cara, nunca vi nada parecido", disse Mesa, com um brilho sinistro nos olhos. Aquilo me assustou. Mesa estava há mais de dez anos no setor de crimes hediondos e tinha visto de tudo: chacinas, mutilações, gente queimada, estripada, enfim, tudo. Ele baixou a vista, como que vergado sob o peso de imagens fortes demais, e apontou para o banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não toque em nada, por favor, os peritos ainda não chegaram", acrescentou, com voz fraca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximei-me da porta do banheiro sentindo a respiração rápida de Josias em meu cangote. Abri lentamente a porta e espiei para dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um banheiro pequeno, aproximadamente dois metros quadrados, com um vaso, uma pia e uma banheira. O espaço livre no centro era apenas o suficiente para uma pessoa ficar de pé, parada. Havia ainda uma máquina de lavar entre o vaso e a banheira, de modo que a pessoa, para sentar no vaso, precisava pôr uma das pernas na banheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tamanho do espaço, porém, não era proporcional ao tamanho do horror. Poucas vezes na história dos crimes urbanos, um espaço tão exíguo comportou, em quantidade e intensidade, um volume tão grande de crueldade e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da banheira, empilhados, estavam os corpos de duas mulheres jovens. Sentado no vaso, a cabeça inclinada para trás, encostada à parede, pernas e mãos amarradas, boca amordaçada, um homem de cerca de cinquenta anos, olhos muito abertos e expressão de pavor congelada no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A presença do horror não estava somente nos sinais de tortura nos corpos e na morte. Alguma coisa dentro daquele banheiro era totalmente incompreensível, absurda. Mais que diabólica: era um desafio moral, um chamado de guerra contra os poderes de Deus. Ou pelo menos esses foram os primeiros pensamentos que me ocorreram naqueles instantes horríveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei a porta do banheiro e fui conversar com Mesa, que fumava um cigarro na janela, olhando para o vale semeado de edifícios, morros e favelas. Dois PMs riam junto à porta, falando qualquer coisa sobre futebol, mas o riso deles era meio nervoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que cena horrível, Mesa! Que aconteceu aqui?", perguntei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-1925020502402551175?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/1925020502402551175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=1925020502402551175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/1925020502402551175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/1925020502402551175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2007/09/assassinato-na-riachuelo-217-inacabado.html' title='Assassinato na Riachuelo 217'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-1685791819403138489</id><published>2007-09-12T03:40:00.001-03:00</published><updated>2007-09-14T22:35:50.974-03:00</updated><title type='text'>Entrevista com Marcelo Mirisola (para o extinto Arte &amp; Política)</title><content type='html'>Mirisola nasceu em 1966, em São Paulo. Publicou romances (Azul do Filho Morto, Bangalô e Joana a contra-gosto – este último concorrendo ao Jabuti 2006), livros de contos (Fátima fez os pés para mostrar na choperia, Herói Devolvido) e crônicas (Notas de Arrebentação). E muitos outros livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Marcelo, em que momento da sua vida - se é que houve esse momento - você sentiu que a sua vocação era mesmo a literatura?&lt;br /&gt;MM: Aos três anos de idade descobri que o ursinho da lata de talco Pom Pom me enganava, que era um canalha.Escrevi sobre esse tema no "Notas da Arrebentação". Dá uma espiada num monólogo cujo título é "Luto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Você me contou, um dia, que o Azul do Filho Morto foi o romance em que você conseguiu atingir um grau de liberdade muito importante pra você. Como foi isso?&lt;br /&gt;MM: Eu lhe disse que me libertei ou acertei as contas com minha família e a partir de o "Azul..." as coisas,digo sintaticamente, ficaram mais fáceis. Mas ainda tenho um montão de nós (religiosos, políticos, existenciais, etc) para desatar. Não sei se vou ter fôlego e paciência para tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Se os EUA declarassem guerra ao Brasil e iniciassem um ataque nuclear ao nosso país e nós todos fôssemos obrigados a nos esconder em abrigos subterrêneos, quais livros você levaria para lá?&lt;br /&gt;MM: Livro nenhum, Miguel. Tô com o saco cheio de livros, escritores, vaidades e futilidades do gênero.Talvez levasse umas bergamotas, caquis e uma foto em que estou em cima de uma Lhama. Eu tinha uns três anos de idade, tenho saudades do que eu poderia ter sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: O cinema, música, a tv, exercem influência significativa na sua inspiração?&lt;br /&gt;MM: Nunca tive inspiração, idéias, esses trecos aí. O que me motivava (antes de o meu saco encher) era o sentimento de revanche, vingança e alheamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Quais são as coisas do Brasil que você mais gosta? E do que você não gosta?&lt;br /&gt;MM: Tenho alma portenha,Miguel. Nunca tive afinidade com as coisas do Brasil ... isso não quer dizer que eu desgoste do país. Gosto de churros, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Como você caracterizaria a cidade de São Paulo, numa palavra?&lt;br /&gt;MM: Caipira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: E o Rio, qual a impressão que o Rio passa pra você?&lt;br /&gt;MM: Uma cidade que sumiu para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Quais seus projetos literários para este ano?&lt;br /&gt;MM: Quero voltar às crônicas, Miguel. E ganhar uns trocos com uns prêmios literários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Você lê alguma coisa de literatura pela internet? Gosta de ler blogs, por exemplo?&lt;br /&gt;MM: O blogue do Marião, principalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Quais os aspectos da literatura brasileira que decididamente não lhe agradam?&lt;br /&gt;MM: Os poetas em primeiro lugar. Depois os escritores de maneira geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Qual a função (ou disfunção, se preferir) social da literatura, na sua opinião?&lt;br /&gt;MM: Como diz o Evandro Ferreira, a função da literatura é fechar portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;amp;P: Da turma nova das letras, tem algum que destacaria?&lt;br /&gt;MM: Lísias, Montenegro, Juliano Pessanha... e o Nilo Oliveira que - imagino - deve estar aprontando algo nesse momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-1685791819403138489?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/1685791819403138489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=1685791819403138489' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/1685791819403138489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/1685791819403138489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2007/09/entrevista-com-marcelo-mirisola-para-o.html' title='Entrevista com Marcelo Mirisola (para o extinto Arte &amp; Política)'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-6892604309639452022</id><published>2007-03-10T12:48:00.000-03:00</published><updated>2007-03-10T12:51:55.542-03:00</updated><title type='text'>Ta com preguiça?</title><content type='html'>&lt;a href="http://silencio.weblog.com.pt/images/eyes/Munch-Ashes.GIF"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://silencio.weblog.com.pt/images/eyes/Munch-Ashes.GIF" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esse post é so para lembrar a você, caro leitor, de fazer a devida modificação no seu template, substituindo o endereço deste blog pelo oleododiabo.blogspot.com, onde concentro a publicação das minhas coisas. Abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: A ilustração é uma pintura de Edward Munch.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-6892604309639452022?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/6892604309639452022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=6892604309639452022' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/6892604309639452022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/6892604309639452022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2007/03/ta-com-preguia.html' title='Ta com preguiça?'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-317579973051158384</id><published>2007-02-08T16:23:00.000-02:00</published><updated>2007-02-08T10:24:01.441-02:00</updated><title type='text'>É definitivo: fico somente no Óleo do Diabo</title><content type='html'>Vai lá: &lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com"&gt;oleododiabo.blogspot.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-317579973051158384?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/317579973051158384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=317579973051158384' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/317579973051158384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/317579973051158384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2007/02/definitivo-fico-somente-no-leo-do-diabo.html' title='É definitivo: fico somente no Óleo do Diabo'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116896615224573964</id><published>2007-01-16T14:33:00.000-02:00</published><updated>2007-01-21T12:07:32.166-02:00</updated><title type='text'>Sobre o silêncio</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/666/517/1600/851580/untitled.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/666/517/320/440504/untitled.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (Auto-retrato, Francis Bacon)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Meus queridos amigos, peço desculpas pelo silêncio prolongado deste blog. Conforme já adiantei em posts anteriores, estou em viagem, numa longa viagem, externa e interna, com os pensamentos tão embaralhados que tem sido realmente difícil escrever qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, nesta minha nova vida nômade, usar a internet ficou, naturalmente, um pouco mais caro e mais complicado. Estou me esforçando para romper este gelo, todavia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, começo simplificando as coisas e unificando meus escritos num só blog, o Óleo do Diabo, espaço já conhecido dos meus amigos mais antigos, e para o qual convido todos vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/"&gt;oleododiabo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116896615224573964?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116896615224573964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116896615224573964' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116896615224573964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116896615224573964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2007/01/sobre-o-silncio.html' title='Sobre o silêncio'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116401088833496022</id><published>2006-11-20T06:17:00.000-02:00</published><updated>2007-01-14T20:24:41.280-02:00</updated><title type='text'>Em viagem</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/sartre.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/sartre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Férias para o blog. Volto aqui somente em 2007.  Bom feriado pra todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116401088833496022?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116401088833496022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116401088833496022' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116401088833496022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116401088833496022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/11/em-viagem.html' title='Em viagem'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116255846787834859</id><published>2006-11-03T09:14:00.000-03:00</published><updated>2006-11-10T08:40:48.740-02:00</updated><title type='text'>Show do Mundo Livre na Ilha da Reunião</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/CONTINENT_OCEAN_INDIEN.0.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/CONTINENT_OCEAN_INDIEN.0.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, até pouco tempo, nunca tinha ouvido falar dessa ilha, um pedacinho da Europa incrustrado no Oceano Indico. Agora ca estou, digitando em misteriosos teclados franceses e assistindo shows diarios de samba, capoeira e Mundo Livre SA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oui, Mundo Livre. Ontem, 2 de novembro, a banda pernambucana fez um showzaço para uma plateia atonita, que do Brasil conhece apenas samba de carnaval, mulatas bundudas, futebol e Gilberto Gil, que tocou na Ilha em julho deste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final do show, subiram ao palco duas deslumbrantes e legitimas mulatas, vestidas à carater: sumarios biquinis cintilantes, paetes imodestos e adereços dourados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve mais informações sobre esta exotica experiencia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116255846787834859?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116255846787834859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116255846787834859' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116255846787834859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116255846787834859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/11/show-do-mundo-livre-na-ilha-da-reunio.html' title='Show do Mundo Livre na Ilha da Reunião'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116157487847196577</id><published>2006-10-23T00:37:00.000-03:00</published><updated>2006-10-24T12:35:59.323-03:00</updated><title type='text'>Novo desenho de Emerson Wiscow</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/fante%203.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/fante%203.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Singela homenagem a John Fante, feita para a editora &lt;a href="http://www.spectroeditora.com.br/"&gt;Spectro&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Terei muitas dificuldades para atualizar este blog nas próximas semanas, até o final de novembro. Estou agitando e vivendo business trips no período. Depois conto mais. Abraço em todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todo respeito aos amigos tucanos, continuo minha cruzada &lt;strong&gt;anti-Alckmin&lt;/strong&gt;. Se não quiserem &lt;strong&gt;Lula&lt;/strong&gt;, tudo bem. Votem nulo. O bom, velho e consciente voto nulo. Mas &lt;strong&gt;Alckmin não&lt;/strong&gt;! Enquanto a corrupção do governo Lula se mede em milhões, a do PSDB se mede em &lt;strong&gt;TRILHÕES&lt;/strong&gt;! E eles não só desconhecem (o famoso &lt;em&gt;não sei de nada&lt;/em&gt;), como se orgulham do que fazem! E com beneplácito dos meios de comunicação, que querem voltar a mamar nas tetas adiposas dos financiamentos públicos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugestão de Blog literário legal e divertido:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://marconileal.zip.net/"&gt;http://marconileal.zip.net/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116157487847196577?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116157487847196577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116157487847196577' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116157487847196577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116157487847196577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/novo-desenho-de-emerson-wiscow.html' title='Novo desenho de Emerson Wiscow'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116123117298737795</id><published>2006-10-19T01:08:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T01:15:44.436-03:00</updated><title type='text'>Diálogo de mestres</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/bukowski035.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/bukowski035.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Breve conversa à tarde com John Fante&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;ele disse: “Eu estava trabalhando em Hollywood &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;na mesma época em que&lt;br /&gt;Faulkner também estava lá &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e ele era o pior de todos&lt;br /&gt;estava sempre bêbado demais para ficar de pé&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; e ao final da tarde&lt;br /&gt;eu tinha que ajudar a colocá-lo num táxi&lt;br /&gt;dia após dia após dia”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“mas quando ele deixou Hollywood, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;eu fiquei&lt;br /&gt;e não bebi como talvez devesse ter feito&lt;br /&gt;para ter o culhão de segui-lo &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;e dar um basta naquela merda”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu disse a ele: “você escreve &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;tão bem quanto Faulkner”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“você acha mesmo?”, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;ele perguntou, de sua cama&lt;br /&gt;no hospital, sorrindo&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Charles Bukowski&lt;br /&gt;Tradução: Miguel do Rosário &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Ler no &lt;a href="http://www.bukowski.net/poems/small_conversation_in_the_afternoon_with_John_Fante.php"&gt;original&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116123117298737795?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116123117298737795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116123117298737795' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116123117298737795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116123117298737795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/dilogo-de-mestres.html' title='Diálogo de mestres'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116122066284421091</id><published>2006-10-18T22:12:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T00:37:34.660-03:00</updated><title type='text'>Ela entendia das coisas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/hildahilst2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/hildahilst2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Bebendo, Vida, invento casa, comida&lt;br /&gt;E um Mais que se agiganta, um Mais&lt;br /&gt;Conquistando um fulcro potente na garganta&lt;br /&gt;Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.&lt;br /&gt;Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos&lt;br /&gt;Quando não sou líquida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;E bebendo, Vida, recusamos o sólido&lt;br /&gt;O nodoso, a friez-armadilha&lt;br /&gt;De algum rosto sóbrio, certa voz&lt;br /&gt;Que se amplia, certo olhar que condena&lt;br /&gt;O nosso olhar gasoso: então, bebendo?&lt;br /&gt;E respondemos lassas lérias letícias&lt;br /&gt;O lusco das lagartixas, o lustrino&lt;br /&gt;Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos&lt;br /&gt;E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.&lt;br /&gt;Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me&lt;br /&gt;Na noite navegada, e rio, rio, e remendo&lt;br /&gt;Meu casaco rosso tecido de açucena.&lt;br /&gt;Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Também são cruas e duras as palavras e as caras&lt;br /&gt;Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida&lt;br /&gt;Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos&lt;br /&gt;Vão se fazendo remansos, lentilhas d'água, diamantes&lt;br /&gt;Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos&lt;br /&gt;Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas&lt;br /&gt;De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo&lt;br /&gt;Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas&lt;br /&gt;Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento&lt;br /&gt;Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte&lt;br /&gt;É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.&lt;br /&gt;Sussurras: ah, a vida é líquida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Hilda Hilst&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(Alcoólicas) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116122066284421091?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116122066284421091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116122066284421091' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116122066284421091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116122066284421091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/ela-entendia-das-coisas.html' title='Ela entendia das coisas'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116110342400551810</id><published>2006-10-17T13:34:00.000-03:00</published><updated>2006-10-17T13:43:44.096-03:00</updated><title type='text'>Resgatando um comentário</title><content type='html'>Bem, tô publicando só para divulgar o comentário abaixo do escritor baiano Antônio Diamantino, apagado (o comentário, não ele) sem querer, junto com um post meu que era só um aviso sobre problemas técnicos, e por isso deletado. Valeu pela idéia, Diamantino. Concordo contigo que é preciso tomar cuidado com os teóricos. Eles esterilizam a poesia. Gostei da maneira apaixonada como Bloom escreve, mas não concordo com ele em várias coisas. Sobretudo, estou atento ao caráter místico, psicológico e dionisíaco da poesia. Fique tranquilo, não serei iludido tão facilmente. Grande abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuidado com o papo de teóricos como Bloom. Essas pessoas são como vampiros capazes de extirpar toda a vida do texto literário. São esses seres que transformariam os poemas repletos de alma de Miguel do Rosário em resenhas esdruxulas seguindo os padrões técnicos e científicos de entendimento na esfera academicista. Eles matam o poema em busca de um título. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Posted by Antonio Diamantino Neto to Hell Bar at 10/17/2006 12:17:04 PM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116110342400551810?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116110342400551810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116110342400551810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116110342400551810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116110342400551810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/resgatando-um-comentrio.html' title='Resgatando um comentário'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116076184520575131</id><published>2006-10-13T14:43:00.000-03:00</published><updated>2006-10-13T14:50:45.373-03:00</updated><title type='text'>Bagunça de luxo em Sampa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/mario4.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/mario4.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aconteceu esta semana uma tremenda pândega literária na indefectível praça Roosevelt. Foi o lançamento de &lt;strong&gt;Atire no Dramaturgo&lt;/strong&gt;, novo livro do brother &lt;a href="http://atirenodramaturgo.zip.net/"&gt;Mario Bortolotto&lt;/a&gt;. Ainda tenho muito a falar sobre o tema. Ele está tentando achar um local de lançamento no Rio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116076184520575131?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116076184520575131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116076184520575131' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116076184520575131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116076184520575131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/baguna-de-luxo-em-sampa.html' title='Bagunça de luxo em Sampa'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116068629960310638</id><published>2006-10-12T17:50:00.000-03:00</published><updated>2006-10-14T14:48:52.993-03:00</updated><title type='text'>Harold Bloom com vista para o morro da Mangueira</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/bloom.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/bloom.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/bloom.0.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem passei algumas horas na varanda da biblioteca da Uerj, local que frequento há muitos anos. A vista dá para o morro da Mangueira, imponente e cheio de personalidade, o metrô, o trem, ao fundo a baía de guanabara e a ponte rio-niterói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei lendo O Cânone Ocidental, de Harold Bloom, famoso crítico literário norte-americano. Bloom defende uma visão eminentemente estética da arte, ou seja, que contemple a arte sem falsos moralismos ou viciados sociologismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante notar que Bloom, a despeito de sua erudição, procura dismistificar qualquer suposta superioridade do homen "intelectual" frente aos demais cidadãos. O estudo dos clássicos, ou cânone, não nos tornaria pessoas melhores. Pelo contrário, se baseássemos nossa moral apenas no estudo dos clássicos nos tornaríamos monstros de egoísmo, diz ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação de Bloom me fez lembrar de inúmeros "intelectuais" brasileiros metidos a besta e a publicistas políticos, que se gabam tanto de seus conhecimentos literários, apesar do péssimo uso que fazem deles. A ideologia é burra, é um dos lemas da nova direita, omitindo de si mesma que a máxima vale tanto para a esquerda quanto para a direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bloom não se ocupa de que forma os homens podem se tornar melhores. Seu campo é a estética, e para operar livremente ele afasta qualquer inferência moral ou política da análise literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio Cândido, o famoso crítico brasileiro, não é tão peremptório quanto Bloom. Cândido tentará realizar uma síntese dialética entre a análise literária puramente estética, defendida por Bloom e a sociológica, defendida por outros autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que me inclino mais para a posição de Bloom, embora reconheça a coerência lógica do entendimento de Cândido, cuja estrutura teórica, inclusive, me parece melhor indicada para dar conta das transformações inerentes ao uso da internet como veículo de comunicação literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande novidade da internet, no terreno da literatura, a meu ver, é a interação, que transforma a maneira como lemos e, consequentemente, também irá mudar a forma como escrevemos um texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frases interessantes pescadas no livro de Bloom:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Resenhar livros ruins, observou certa vez W.H.Auden, faz mal ao caráter".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ler os melhores escritores, digamos, Homero, Dante, Shakespeare, Tosltói, não nos tornará melhores cidadãos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A arte é inteiramente inútil, segundo Oscar Wilde, que geralmente tinha razão a respeito de tudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Toda má poesia é sincera".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Cânone Ocidental, seja lá o que for, não é um programa de salvação social".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A gente só entra no cânone pela força poética, que se constitui basicamente de um amálgama : domínio da linguagem figurativa, originalidade, poder cognitivo, conhecimento, dicção exuberante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se lermos o Cânone Ocidental para formar nossos valores morais, sociais, políticos ou pessoais, creio firmemente que nos tornaremos monstros de egoísmo e exploração".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ler a serviço de qualquer ideologia é, em minha opinião, não ler de modo algum". (essa vale para certo jornalista político que acha que Dante e Robert Musil escreviam para defender o PSDB)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ler a fundo o cânone não nos fará uma pessoa melhor ou pior, um cidadão mais útil ou nocivo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O romance Assunção de Salviano, de Antônio Callado, é uma sucessão de clichês. A escrita de Callado é elegante, como sempre, mas a história em si é fraca. Além disso, há um artificialismo visível no texto, como se pudéssemos enxergar suas engrenagens íntimas. O romance conta as aventuras de uma célula comunista em Juazeiro, Bahia, que trabalha para produzir um foco revolucionário no Nordeste. Um dos "quadros" simula uma conversão religiosa e torna-se um "profeta", uma espécie de Antonio Conselheiro, pregando a fé e a revolução social. Ocorre que Manuel Salviano acaba assumindo de verdade o papel que lhe cabia apenas representar e passa a acreditar em Deus, pregando cada vez menos a revolução e mais a salvação da alma. As multidões passam a venerá-lo e até milagres acontecem. O enredo em si não é mal, apesar de ser um tanto forçado (o autor queria incluir luta de classes, comunismo, revolução, na história, certamente por serem, na época, temas polêmicos). Os defeitos são muitos, mas pode-se resumi-los por: diálogos banais, dicção pobre, trama medíocre e inverossímil e personagens simplórios, maniqueístas, previsíveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116068629960310638?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116068629960310638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116068629960310638' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116068629960310638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116068629960310638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/harold-bloom-com-vista-para-o-morro-da.html' title='Harold Bloom com vista para o morro da Mangueira'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116054359766835441</id><published>2006-10-11T02:08:00.000-03:00</published><updated>2006-10-13T14:52:46.273-03:00</updated><title type='text'>Muddy Waters</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/muddy_waters.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/muddy_waters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/results?search_query=muddy+waters"&gt;Outro que recomendo&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116054359766835441?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116054359766835441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116054359766835441' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116054359766835441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116054359766835441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/muddy-waters.html' title='Muddy Waters'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116045955878479993</id><published>2006-10-10T02:51:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T03:02:36.033-03:00</updated><title type='text'>Quem é maluco?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/paulo-raul.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/paulo-raul.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor ser maluco que ser burro. Não estou aqui querendo provar nada. Let me sing my rock and roll. Raulzito &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qX2bIwRI4kg"&gt;mandando ver&lt;/a&gt; de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116045955878479993?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116045955878479993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116045955878479993' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116045955878479993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116045955878479993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/quem-maluco.html' title='Quem é maluco?'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116038964743215596</id><published>2006-10-09T07:18:00.000-03:00</published><updated>2006-10-09T07:29:42.716-03:00</updated><title type='text'>Contra Alckmin</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/alck-ve.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/alck-ve.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Só não vote nesse falso moralista aí de cima. Opus Dei do caralho. Vote Raul! Dá-lhe Raulzito! Ouça &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rumpnIRMGAE"&gt;aqui&lt;/a&gt; Raulzito fazendo campanha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116038964743215596?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116038964743215596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116038964743215596' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116038964743215596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116038964743215596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/contra-alckmin.html' title='Contra Alckmin'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116038498720435872</id><published>2006-10-09T05:21:00.000-03:00</published><updated>2006-10-13T11:15:56.716-03:00</updated><title type='text'>A eterna luta contra o mau poeta que há em nós</title><content type='html'>No final dos 80's eu tocava violão e compunha músicas de amor. Esqueci tudo e não guardei nada. Lembro apenas, vagamente, que eram canções bregas, embora haja sim a possibilidade de eu ter assassinado algumas canções boas. Mas acho difícil. O Paulo Mendes Campos, numa de suas crônicas (presente no livro Anjo Bêbado), fala desse negócio do escritor ter de matar, diariamente, o mau poeta que há nele. Com certeza, grande Paulo. Os maus poetas nos habitam, às vezes nos dominam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando falo de poesia, falo de literatura. Penso que é tolice esse preconceito que aflorou entre certos literatos contra poesia. Como se a poesia não fosse literatura. A literatura nasceu do poema. Aliás, a literatura moderna, a meu ver, está voltando muito à poesia. Há romances "modernos" que, se transcritos em versos, seriam pura poesia. E há poesias modernas que, diagramadas de outra forma, poderiam ser classificadas como prosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está claro que alguns cidadãos, movidos por necessidade pecuniária, falta de alternativa econômica e certo (quiçá duvidoso) pendor para as letras, decidem se tornar poetas e vender seus livrinhos caseiros em bares, faculdades, na entrada de cinema e centros culturais. Quem já não enfrentou o famoso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gosta de poesia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, não acho uma boa maneira de veicular a poesia. Para muitos, a abordagem é irritante, sobretudo se o poeta resolve explicar, em detalhes, o processo que usou para idealizar, escrever, diagramar e imprimir seu produto. No entanto, compreendo perfeitamente a situação do cara. Não sou eu que condenarei o poeta-camelô. Em teoria, é um ato corajoso, uma afirmação de independência artística. Acho legal o artista ampliar o controle sobre suas atividades. Fica mais livre e, muitas vezes, é a única maneira de ganhar algum dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, também acho desagradável. Fujo dessas abordagens assim como fujo de militantes evangélicos, entrevistadores para campanhas de marketing e ciganas-desesperadas-para-ler-sua-mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, tenho pelo menos dois grandes amigos que vivem de vender poesia nas ruas. Mas esses são extremamente sagazes, abordando apenas pessoas que, notoriamente, demonstram interesse no produto. Em alguns meios, aqui no Rio, sou conhecido apenas como poeta, apesar de, há anos, escrever bem mais prosa que poesia. Conheço inúmeros poetas, a maior parte dos quais desconhecidos do público em geral, embora possuam um trabalho consistente pra caralho. O problema deles é que não exploram bem a internet e não possuem nenhum, nenhum, nenhum talento (pelo menos por enquanto) para venderem a própria imagem. Neste sentido, são completamente desajeitados. Ou puros, por outro ângulo. Românticos, utópicos, fracassados. No entanto, libertos de toda inveja (o que não é necessariamente uma qualidade, mas eles são assim). Altivos, irônicos, quase felizes - não fosse o desespero constante da falta de grana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em poesia, deu vontade de escrever uma (quem sabe faz ao vivo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cerveja da geladeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;atrás de mim há uma geladeira&lt;br /&gt;com várias latinhas de bavária&lt;br /&gt;compradas no Mundial por 0,79 cada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto escrevo, penso nelas, nas latinhas&lt;br /&gt;penso particularmente em uma&lt;br /&gt;a que porventura eu poderia abrir e beber&lt;br /&gt;caso interrompesse a escrita, nesse momento,&lt;br /&gt;me virasse, abrisse a geladeira&lt;br /&gt;e a colhesse diretamente da árvore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui lá e peguei a cerveja&lt;br /&gt;são 5:58 da manhã e sou um louco&lt;br /&gt;bebendo cerveja em casa e escrevendo um poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou acordar tarde novamente&lt;br /&gt;contrariando meu eterno plano de ir correr&lt;br /&gt;no aterro às seis da manhã&lt;br /&gt;trabalhar duro até o meio dia&lt;br /&gt;almoçar, descansar a siesta&lt;br /&gt;e passar a tarde lendo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora vou acordar meio-dia&lt;br /&gt;trabalhar até o meio da tarde&lt;br /&gt;ler um livro&lt;br /&gt;dar uma caminhada pelo centro antigo do rio&lt;br /&gt;contemplando a beleza &lt;br /&gt;dos casarões em ruínas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116038498720435872?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116038498720435872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116038498720435872' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116038498720435872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116038498720435872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/eterna-luta-contra-o-mau-poeta-que-h.html' title='A eterna luta contra o mau poeta que há em nós'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116019956188986582</id><published>2006-10-07T02:22:00.000-03:00</published><updated>2006-10-11T02:52:43.740-03:00</updated><title type='text'>Notícias finais do Festival</title><content type='html'>C'est fini. O Festival do Rio chegou ao fim, com uma festa meia boca na Tenda de Copacabana. Não tinha uísque, vinho, champagne. Cerveja, só nova schin. O som estava bom, pelo menos. Rolou Bezerra da Silva, Chico Science, Erasmo Carlos, Elizeth Cardoso, entre outros. Mas terminou cedo, às três, quando o negócio ainda estava esquentando. Nem deu tempo pra eu ficar bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme premiado pelo júri oficial foi Céu de Suely, segundo longa de Karim (o primeiro foi Madame Satã). O público deu o prêmio para Cheiro do Ralo, de Heitor Dhália. Pra mim, os prêmios foram merecidos. Os dois são bons filmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curta mais premiado foi Mauro Shampoo, disponível &lt;a href="http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=4544"&gt;aqui&lt;/a&gt; no Porta Curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À margem do concreto, de Evaldo Mocarzel, ganhou prêmio de melhor documentário, no júri oficial. Fabricando Tom Zé levou o "Redentor" de Júri Popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganharam prêmios ainda Selton Mello (melhor ator, em Cheiro do Ralo), Hermila Guedes (melhor atriz, em Céu de Suely) e Karim (melhor diretor, idem).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116019956188986582?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116019956188986582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116019956188986582' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116019956188986582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116019956188986582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/notcias-finais-do-festival.html' title='Notícias finais do Festival'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-116001109282792457</id><published>2006-10-04T22:10:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T22:18:12.853-03:00</updated><title type='text'>Revival</title><content type='html'>Estou fazendo uma revisão do histórico desse blog e achei umas coisas cuja releitura me divertiram. Acho legal fazer um revival de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/11/poesia-d-sede.html"&gt;A poesia dá sede&lt;/a&gt;, resenha do livro Tanto Faz, de Reinaldo Moraes&lt;br /&gt;2) &lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/11/o-lago-escuro.html"&gt;O lago escuro&lt;/a&gt;, poema de minha autoria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-116001109282792457?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/116001109282792457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=116001109282792457' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116001109282792457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/116001109282792457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/revival.html' title='Revival'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115999732307612589</id><published>2006-10-04T17:59:00.000-03:00</published><updated>2006-10-11T02:54:41.196-03:00</updated><title type='text'>Eu me lembro</title><content type='html'>Bons filmes nesta segunda semana de Festival. Cartola, de Lírio Ferreira, é um documentário fundamental para quem deseja compreender o que foi e o que é o samba carioca e, consequentemente, o que foi e o que é o Rio de Janeiro. Filme feito inteiramente, ou quase, com imagens de arquivo, umas antigas, outras mais recentes, com uso constante de pout-pourri (não sei se é assim que escreve...), ou seja, cenas rápidas extraídas de clássicos do cinema nacional, ilustrando as épocas. Notável ainda a persistência de Lírio, que levou oito anos para finalizar a película.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme de Lírio foi precedido pelo curta-metragem "O Som da Luz do Trovão", de Petrônio Lorena e Tiago Scorza, que também é muito interessante, feito com audácia e criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, "Eu me lembro", novo longa-metragem de Edgar Navarro, grande cineasta baiano, me comoveu. Navarro é conceituadíssimo entre especialistas e amantes do cinema nacional. Lindo, lembrou os antológicos romances que mesclam ficção e memórias, como Bukóswki, Miller, Fante, e mesmo o londrinense Márcio Américo, autor de Meninos de Kichute.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti um documentário bem interessante sobre a vida e morte de um líder sindical do Pará, "Expedito: em busca de outros nortes". E outro fantástico sobre a vida dos três irmãos Souza. Betinho, Henfil e Chico Mário: "Irmãos de Sangue". O filme, também bancado pela Petrobrás, conta a história desses três irmãos que, cada um com seu talento, participaram ativamente da vida cultural e política do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi também um filmaço de Visconti, no recém inaugurado Centro Cultural da Caixa Econômica, "Os deuses malditos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, no Cine Palácio, foi exibido a cópia restaurada de "Como era gostoso meu francês", o clássico de Nelson Pereira dos Santos. É um filme muito bem feito, mas prefiro outros do Nelson, como Rio 40 Graus, Boca de Ouro, O Justiceiro, Vidas Secas, Memórias do Cárcere. O "Como era gostoso meu francês" é um elaborado filme de época, passado no Brasil colônia, nos tempos em que os franceses ocupavam a Ilha de Villegainhon (o nome certamente está escrito errado), no Rio de Janeiro, e aliavam-se aos tupiniquins para combater portugueses e tupinambás. História bem escrita. O único problema é o excesso de homens pelados. O tempo todo aquelas picas na nossa cara. Pequenas, médias, grandes. O cacique tem pau pequeno, o francês tem uma manjuba enorme. Isso achei sacanagem, anti-patriota da parte do Nelson, dar esse crédito ao estrangeiro. Caralho, chega de picas, socorro. Mudando de assunto, urgente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer, mudando de assunto nada. Acabou a crônica. Té mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: A festa de encerramento e entrega de prêmios é na quinta-feira 05.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115999732307612589?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115999732307612589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115999732307612589' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115999732307612589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115999732307612589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/10/eu-me-lembro.html' title='Eu me lembro'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115959607275866708</id><published>2006-09-30T02:36:00.000-03:00</published><updated>2006-10-02T01:38:22.673-03:00</updated><title type='text'>O cinema e a vida</title><content type='html'>O filme Céu de Suely, de Karim Aїnouz, para mim, é o melhor do Festival, até agora. É realmente muito bonito, sensível, autêntico. Tecnicamente impecável. Adulto. Consequente. Não faz nenhuma concessão. Sem clichê. Sem piadinhas. Sem atores famosos (o que não é necessariamente bom ou mau, mas enfim...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta sexta-feira, assisti ainda Noel, Poeta da Vila, dirigido por Ricardo Van Steen. Cruz credo. Noel deve estar se revirando no túmulo. Que filme ruim, meu Deus. Dá até vergonha. Noel Rosa é, junto com Cartola e Ismael Silva, um dos fundadores do samba moderno carioca. Seus sambas tinham letras inteligentes, divertidas, com uma musicalidade mais complexa que as tradicionais marchinhas de carnaval. O filme, todavia, estraga tudo. Mostra um Noel estereotipado. As cenas são mal montadas, artificiais. A única coisa boa do filme é a Camila Pitanga, que está linda, maravilhosa e, o que deve ser muito difícil num filme com tantas deficiências, competente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um curta muito bom foi Acossada. Criativo, elegante, charmoso, divertido. Dirigido por Karen Akerman e Karen Black. Pra mim, merece prêmio. Dá pra ver no Porta Curta, por &lt;a href="http://portacurtas.uol.com.br/Filme.asp?Cod=4635"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia mais resenhas no &lt;a href="http://blog.miroir.com.br/"&gt;Blog da Miroir&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115959607275866708?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115959607275866708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115959607275866708' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115959607275866708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115959607275866708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/o-cinema-e-vida.html' title='O cinema e a vida'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115956345095857470</id><published>2006-09-29T17:37:00.000-03:00</published><updated>2006-09-30T01:42:57.963-03:00</updated><title type='text'>Nos bastidores do Festival do Rio</title><content type='html'>Lá estava eu, atacando pela esquerda e pela direita, que nem o PMDB. Copo de uísque na pata esquerda, long-neck na direita. Ou seja, quase feliz. Digo quase, porque havia um bate-estaca no fundo que eu tentava heroicamente ignorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao começo. Cheguei na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, onde rolava a festa de lançamento do filme Céu de Suely, por volta da meia-noite, acompanhado de: minha ex-secretária, agora patroa e ídola, Priscila, Justo Dávila, poeta, ex-membro da banda Boatos, e sua consorte, Mariana. Os primeiros momentos foram tensos. Havia uma fila absurda para pegar cerveja. Pior, a fila era para pegar uma ficha para pegar cerveja em outro lugar. Burocracia burra. Mas tudo bem. Fomos pra fila, eu e o Justo, conversando e reclamando. Fila pra cerveja é foda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de meia hora de fila, a gente quase na caixa, uma garota nos diz que ali não era a fila da cerveja grátis, ali era pra COMPRAR. Escutei a informação perplexo. O Justo mandou essa: a fila é para a gente SABER QUE A CERVEJA GRÁTIS É NOUTRO LUGAR. Caralho, não deu. Explodi de rir. Fiquei descontrolado legal, chorando de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aconteceu que as garçonetes se distraíram e liberaram três long-necks pra gente. As coisas começavam a melhorar. Fomos até a boate e entramos no bate estaca. Eu devia estar louco. Ainda tentei dançar aquela merda. O Justo dançava amarradão, o vendido. A Pri, vendo minha expressão de desespero profundo, fez um lobby pró-rock n'roll com o DJ. O cara era jogo duro. Disse que só ia rolar aquele lixo a noite inteira. Nem tinha trazido outros cds. Puta que pariu. Deu vontade de xingar e esganar o cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos dali e, por um tempo, ainda fiquei de mau humor com aquele bate estaca, mas tinha muita gente boa circulando. Topei com Marçal Aquino e Renato Ciasca (co-diretor dos filmes do Beto Brant), e fiquei observando a elite do cinema brasileiro bebendo e trocando idéias. Estavam lá Marcelo Gomes, diretor de Cinema, Aspirinas e Urubus (escolhido pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar), Lírio Ferreira (diretor de Baile Perfumado e Árido Movie), Walter Salles, além do Karim Aїnouz, diretor do filme da noite, Céu de Suely.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bom filme, esse Céu de Suely. Bom mesmo. Sensível pra cacete, autêntico, cinemão. Só fiquei profundamente decepcionado mesmo com o Karim por (ele confessou pra Priscila) ele ter escolhido aquele merda de DJ.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115956345095857470?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115956345095857470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115956345095857470' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115956345095857470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115956345095857470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/nos-bastidores-do-festival-do-rio.html' title='Nos bastidores do Festival do Rio'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115937915407330392</id><published>2006-09-27T14:44:00.000-03:00</published><updated>2006-09-29T16:35:56.653-03:00</updated><title type='text'>Mais resenhas de filmes exibidos no Festival do Rio</title><content type='html'>Estão lá no &lt;a href="http://blog.miroir.com.br/"&gt;Blog da Miroir&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_K-7a0nSHvs"&gt;isso&lt;/a&gt; é lindo. Jimi Hendrix tocando Like a Rolling Stone. Agora, uma dica, dá também uma lida na &lt;a href="http://www.bobdylan.com/songs/rolling.html"&gt;letra&lt;/a&gt; do poema, autoria de Bob Dylan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dica de Blog: mais talento na blogosfera. Marcelo da Silva Duarte fala de política com elegância e bela prosódia, coisa rara em tempos de radicalismo eleitoral e grosserias ideológicas. Dê uma &lt;a href="http://boanoiteproporco.blogspot.com/"&gt;boa noite pro porco&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115937915407330392?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115937915407330392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115937915407330392' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115937915407330392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115937915407330392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/mais-resenhas-de-filmes-exibidos-no.html' title='Mais resenhas de filmes exibidos no Festival do Rio'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115925931911101446</id><published>2006-09-26T04:09:00.000-03:00</published><updated>2006-09-27T19:37:50.583-03:00</updated><title type='text'>Tapa na pantera</title><content type='html'>Dá não. Planejava eu, ingenuamente, escrever um resenhão pra cada filme, tipo aqueles do &lt;a href="http://contracampo.com.br/"&gt;Contracampo&lt;/a&gt;. Mas eles, da Contracampo, são muitos. Eu sou um só - pelo menos ainda não descobri meus outros eus por aí. O negócio é que a gente acaba vendo um montão de filme e não dá tempo de analisar, pensar e fazer uma resenha genial pra cada um. Deixa quieto. Podem ir lá na Contracampo mesmo. Tentei ser sério, metódico e enérgico, e fracassei. Quando chegar aos sessenta, quem sabe? Depois que inventaram o Viagra, beibes, nós homens vamos longe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, primeiro um grito de independência - para patentear o meu nível de amadorismo, desculpável talvez por ser deliberado. Vou publicar aqui! Já é um puta trabalho manter a meia dúzia de leitores deste blog, e agora você quer, mon amour, que eu publique meus textos no blog da Miroir? Não é questão de ser ingrato. Só porque, graças a você, ganhei credencial pra assistir todos os filmes? Só porque ganhei convites para todas as festas? Só porque você faz beicinho e dá beijinho? Ã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se deixar, o cara vira um lacaio da mulher. Ô bichinho autoritário, mulher. Dizem que Pedro I deu o grito de independência depois de levar um esporro: "vai logo lá, na beira daquele rio barrento, e dá a porra do grito, seu molóide", teria dito dona leopoldina-ou-seja-lá-qual-seja-o-nome-da-bigoduda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se não formos nós, quem irá trocar as lâmpadas, abrir as latas de picles, instalar chuveiro elétrico novo, héin?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta! Corta! O papo aqui é cinema. Não tá na hora de fazer piadinha sem-graça e batida sobre a decadência do macho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi um filme boliviano muito bom. Pobrinho, sem recurso nenhum. O cara deve ter gasto uns dez reais pra fazer. Todo digital. Cenas improvisadas. Muitos atores não profissionais. Mesmo assim, um filme bom, ousado, verdadeiro. Título original: Lo más bonito y mis mejores anos. Obviamente, os malucos que fazem tradução de título no Brasil tinham que dar seu tradicional pitaco infeliz. Ficou "O mais belo dos meus melhores anos". O diretor, tadinho, um belo mancebo de 26 anos de longas melenas cacheadas, tez morena e sorriso cativante (novamente, perdoem-me a viadagem, mas tenho que inspirar meu público feminino. Não quero só barbado catinguento lendo meu blog), o diretor procurou explicar que o título original consiste em duas orações independentes. Os tradutores, só de sacaganem, trocaram o "y" pelo "dos", como se não fosse nada. Imagina esses caras numa guerra? Seria o desastre. Lembro da minha professora de português contando a história do mensageiro que esqueceu de anotar uma vírgula na nota que entregou ao general romano. O general enviara uma pergunta ao imperador. "Devemos atacar agora os inimigos?", foi a pergunta. O general romano comandava um exército de 40 mil homens. Os inimigos tinham outros 40 mil. O imperador respondeu. "Não, recuem". O mensageiro esqueceu a vírgula e transmitiu: "Não recuem". O general perdeu 20 mil homens, a batalha e a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, essas digressões me matam. Ainda estão aí? Continuemos. O jovem diretor, quando terminou o filme, estava nervoso, sorriso preso. As palmas foram escassas e discretas. É um filme, dizia, tão pobrinho de recursos. Agora entendo porque os bolivianos acham que o Brasil é imperialista. Comparado com eles, nós somos mais ricos que os Estados Unidos. O PIB da Bolívia, já disseram, é menor que o da cidade de São Paulo - embora isso não signifique muita coisa, pois a população também é menor, 8 milhões de habitantes, e São Paulo é a cidade mais rica do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o diretor se chama Martin Boulocq e disse que, de uns anos pra cá, e média de produção de filmes na Bolívia pulou de 1 por ano para 5 a 8 por ano. Nem contei a história do filme, mas deixa pra lá. A história não tem tanta importância assim, é um filme mais artístico, visual, com boa trilha sonora. Tipo do filme que crítico gosta, mas não tem público. Achei corajoso o filme, mas bem que a câmera podia ser mais firme e a qualidade da imagem um pouco mais nítida. Parece que o cara filmou com a câmera mais vagabunda da praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti também ao The wind that shakes the barley (ainda não traduzido, vamos ver que monstrengo vai sair disso em português), do Ken Loach. Hum, é um filme bem feito, mas acho que o público alvo é a galera de centro acadêmico das faculdades de história - e os críticos de Cannes, que o premiaram. O Ken Loach tá se repetindo. Gostei de Terra e Liberdade, Pão e Rosas, Meu Nome é Joe, mas esse aí ficou meio clichê. Os ingleses malvados. Os guerrilheiros heróis. Sei lá, me pareceu meio passado. Bem feito, mas piegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamo lá. A Comédia do Poder, de Claude Chabrol. Muito bom. Estilo francês, seco, tradicional, planos convencionais, roteiro excepcional, diálogos perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tô ficando mais sucinto porque está tarde, meu braço tá doendo. Mas quero ir até o fim. Quero falar de todos que eu vi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edifício Yacoubian, filme egípcio pra exportação. Excelente. Bons atores, mas muito for export pro meu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Man Push Cart - do caralho. Iraniano se fudendo em Nova York. Meio tristonga, sem um final surpreendente, mas du caralho, como diz o Bortolotto. Os críticos profissionais, inclusive da Contracampo, estavam todos lá assistindo, anotando. Deve ser bom mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La Montaña Sagrada, de Alejandro Jodorowsky. Filmado em 1973. Puta que pariu. Loucura, mêu. LSD total. Simbolismo totalmente maluco. Muito bom. Louco, louco. Nem dá pra explicar. Só vendo. O cara exagera talvez. Mas nunca vi nada parecido. É camelo junto com mulheres nuas. Rinocerontes, tigres, criancinhas pintando a bunda nua dos outros. Cristo enchendo a cara. Esse a galera (a galera, não o Galera, o escritor) vai gostar. Parece um pouco cansativo no início, mas vai crescendo, vai inovando, cada hora um absurdo diferente, tudo com muita plástica. Influência óbvia do surrealismo. Vale até dar um tapa na pantera antes de assistir. Digo, vocês, que eu não faço mais essas coisas. (opa! aqui quem fala é o juiz federal Pinto Nino, o que você quer dizer com isso, Miguel? por acaso está incentivando... Não, não juiz. Tapa na pantera significa o cara fazer meditação transcendental alfa budista, de forma a ampliar os canais de percepção... etc, aquele filme do Youtube é que deturpou o sentido original da coisa. Ah, então tá, não vou mandar censurar seu blog, dessa vez passa, mas cuidado!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, por enquanto. Tem muito filme bom a partir de amanhã. Volto com novidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115925931911101446?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115925931911101446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115925931911101446' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115925931911101446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115925931911101446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/tapa-na-pantera.html' title='Tapa na pantera'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115911622655847121</id><published>2006-09-24T13:21:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T01:18:57.960-03:00</updated><title type='text'>Ressaca braba</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/journaldofestivaldorio2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/journaldofestivaldorio2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui ao show do Mundo Livre, no Circo Voador. Massa, rei. Acordei com desesperada dúvida existencial. Estarei vivo? Em caso afirmativo, em qual das minhas encarnações? Qual país, qual ano, qual bairro? Será que as eleições já passaram, o Alckmin ganhou e o Brasil se tornou ético, sério e com taxas maravilhosas de crescimento econômico? A resposta repousava, como sempre, numa latinha de coca-cola, na água fria sobre o rosto e na contemplação cética da minha ironia proto-anarquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu vim aqui dar uma informação importante. Minhas resenhas sobre o Festival do Rio estão sendo publicadas no &lt;a href="http://blog.miroir.com.br/"&gt;Blog da Miroir&lt;/a&gt;. O negócio ainda está esquentando. &lt;em&gt;Però faccia attenzione&lt;/em&gt;: não sou autor exclusivo do blog. As minhas estão assinadas no final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Sem condição, no momento, de falar muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da série exercícios grátis de italiano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Cosa c'è da bere? C'è dela birra e del vino.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pronúncia: Cosa tché da bere? Tché dela birra e del vino.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tradução: O que há para beber? Há cerveja e vinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eterno &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=rumpnIRMGAE"&gt;Raul&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115911622655847121?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115911622655847121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115911622655847121' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115911622655847121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115911622655847121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/ressaca-braba.html' title='Ressaca braba'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115894657920935085</id><published>2006-09-22T14:34:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T01:20:53.973-03:00</updated><title type='text'>Três notas</title><content type='html'>Ontem começou o Festival do Rio, com o filme Dália Negra, de Brian de Palma. Bem mais ou menos o filme. Tem todo aquele luxo hooliwoodiano, o clima "las vegas final dos anos 40". O pacote completo: policiais corruptos, mulheres fatais com passado obscuro, políticos venais e empresários inescrupulosos. O clichê excessivo mata o filme. A trama é interessante, mas confusa, difícil de acompanhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Palma é um diretor irregular. Dirigiu o clássico Scarface, aquele que termina com Al Pacino cheirando uma montanha de pó, mas também fez porcarias inomináveis como Missão Marte e Femme Fatale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa aconteceu no Cine Palácio. Para quem estava acostumado com o fausto dos anos anteriores, o evento foi fraquinho, mas não sou eu que vou reclamar aqui do uísque que bebi de graça. Bem, reclamo sim. Faltou champagne e vinho pras mulheres... A música no salão era fraca, sem novidades. O melhor que tocaram foi um Chico Science meio batido, um Boys Dont Cry, do The Cure, que lembrou minha pré-adolescência, mas depois descambaram para o Dance Music, o que foi a minha deixa para abandonar o recinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palavrinha sobre Pergunte ao Pó, de Tom Cruise: bobinho. Outra palavra: ruim. Um filme inteiro ao crepúsculo. Isso mesmo, o filme inteiro com os raios do sol descaindo, obliquamente, cor dourado-escuro, sobre as ruas e desertos da Califórnia. Muito bonito no início, mas enjoativo ao se repetir ao longo do filme. A atuação do Colin Farrel é medíocre, mas passável. O pior do filme fica por conta de Salma Hayek. Deturparam a história com aguinha e açúcar. Trilha sonora vazia. Filme chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, consertei o driver de som do meu computador. Sou um cara mais feliz. Pra começar, escuto a rádio onde trabalha meu amigo Jorge Ferreira. &lt;a href="http://www.muntfm.co.nz/streamingPopup.html"&gt;Aqui&lt;/a&gt;. Também posso agora curtir um pouco do You Tube.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115894657920935085?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115894657920935085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115894657920935085' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115894657920935085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115894657920935085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/trs-notas.html' title='Três notas'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115821422939119663</id><published>2006-09-14T01:31:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T19:34:45.856-03:00</updated><title type='text'>Devolveram o herói</title><content type='html'>Opa, isso merece um post. Mirisola lançou um &lt;a href="http://heroidevolvido.zip.net"&gt;blog&lt;/a&gt;. Já estreou rasgando todas as regras do bom comportamento social do escritor. É um caso que merece reflexão, o Mirisola. Sua verve diabólica, canalha e libertária, simplesmente não encontra espaço na imprensa tradicional. Ele tá revoltado, com toda a razão. Eu tô revoltado há muito tempo. Mas eu não conto, porque eu não sou ninguém. Quer dizer, sou um escritor relativamente conhecido na web, o que significa lhufas, já que existem outros dez mil na mesmíssima situação. Escrevi um conto ou outro interessante, algumas crônicas boas, umas resenhas originais, mas fundamentalmente eu sou um escritor - digamos - em plena florescência (com perdão da viadagem). Estou vivendo minha obra. Sofrendo pra caralho, mas com muito amor e entusiasmo - e o desespero decorrente, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tava falando do Mirisola, que lançou um blog, surfando numa contra-onda. Bem, o que eu posso dizer é o seguinte, meu chapa: bem vindo ao inferno. Sua literatura abriu porteiras, tá certo, mas tome cuidado, porque, tradicionalmente, os pioneiros sempre se ferram. Quem se dá bem são os que vem depois, encontrando o caminho já pavimentado, com flores nas laterais e a devida escadinha de mármore ao sopé da mansão do sucesso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio é que a imprensa escrita se tornou uma insossa perfumaria, e não pode desagradar o homem "médio", aposentados, militares, funcionários públicos, os que caras que ficam horrorizados com as declarações de Paulo Betti sobre a ética, bobinhos, bobinhas e agentes da CIA. É a velha história da indústria cultural. Qual o problema? Nos Estados Unidos tudo dá certo, não é? Os escritores são tão felizes nos EUA. Eles lidam bem com a crítica e ganham rios de dinheiro. Além do mais, os escritores americanos são melhores em tudo, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para falar de Mirisola é preciso inventar um novo conceito: a Dialética do Despeito. O João Filho, que eu conheci em Salvador, havia inventado a Estética do Perrengue. Ele me contou que estava há quatro dias sem comer antes de ser transladado com honras para a Flip. Agora, tá lá em Salvador esperando outro convite. Como cê tá meu chapa? Voltando ao despeito mirisolástico. Repito, o caso Mirisola merece atenção, porque estamos diante de uma situação constrangedora para o país. O Ademir Assunção acha que precisamos de política de Estado, incluir a palavra Literatura não sei aonde. Distribuir bolsas para escritores. Quer saber? Até que seria uma boa. Mas no Brasil, sei não... Não tem clima. O Caetano não ia deixar. Melhor esquecer. Devo estar errado nisso também, porque eu sempre estou errado nesse tipo de coisa. Consegui vencer o lacerdismo materno, mas o pessimismo de missivista do jornal O Globo, esse não me larga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa de tudo é do Luciano Huck. Caras como ele poderiam ajudar a solucionar muita coisa. Se ele fizesse propaganda de literatura no seu programa, as vendas de ficção aumentariam vertiginosamente. Hã? Tô falando bobagem? Claro que tô. Eu lá tenho solução? Como todo mundo, estou lutando pela sobrevivência e, em última instância, já me basta salvar a própria pele. Quer dizer, eu escrevo artigos políticos, mas até isso é por interesse próprio, para desopilar o fígado, me vingando de crápulas como Miriam Leitão e Merval Pereira, que me atormentam há anos tentando me empurrar sua opinião globista goela abaixo. Por outro lado, hoje em dia, eu até gosto deles. Eu os amo. Eles me inspiram. Esse ódio, percebi só agora, é fundamental na minha vida. Tenho ficado semanas sem escrever por conta da falta de ódio. Esse é outro conceito importante da Dialética do Despeito, teoria estética cujo maior representante é Marcelo Mirisola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa boa que posso falar é que essa imprensa escrita está em crise, e a web não pára de crescer. A venda de computador tem aumentado uns 200% ao ano. Melhor ficar atento a isso, meu caro Mirisola. Indo ao que interessa, internet vai dar dinheiro no futuro. O problema é a lógica da quantidade, que não vale pra literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Digressão. Fico puto com esses colunistas de jornal, com tiragem de 2 milhões de exemplares, que dizem em suas crônicas: meus dois ou três leitores... blá blá. Ei, são uns mentirosos! Quem tem dois ou três leitores sou eu! E não tenho orgulho nenhum disso. Mas fazer o quê?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na literatura, o que deveria valer é a qualidade. Se um patrocinador quisesse bancar meu blog, deveria ser porque ele identificou talento por aqui e resolveu dar uma de mecenas. Taí. Boa idéia. Blogs patrocinados. Empresas patrocinariam blogs e teriam desconto no imposto. Que nem fazem pro cinema. Mas sem burocracia, pelo amor de Deus! E sem impor cotas de quantidade de acesso! Bastava ser aprovado por uma comissão civil criada somente para isso e pronto. A empresa que quisesse patrocinar é que cuidaria da papelada toda. Vejam como sou prático às vezes. É que eu levo à sério essas coisas, cara. Minhas opções também estão se estreitando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum... pensando melhor, a idéia não é tão boa. Porque as empresas só patrocinariam os blogs de seu interesse. Blogs bem comportados. Peraí... Só se... as empresas bancassem os blogs através de renúncia fiscal (ou seja, o governo banca, mas seria uma solução provisória até termos um mercado literário mais pujante), mas seu logo não ficaria exposto no blog. Ficaria apenas a chamada que o blog X era patrocinado pela Lei Y, que prevê renúncia fiscal a empresas que patrocinam blogs literários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de idéias que resolvem problemas de falta de dinheiro. Essa solução poderia, se eficazmente implementada, gerar milhares de patrocínios de blogs. Aaammm.... tô com sono, amanhã vou reler esse post para corrigir e, a depender da minha avaliação matutina, até apagar tudo que escrevi. Outra vantagem da internet. Eu posso corrigir, incrementar ou deletar meus textos. Leiam com atenção, porque esse post pode ser condenado à morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115821422939119663?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115821422939119663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115821422939119663' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115821422939119663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115821422939119663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/devolveram-o-heri.html' title='Devolveram o herói'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115819847476038705</id><published>2006-09-13T22:10:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T19:35:08.526-03:00</updated><title type='text'>Variados assuntos</title><content type='html'>Imagino que os frequentadores deste blog são interessados em literatura. Caso contrário, não sei o que estão fazendo por aqui. Mesmo assim, são todos bem vindos. Sempre há tempo de aprender a viver. E nisso consiste, na minha opinião, o valor essencial da literatura: tornar a vida mais interessante. Viver mais intensamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria falar um pouco sobre bebida. Penso que, às vezes, alguém pode pensar que eu bebo demais. Que sou um bêbado decadente. Não é bem assim. Decadente eu sou mesmo. Bêbado também. Mas tem um porém. Na verdade sou bastante disciplinado. Como sei que, se sair, vou beber, e beber bem, então eu procuro sair o menos possível. Ou seja, sou um cara caseiro. Em casa não bebo. Tomo café, viajo na internet e leio livros. É uma obsessão esse negócio de livro. Quase um vício. Mas é melhor que crack ou cocaína. EU ACHO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem quase fiquei maluco andando pelos sebos nas adjacências da Praça Tiradentes. Comprei Café na Cama, do Marcos Rey, e Complexo do Portnoy, do Philip Roth, 3 reais cada um. Depois atravessei a rua e entrei num outro sebo. Não tinha mais dinheiro. Mas tinha o cartão. As estantes de literatura eram no segundo andar. Passei a vista e fui juntando o que me interessava: Um outro livro de contos do Philip Roth; um de contos de Arthur Clark, papa da ficção científica; e a Trilogia de Nova York, de Paul Auster.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, não tinha mais nada na conta. O cartão foi recusado. Voltei pra casa um pouco triste, mas tá tranquilo. Tem muita coisa aqui na estante pra ser lida. Terminei de ler esta semana um clássico da ficção científica, Fundation and Earth, de Isaac Asimov. É incrível como o cara conseguiu escrever uma história que se passa uns cinquenta mil anos no futuro. História muito bem construída, gostosa de ler. Faz você viajar pelo tempo, pelo espaço! Você esquece um presente que, à exceção das horas de forte intensidade existencial - como o horário eleitoral gratuito e o programa de venda de tapetes do canal 6 -, nos parece tão enfadonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que sou melhor leitor que escritor. Por preguiça. É muito mais confortável ler do que escrever. Ainda mais literatura. Já li muito filosofia, história, política. Mas nos últimos anos só tenho saco pra literatura. Só curtição. Arrumei um trabalho tranquilo, que me dá bastante tempo livre, e pronto. Ser casado ajuda também. Quando era solteiro, perdia as noites correndo atrás de mulher. Tinha seu lado bom, é claro, mas organicamente era negativo, porque um homem solteiro na noite da Lapa não desenvolve hábitos saudáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A blogosfera literária está melhorando. A primeira geração se aposentou. Talvez não aguentassem o tranco de hoje, a competitividade acirrada entre tanta gente talentosa. Os radicais, à direita e à esquerda, se radicalizaram ainda mais e se tornaram anacrônicos. Exemplo de novos blogs bons? Vejam o &lt;a href="http://marconileal.zip.net"&gt;Marconi Leal&lt;/a&gt;, link ao lado. Acho que a internet ainda tem muito a oferecer à literatura no Brasil. Num país com extensão continental, estradas precárias, editoras pobres e custos de produção de livro elevados, a internet surge como uma excelente oportunidade para as pessoas acessarem a nova ficção tupinambá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que ler na tela do computador não é tão bom como ler um livro impresso. Mas as pessoas estão se acostumando também com isso. Esse negócio de Orkut, MSN, sites e blogs, fazem as pessoas ficarem tanto tempo diante do monitor, que os olhos acabam se adaptando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115819847476038705?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115819847476038705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115819847476038705' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115819847476038705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115819847476038705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/variados-assuntos.html' title='Variados assuntos'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115803724797506462</id><published>2006-09-12T01:56:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T18:36:26.926-03:00</updated><title type='text'>Mais fotos do lançamento da Miroir no Cine Odeon</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta12.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta12.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;fazendo uma pausa para respirar (priscila, natasha, diana e maria) - para entender essa foto, ver uma das primeiras da sequência abaixo&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta26.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta26.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;baronesa Camilla Lopes e barão Mirisola, no pós lançamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta19.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta19.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Justo saboreando e eu dando duro como DJ e barman (vida de marido de editora não é mole, rapá!)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta21.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta21.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Priscila e Natasha, editora e fotógrafa oficial da Miroir&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta10.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta10.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;a convidada mais importante da festa, senhora cachaça Magnifíca&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta16.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta16.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;a Dira Paes também ficou ligada na Miroir &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115803724797506462?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115803724797506462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115803724797506462' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115803724797506462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115803724797506462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/mais-fotos-do-lanamento-da-miroir-no.html' title='Mais fotos do lançamento da Miroir no Cine Odeon'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115774853022731272</id><published>2006-09-08T17:03:00.000-03:00</published><updated>2006-09-12T02:33:05.730-03:00</updated><title type='text'>A festa</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta11.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta11.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;as meninas comemorando a chegada da revista&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/seleta4.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/seleta4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a partir da esquerda: maria, mirisola, natasha, priscila, diana, miguel (eu) e o bortolotto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fomos nós, eu, Diana e o fusquinha branco, para Bonsucesso. Pegamos a perimetral, entramos na Avenida Brasil, prosseguimos uns quilometros e entramos à direita. Bonsucesso é um dos primeiros bairros cortados pela Brasil. Nosso destino: a gráfica Walprint, onde a nova edição da revista Miroir estava sendo finalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista não estava pronta. A Diana e o fusquinha voltaram para o Cine Odeon e eu fiquei na gráfica, esperando. Uma hora e meia depois, conseguiu-se aprontar um lote de 175 exemplares e eu entrei no táxi que já estava me esperando na rua, chegando ao Odeon exatamente às 21:45, a tempo de pegar as pessoas aguardando ansiosamente minha aparição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram distribuídas doses de Magnífica ouro e vinho branco. Compareceram diversos amigos, entre eles o nosso querido &lt;a href="http://atirenodramaturgo.zip.net"&gt;Mario Bortolotto&lt;/a&gt;. Presente ainda o barão da praça Roosevelt, Marcelo Mirisola e sua baronesa, &lt;a href="http://meurego.zip.net"&gt;Camilla Lopes&lt;/a&gt;, e muitas outras pessoas interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revista ficou muito bonita. Não é porque ela é minha esposa, mas a Priscila é realmente uma garota extraordinária. Se eu posso dizer, com orgulho, que muita coisa do que ela sabe eu ensinei, também devo afirmar que, definitivamente, a aluna superou o mestre. Esta nova edição será distribuída no Festival do Rio, e tem um conteúdo que destoa totalmente de qualquer revista do tipo que tem por aí. Tem contos, crônicas, resenhas, matérias, além de magníficos ensaios fotográficos (uma das modelos é a atriz Fernanda D'Umbra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do Odeon, fomos todos para a Lapa, comer frango a passarinho e molhar mais um pouco as cordas vocais. Quem quiser um exemplar da revista, terá que vir ao Festival do Rio. Ou então enviar um email para &lt;a href="mailto:editora@miroir.com.br"&gt;editora@miroir.com.br&lt;/a&gt;, solicitando um exemplar. Em tempo, estaremos fazendo a cobertura do Festival do Rio, através do site &lt;a href="http://www.miroir.com.br"&gt;www.miroir.com.br&lt;/a&gt;, o qual ainda está em construção. Mas por este blog você se mantém informado. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115774853022731272?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115774853022731272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115774853022731272' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115774853022731272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115774853022731272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/festa.html' title='A festa'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115731614382009665</id><published>2006-09-03T17:34:00.000-03:00</published><updated>2006-09-05T11:17:38.080-03:00</updated><title type='text'>Tá chegando a hora</title><content type='html'>"A forma mais ínfima da vida é a ameba. Daí surgiram os grandes homens", Millor Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Festival do Rio de cinema está chegando. Hora de começar a azeitar as máquinas. Treinar um pouco a arte de resenhar filmes. Até porque a Revista Miroir, editada pela Priscila, está super-cadastrada para participar do evento. Será lançada uma edição no dia 21 de setembro, junto com a abertura do Festival. Meu objetivo este ano é beber menos e escrever boas críticas, senão profundas e precisas como as da &lt;a href="http://www.contracampo.com.br/"&gt;Contracampo&lt;/a&gt;, pelo menos suficientemente originais e divertidas para justificarem sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos de leve, brincando apenas, para desenferrujar. O título do filme - &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0060390/"&gt;Fahreinheit 451&lt;/a&gt; - corresponde à temperatura a partir da qual os livros pegam fogo. Bombeiros de um futuro indefinido agem como uma espécie de polícia anti-literatura. Acionados por denúncias anônimas, realizam buscas minunciosas nas casas dos acusados e encontram livros no interior de aparelhos de tv, dentro de torradeiras e em toda espécie de compartimentos secretos. Juntam os livros num bolo e os carbonizam com lança-chamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oskar Werner, que já ficara imortalizado por Truffaut em Jules e Jim, é o protagonista da história, um bombeiro anti-livros que começa a se interessar pelos objetos proibidos. Baseado na obra-prima homônima de um dos maiores nomes da ficção científica norte-americana, Ray Bradbury, o longa de Truffaut foi rodado em 1966. O argumento do filme, apesar de preservar ainda hoje algum valor metafórico, parece meio forçado, inverossímil. Não li o livro, que certamente deve conter muito mais elementos (e portanto mais verossimilhança e coerência) que o filme. Nessa mesma linha, prefiro &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0087803/"&gt;1984&lt;/a&gt;, de Michael Radford, baseado no livro homônimo de Orwel, protagonizado por Jonh Hurt e Richard Burton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás (informações atualizadas da bolsa carioca de livros)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bradbury também possui um livro de contos fabuloso, Remédio para Melancolia, o qual, por uma feliz coincidência, acabo de adquirir num sebo da rua do Catete, por R$ 5. Também comprei hoje, num outro sebo, na Glória, Lições de um Ignorante, de Millôr Fernandes, por R$ 1; e um livrinho de críticas literárias de Machado de Assis, muito instrutivo, por R$ 7.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, não há suma (como diz Millôr).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115731614382009665?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115731614382009665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115731614382009665' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115731614382009665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115731614382009665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/09/t-chegando-hora.html' title='Tá chegando a hora'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115680340057843574</id><published>2006-08-28T19:15:00.000-03:00</published><updated>2006-09-01T17:57:57.323-03:00</updated><title type='text'>Dissidência na Megatongas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Crônica escrita por Antonius Vanquise III, publicada no site Andrômedas do Passado, em 22 de junho de 5.201 DC.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto à minha coluna para contar a história da dissidência ocorrida na revista Megatongas, aquela mesma da qual eu falei meses atrás. Aconteceu em meados de 2006, quando os escritores Holgo Benário e Vira Chopes decidiram não mais participar da publicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vira vinha, há algum tempo, enfrentando atritos com o editor de Megatongas, Confrócito, devido à mania deste de implicar com alguns termos usados por ela, e estar sempre posando de grande crítico literário. No início, Vira aceitava as críticas de Confrócito mas, depois de algum tempo, percebeu que se tratava de pura implicância. Por exemplo, ele queria que ela substituísse o termo “idiota” por “bobo”, e coisas do gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Holgo Benário decidiu sair da revista em função de uma súbita tomada de consciência. Com as sobras orçamentárias da primeira edição da revista impressa, a Megatongas havia publicado o romance A Arte de Peidar, de Luiz Inácio Nogueira. Benário não viu problema porque confiava no gosto de Confrócito como editor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, onde fizeram o lançamento da revista impressa e do romance, Benário, instado por sua mulher, comprou o livro de Nogueira, pagando vinte reais. No dia seguinte, Benário deu início à leitura, e ficou muito decepcionado com a quantidade de erros encontrada logo nas primeiras páginas. Parou de ler, e foi estudar coisas mais interessantes. Até que lançaram um segundo número da revista impressa, e Benário reparou que o próprio editor, Confrócito, havia assinado e publicado uma resenha sobre o referido livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôs-se a ler a resenha de Confrócito e ficou estupefato com frases do tipo: “Nogueira é um escritor que tem o talento da escrita” e “Arte de Peidar está aquém e além do gênero policial”. Num primeiro momento, Benário ficou aliviado ao pensar que Nogueira fosse um escritor que tivesse o talento da escrita e não da prática do karatê ou do canibalismo, mas depois um sentimento de perplexidade foi crescendo no espírito de Benário e ele decidiu fazer uma leitura crítica e detalhada do romance em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma experiência terrificante. O que mais espantou Benário não foram nem os milhares de erros de sintaxe e gramática, e sim a proliferação de clichês baratos, diálogos ridículos, cenas inverossímeis e muitos, muitos, erros e incoerências de estrutura de história e personagem. Abaixo, transcrevo manuscritos de Benário encontrados em seus arquivos, falando sobre o tal livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É inacreditável. Um exemplo pra vocês. Leiam esse trecho, faz parte do diário da personagem principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O ar estava imóvel e a falta de ventos aumenta a angústia de quem sente muitas outras faltas. A paz era incômoda, a tranquilidade que antecede as grandes catástrofes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, nunca soube que falta de ventos aumenta angústia de ninguém, nem que a paz fosse incômoda, mas isso não vem ao caso. O negócio que é havia falta de ventos, repararam? Pois bem. Logo depois ela continua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Otávio havia saído para dar sua caminhada habitual. Levantei-me para aumentar a potência do ar-condicionado central e ao passar pela janela, o parque me chamou a atenção.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ã? Não havia falta de ventos? Ah tá. Ela estava dentro de casa, com o ar-condicionado ligado. Até onde eu sei, isso implica em janelas fechadas e... ausência de ventos. Ok.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Saltarei as anotações que fiz para uma série de deficiências. Vamos às piores. Ainda no capítulo em que a viúva escreve em seu diário, ela descreve a cena em que conversa com um vendedor de côco, o Gérson, o homem dos olhos terríveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu nunca sei mesmo a hora certa de mostrar minha cultura e falei: Isto me lembra Tchecov, o escritor russo que seria um médico frustrado se não fosse a carta de Grigorovitch, outro escritor, que o encorajou a se entregar à literatura”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de um diálogo totalmente estapafúrdio. Sei que as categorias da verossimilhança, tão defendidas por Aristóteles, já estão meio fora de moda, mas... puta-que-pariu! Tudo tem limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, reparem como o autor pontua o diálogo, com ponto, aspas, ponto de novo, ou vírgula. É uma orgia de pontos e vírgulas e aspas. As aspas estão bêbadas, os pontos drogados e as vírgulas se aproveitam para bolinar todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim..”,,, lágrimas começaram a rolar pelo rosto da viúva. “Depois de matá-lo, ele levou o seu relógio, sua carteira e os seus sapatos. Ele é frio e cruel. Como uma lebre, encostou o revólver na cabeça do meu marido e fez os disparos. Foi uma execução covarde.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma lebre? Como uma lebre? Aí é foda! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benário ficou atônito com tudo isso. Não compreendeu como Confrócito pôde publicar um negócio desses e ainda fazer uma resenha que começa, escandalosamente, chamando Nogueira de “talentoso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resenha tem tantos erros que não ajuda em nada o romance. Benário cita uma frase da resenha: “Um suposto niilismo é evidente na obra”. Ora, se o niilismo é suposto, não poderia ser evidente. Questão de lógica. Mas isso é o de menos, diz Benário. Há outras pérolas. O texto é uma verdadeira bomba escatológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritado com o que lera, Benário decidiu se desligar do grupo. Alguns anos depois, lançou um livro que, infelizmente, foi ignorado pela crítica. Com trinta e cinco anos, morreu num acidente de carro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115680340057843574?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115680340057843574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115680340057843574' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115680340057843574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115680340057843574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/08/dissidncia-na-megatongas.html' title='Dissidência na Megatongas'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115669206109368083</id><published>2006-08-27T12:19:00.000-03:00</published><updated>2006-09-08T16:49:15.010-03:00</updated><title type='text'>A incrível história do anão</title><content type='html'>Entrei no bar e Cardan estava sentado à mesa, junto a uma corja brilhante de outros artistas, malucos, bêbados e alguns nobres correspondentes do sexo oposto. Pareciam estar todos bem altos, o que era compreensível, dado o avançado da hora – eram duas da manhã – e o número de garrafas vazias. Alguém me reconheceu e berrou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Miguel do Rosário! Sente-se aqui conosco! Ô Clebinho, traz um copo e mais uma cerveja!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi licença para pegar uma cadeira desocupada numa mesa ao lado, com três rapazes mau humorados, provavelmente desgostosos com a fatalidade de terem estacionado sua boemia discreta ao lado daquele grupo tão silencioso quanto a Regina Casé e Elisa Lucinda recitando poemas eróticos debaixo da sua janela, às quatro da matina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cardan enfim me reconheceu e acenou pra mim, lançando-me seu olhar alegre e intrigado de sempre. Micróbio, a seu lado, acompanhou seu olhar e também me acenou, entusiasmado com minha presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E aí Rosário? Que tá fazendo por essas bandas?”, falou Micróbio.&lt;br /&gt;“Vim conferir se a cerveja continua gelada por aqui”, respondi, meio sem graça, sentindo-me deslocado por estar completamente sóbrio numa mesa de ébrios. Não era um problema dos mais complexos, naturalmente, e encaminhei logo uma solução pedindo ao garçom uma dose de Salinas. Melhor, duas doses, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que bebi as duas doses, fiquei mais à vontade. Cardan e Micróbio riam desbragadamente de uma piada contada por um sujeito cuja aparência por si só parecia justificar as risadas. Aí Micróbio – um baixinho de olhos espertos que possuía um sebo em frente a um badalado teatro da praça Roosevelt – virou-se pra mim e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aí Miguel, contaí sua versão da briga de Cardan com o anão. O Cardan disse que o cara era um mala insuperável, e que por pouco não estraçalhou o sujeito ali mesmo. Como foi a coisa? Cê tava lá?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que teria que contar aquela história de novo. Aliás, por isso mesmo é que eu estava já na terceira dose de cachaça, fora os golões na cerveja. É público e notório que minha língua enrola nesse estágio intermediário – mais adiante ela desenrolava, embora aí as idéias é que perdessem grande parte de sua consistência e objetividade originais. Resolvi contar enrolando a língua mesmo, até porque o público ouvinte não me parecia capaz de perceber se eu tinha língua ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi uma merda, Micróbio. Encontrei uns amigos num outro bar e ficamos bebendo chops. Era dia da promoção Terça em Dobro, em que você bebe dois chops e paga um, o que nos levava a beber duas vezes mais que o normal. Como normalmente a gente bebia duas vezes mais que a maioria das pessoas, pode-se dizer que, com esta promoção, a gente bebia quatro vezes mais que o normal. Tinha umas dez pessoas na mesa, inclusive o Anão, um artista plástico com ateliê ali pela Lapa. A gente fechou a conta e eu disse que ia para outro bar encontrar um amigo de São Paulo, diretor de teatro, dramaturgo, escritor, ator. A maioria estava cansada e resolveu ir embora, à exceção de Débora e Aline, minha consorte e minha melhor amiga, respectivamente. Levantamo-nos e fomos pra rua. Resolvi dar uma passada no ateliê do Nilson para pegar um livro emprestado e falei pras meninas irem na frente. Quando atravessei a rua, vi o Anão as seguindo, mas não dei muita bola à coisa. Acabei me atrasando um pouco no ateliê e quando cheguei no outro bar, a situação já estava bastante tensa, embora eu, devido a meu estado etílico, não tivesse percebido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cardan interrompeu o meu relato: “Porra Miguel, que jeito de falar é esse? Parece que tá lendo um conto!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu matei um copo de cerveja e retruquei: “Mas isso é um conto caralho! E você é apenas um personagem. Faça o favor de escutar tudo até o fim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cardan olhou para Micróbio, como quem diz: esse cara tá piroca das idéias, mas levou na boa, balançou a cabeça e levantou seu copo de cerveja na minha direção, num sinal para que eu prosseguisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bem, como eu ia dizendo, quando eu cheguei lá havia nitroglicerina no ar. Mais tarde, conversando com Débora e Alice, elas disseram que o Anão, de fato, encheu o saco. Foi até meio agressivo com o casal que acompanhava Cardan. Era um casal de atores, muito educados, que estavam jantando sossegadamente quando eles chegaram. O Anão iniciou um discurso bem hostil contra o teatro e a TV e sei lá mais o quê. Não era bem o que ele falava, mas a maneira, agressiva, antipática, entende? me disseram elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me sentei à mesa um pouco antes do ponto de ebulição. Sinto-me culpado por não ter vindo junto com elas, e evitado que as coisas chegassem nesse ponto, mas não posso me responsabilizar por outro bêbado que não eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isso. Cardan explodiu. Começou a falar muito alto, puto da vida, coisas do tipo: FODA-SE A GLOBO, PORRA! VOCÊ SÓ QUER FALAR DE GLOBO! TÔ CAGANDO PRA GLOBO! VOCÊ CONHECE MEU TRABALHO? CONHECE O TRABALHO DELES (apontando para o casal)? ENTÃO?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desse desabafo, ele até se acalmou. O pior veio depois. O Anão quis comprar briga e desatou a praguejar. Cardan olhou pra ele e mandou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO QUERO SABER TUA OPINIÃO, CARA. TE ACHO CHATO PRA CARALHO. NÃO GOSTO DE VOCÊ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Anão se levantou e quis partir pras vias de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OLHA O TEU TAMANHO!, devolveu Cardan, levantando-se também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois garçons já estavam nas proximidades, procurando resolver a questão. Tinham um risinho no canto da boca; devia ser a diversão do mês pra eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, consegui superar minha confusão e convoquei o Anão a se retirar. Como ele possuía algum instinto de sobrevivência, aceitou na boa. Acompanhei-o até o bar do outro lado da rua, sentei-me com ele um instante, tomei um copo de cerveja, encontrei um conhecido para fazer companhia (de forma a garantir que ele não voltasse) e retornei ao bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou confessar a vocês. Eu estava arrasado com aquilo. Não estava nem mais com muita raiva do Anão. Não sou de guardar rancor. Mas é que o Cardan não merecia ter se estressado daquela maneira. Nenhum de nós. Fazer o quê? No resto da noite, quase não consegui falar, tão abalado fiquei com o episódio. Que merda! O pouco tamanho do sujeito revelou-se inversamente proporcional à sua capacidade de atormentar os outros. Eu estava nervoso, deprimido, bebendo num ritmo além do normal..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pára! Pára! Cala essa boca!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei assustado para onde vinha o grito. Era um senhor sentado na ponta mais afastada da mesa. Sua fisionomia não me era estranha... Hum... Reinaldo de Moraes! O célebre autor de Tanto Faz! A alegria de reconhecê-lo durou apenas um segundo, afinal o cara estava me mandando calar a boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O rapaz, desculpa pedir para você calar a boca assim. Mas é que você não está indo bem. Seu estilo está muito irregular. Uma hora o texto flui legal, com doses de humor inteligente, à lá Chandler, embora um pouco forçado; em outra você cai para um estilo confessional-descritivo barato, vulgar. Além do mais, você tem que criar mais pausas, mais espaços de respiração. A história não é totalmente má. Mas faltou um pouco de suspense, de ação, drogas. Ah, e o Cardan é MEU PERSONAGEM CARALHO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tá certo, Reinaldo. Olha só. Eu não fui nada pegar livro emprestado no ateliê do Nilson. Fui fumar um baseado. Por isso demorei por lá, e cheguei meio aéreo, distraído, sem perceber o curto-circuito iminente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hum, melhorou um pouco. Pode acabar aqui se quiser. Tudo bem, autorizo você a usar o Cardan.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Falou Reinaldo, obrigado pela força."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas mais tarde, na mesma noite, pediram-me para recitar um poema, o qual transcrevo abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;os homens incendeiam esperanças de papel&lt;br /&gt;enquanto esperam o calor das ressacas&lt;br /&gt;que a manhã despeja&lt;br /&gt;na orla suja da praia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;excessivos agostos&lt;br /&gt;rompem a pele macia&lt;br /&gt;das crianças que somos&lt;br /&gt;quando pegamos em armas,&lt;br /&gt;ou tomamos uns drinks&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;luz destruída&lt;br /&gt;pela reluzente merda&lt;br /&gt;das noites tristes&lt;br /&gt;que anunciam&lt;br /&gt;a sublime escuridão&lt;br /&gt;de um futuro sem asas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os erros prosseguem&lt;br /&gt;fermentando em nós mesmos&lt;br /&gt;aleijões sangrentos&lt;br /&gt;que cultivamos&lt;br /&gt;como nossa mais sutil&lt;br /&gt;indignidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a qual,&lt;br /&gt;a despeito de sua irisada&lt;br /&gt;imperfeição e vergonha&lt;br /&gt;é também o que possuímos&lt;br /&gt;de mais original&lt;br /&gt;- nossa mais fulgurante&lt;br /&gt;contradição, nosso amor&lt;br /&gt;mais secreto e apavorante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que se oculta&lt;br /&gt;nas dobras da felicidade&lt;br /&gt;perturbando o sono&lt;br /&gt;gerando confusão&lt;br /&gt;é isso, o poeta&lt;br /&gt;é o artífice&lt;br /&gt;da perplexidade&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115669206109368083?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115669206109368083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115669206109368083' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115669206109368083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115669206109368083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/08/incrvel-histria-do-ano.html' title='A incrível história do anão'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115613958244043120</id><published>2006-08-21T01:56:00.001-03:00</published><updated>2011-05-19T22:26:29.043-03:00</updated><title type='text'>A luz irrompe onde nenhum sol brilha</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/dthomas13.3.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/dthomas13.1.jpg" style="cursor: hand; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Esse cara é o Dylan Thomas, poeta britânico nascido em 1914. Não me lembro direito como o conheci. Acho que foi através do conto O Perseguidor, de Cortázar, no qual o personagem principal, o saxofonista Johnny Walker - inspirado no músico realíssimo Charlie Parker - é leitor assíduo de Dylan. Ou então foi através de alguma biografia de Robert Allen Zimmerman, nosso querido Bob Dylan, que homenageou seu ídolo tomando-lhe emprestado o sobrenome. Vale dizer que o músico Dylan fez jus ao empréstimo. Quem sabe um dia eu, enchendo o saco do meu próprio sobrenome, não resolvo me chamar Miguel Dylan? Não, melhor não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que eu lia Dylan pela primeira vez, no início dos 90's, aconteceu uma coisa chata. Meu pai teve um infarte e foi hospitalizado. Eu estava fora de casa, acho que em outra cidade. Voltando ao Rio, peguei um ônibus para visitá-lo no CTI. Consegui a proeza de escrever um poema no próprio ônibus. Um poema inspirado em Dylan Thomas, no texto intitulado A morte perderá seu domínio. Lembro que foi uma poesia muito forte, ou pelo menos me pareceu assim (infelizmente, perdi esse poema), que tinha o objetivo bem ambicioso de salvar a vida do meu pai. Minha poesia falava algo como não se deixar levar pelo caminho mais fácil, não se deixar seduzir pelo canto sedutor da morte. Não pude vê-lo naquele dia, mas entreguei o poema ao médico, para que repassasse a meu pai após a operação de safena. Quando retornei ao hospital, no dia seguinte, seus olhos brilhavam, febris, vivíssimos. Disse-me que tinha amado o poema. Aquilo foi importante pra mim. Tive a impressão de que o poema ajudou-lhe num momento difícil. Ele viveu, depois disso, muitos anos. Ainda pôde trabalhar muito e consumir muitos litros de uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Barbosa do Rosário, meu pai, foi um grande sujeito. Exagerava na bebida, mas sempre foi muito trabalhador e absolutamente íntegro. Chegou do sertão mineiro com 21 anos de idade e algumas notas escondidas na cueca. Nada ver com aquele infeliz assessor do irmão do Genoíno, pego com cem mil dólares no cuecão. Meu pai carregava seus parcos recursos num bolso costurado na roupa de baixo porque minha avó achava - com razão - que o Rio tava cheio de ladrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho teve dois grandes sofrimentos na vida. Um foi a destruição mental do irmão Cirilo, internado aos vinte anos numa clínica psiquiátrica obscurantista que torrou seus neurônios de tanto choque elétrico. O tio Cirilo ainda está vivo. Eu e meu pai fomos visitá-lo em vários hospícios dos arredores do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo trauma foi a morte bárbara de seu outro irmão, Francisco, torturado medievalmente por policiais da nona DP do Rio de Janeiro, no finalzinho da ditadura, 1981, o que motivou meu pai a escrever seu único livro, Quando a polícia mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia desses conto mais histórias do meu pai e dos meus famíliares do Triângulo Mineiro. Adianto só que um tio avô meu era jagunço autônomo, cobrava para matar e colecionava orelhas de suas vítimas numa bolsa de couro que levava sempre consigo, à guisa de curriculum vitae.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, deixo vocês agora, com 2 poemas do Dylan Thomas, tirados de um &lt;a href="http://www.culturapara.art.br/opoema/dylanthomas/dylanthomas.htm"&gt;site&lt;/a&gt; com excelentes traduções de Ivan Junqueira e Fernando Guimarães. Para os feras do inglês, pode-se ler originais do poeta por &lt;a href="http://www.internal.org/list_poems.phtml?authorID=6"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;**&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;A luz irrompe onde nenhum sol brilha;&lt;br /&gt;onde não se agita qualquer mar, as águas do coração&lt;br /&gt;impelem as suas marés;&lt;br /&gt;e, destruídos fantasmas com o fulgor dos vermes nos cabelos,&lt;br /&gt;os objectos da luz&lt;br /&gt;atravessam a carne onde nenhuma carne reveste os ossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas coxas, uma candeia&lt;br /&gt;aquece as sementes da juventude e queima as da velhice;&lt;br /&gt;onde não vibra qualquer semente,&lt;br /&gt;arredonda-se com o seu esplendor e junto das estrelas&lt;br /&gt;o fruto do homem;&lt;br /&gt;onde a cera já não existe, apenas vemos o pavio de uma candeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã irrompe atrás dos olhos;&lt;br /&gt;e da cabeça aos pés desliza tempestuoso o sangue&lt;br /&gt;como se fosse um mar;&lt;br /&gt;sem ter defesa ou protecção, as nascentes do céu&lt;br /&gt;ultrapassam os seus limites&lt;br /&gt;ao pressagiar num sorriso o óleo das lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite, como uma lua de asfalto,&lt;br /&gt;cerca na sua órbita os limites dos mundos;&lt;br /&gt;o dia brilha nos ossos;&lt;br /&gt;onde não existe o frio, vem a tempestade desoladora abrir&lt;br /&gt;as vestes do inverno;&lt;br /&gt;a teia da primavera desprende-se nas pálpebras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz irrompe em lugares estranhos,&lt;br /&gt;nos espinhos do pensamento onde o seu aroma paira sob a chuva;&lt;br /&gt;quando a lógica morre,&lt;br /&gt;o segredo da terra cresce em cada olhar&lt;br /&gt;e o sangue precipita-se no sol;&lt;br /&gt;sobre os campos mais desolados, detém-se o amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( tradução: Fernando Guimarães)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;**&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E A MORTE PERDERÁ O SEU DOMÍNIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a morte perderá o seu domínio.&lt;br /&gt;Nus, os homens mortos irão confundir-se&lt;br /&gt;com o homem no vento e na lua do poente;&lt;br /&gt;quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos&lt;br /&gt;hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.&lt;br /&gt;Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;&lt;br /&gt;mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;&lt;br /&gt;mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;&lt;br /&gt;e a morte perderá o seu domínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a morte perderá o seu domínio.&lt;br /&gt;Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar&lt;br /&gt;não morrerão com a chegada do vento;&lt;br /&gt;ainda que, na roda da tortura, comecem&lt;br /&gt;os tendões a ceder, jamais se partirão;&lt;br /&gt;entre as suas mãos será destruída a fé&lt;br /&gt;e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;&lt;br /&gt;embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;&lt;br /&gt;e a morte perderá o seu domínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a morte perderá o seu domínio.&lt;br /&gt;Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos&lt;br /&gt;nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;&lt;br /&gt;onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor&lt;br /&gt;erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;&lt;br /&gt;ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer&lt;br /&gt;como pregos as suas cabeças pelas margaridas;&lt;br /&gt;é no sol que irrompem até que o sol se extinga,&lt;br /&gt;e a morte perderá o seu domínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( tradução: Fernando Guimarães) &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Por último, pero not least, dêem um chego no &lt;a href="http://www.desconcertos.com.br/"&gt;site&lt;/a&gt; do Claudinei, para ler o texto do Mirisola sobre a Flip.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115613958244043120?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115613958244043120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115613958244043120' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115613958244043120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115613958244043120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/08/luz-irrompe-onde-nenhum-sol-brilha.html' title='A luz irrompe onde nenhum sol brilha'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115604941375633268</id><published>2006-08-20T01:23:00.000-03:00</published><updated>2006-08-30T22:02:47.903-03:00</updated><title type='text'>O primeiro</title><content type='html'>Imagino os seres humanos como milhões de espermatozóides nadando desesperadamente pelos canais uterinos, disputando um lugar dentro do óvulo, conquistar o troféu, atingir a glória, romper a membrana do anonimato, entrar no mundo quentinho e protegido onde serão alimentados, mimados. Onde poderão se desenvolver e se tornar grandes, inteligentes e poderosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem será o vencedor? O mais rápido, negando a parábola da lebra e da tartaruga, ou o mais paciente, confirmando-a? O mais esperto, o mais culto, o mais criativo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tropel de candidatos passa por mim, atropelando, machucando, pisando no meu pé. A gritaria fere meus ouvidos, o cheiro de desodorantes vencidos causa-me náuseas. Há tempos que observo, inquieto, diante de tal tumulto, minha incapacidade de prosseguir. Deixo-me estar, à margem, sem pressa, contemplando o tumulto cada vez maior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115604941375633268?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115604941375633268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115604941375633268' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115604941375633268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115604941375633268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/08/o-primeiro.html' title='O primeiro'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115567366802059467</id><published>2006-08-15T17:03:00.000-03:00</published><updated>2006-08-22T09:39:16.346-03:00</updated><title type='text'>Uma aparição inusitada</title><content type='html'>Aconteceu uma coisa tão incrível comigo esta noite que sinto necessidade de compartilhar com os milhares de leitores deste blog, na esperança de que alguém possa me fornecer explicações razoáveis sobre o fato, ou trazer-me o alívio de confessar que também já passou por experiência semelhante. É notório que as pessoas, quando vivenciam uma experiência demasiadamente insólita, ficam constrangidas de relatar o que viveram por temerem a fama de falastronas ou pior, doidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Deitei-me na cama para dormir ontem mais cedo que o habitual, meita-noite. Havia terminado meu trabalho no meio da tarde e gastara o resto do dia num barzinho das redondezas, lendo jornais e o livro A Outra Volta do Parafuso, de Henry James, adquirido por mim, no mesmo dia, pela inacreditável bagatela de 1 real, num sebo de rua ali perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noitinha, vim pra casa, tomei um banho, assisti os jornais da tv, naveguei um pouco pela internet e logo comecei a sentir muito sono, efeito natural das cervejas ingeridas à tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Priscila estava fora, com um grupo de turistas franceses. Chegou por volta da meia noite e já me encontrou dormindo. Ela me contou que ficou viajando na internet algumas horas e depois foi se deitar a meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De madrugada, eu acordei com o ruído de teclado, quer dizer, de alguém digitando num teclado, muito rápido. Pelo silêncio absoluto que vinha da rua, constatei que devia ser muito tarde, quase de manhã, e estranhei o fato da Priscila ainda estar acordada. Ia voltar a dormir quando, horrorizado, verifiquei que a Pri estava ali, na cama, dormindo profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quem estava ao teclado? Eu moro num conjugado, ou kitchennette, dividido ao meio por uma cortina vermelha. Na salinha de entrada, temos uma cozinha americana, a geladeira e a mesa do computador. Do outro lado da cortina, o sofá cama, onde dormimos, a tv e o armário de roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei paralisado por muitos segundos, procurando em vão acordar do que eu achava fosse um pesadelo. O ruído prosseguia. Às vezes paráva, como se a pessoa tivesse usando apenas o mouse. Dava pra ouvir os clicks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura eu sentia um enorme frio na barriga. Passando mal de medo. Mas aí lembrei que podia ser uma amiga da Pri, que ela trouxera sem me avisar, e que agora estava escrevendo em nosso computador. Aliviado com essa hipótese, única explicação plausível, perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, quem está aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha voz soou estranha, trêmula, nitidamente nervosa, por mais que eu tivesse tentado disfarçar o mal estar. Não houve resposta. O ruído do teclado não foi interrompido. Perguntei de novo, num tom mais calmo, procurando afetar o máximo de tranquilidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, quem tá aí na sala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada. Levantei-me. Não conseguia pensar em nada. Sentia-me fraco. Fui até a sala e deparei com uma figura absolutamente desconhecida. Era um homem da minha altura, um metro e oitenta, nem gordo nem magro, pele morena e cabelos pretos, um verdadeiro mestiço brasileiro, como eu. Aparentava ter uns trinta anos e vestia jeans e uma camisa preta de botão. Não fosse um intruso, pareceria inofensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você? - indaguei, indo na direção da cozinha pra pegar uma faca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me olhou de lado com um sorrisinho irônico, deu uns cliks no mouse e voltou a escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tonto de confusão e medo, alcancei a pia e peguei a faca, que escondi atrás de mim. Observei sua cintura e mãos, à procura de alguma arma, mas não vi nada. Encorajado por isso, falei mais alto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saia já da minha casa, seu... seu... maluco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorrisinho irônico dele dissipou-se; rodou a cadeira giratória pro meu lado e me encarou. Eu senti um calafrio perpassando todo meu corpo: conhecia aquele cara de algum lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Te conheço? - perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me olhou de alto a baixo e falou pela primeira vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca pensei que você fosse assim. Patético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz era grossa, aveludada, um pouco rouca; não sei se foi o tom sarcástico... mas aquelas palavras calaram fundo em mim, irritando-me fortemente. Quem era esse sujeitinho que invadia minha casa para me ofender? Mostrei a faca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Guarda essa faca, Miguel. Não sabe que eu sou, cara? Eu sou a tua persona literária. Não acredita? Ué, por tanto tempo você implorou para que eu surgisse... Um dia até chorou... Disse que nunca seria um escritor de verdade senão encontrasse sua persona literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas pernas amoleceram. Aquilo só podia ser loucura. Tenho histórico na família. Um tio esquizofrênico. Quando moleque, fui visitá-lo várias vezes no hospício. Sempre temi que acontecesse comigo, mas nunca pensei que a coisa viesse assim, de forma tão direta, tão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei o que você está pensando. Que está louco. É o que todos pensariam, meu caro, numa situação dessa. Mas não é o caso. Acredite em mim. Você está completamente normal. Eu sou a sua persona literária. E mais, já comecei a escrever o seu romance. Olhe aqui, já temos dez páginas escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apontou para o monitor e, com o mouse, fez rolar as páginas escritas no editor de texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tinha que vir em pessoa, Miguel. Não dava mais para esperar você me "incorporar". Você é muito preguiçoso. Várias vezes, quando eu achava que seria o meu momento, você calçava os chinelos e ia pro botequim, beber cerveja ou coisa que o valha. Quantas vezes! Cansei. Eu tenho que viver porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tão nervoso, eu senti vontade de rir e, de fato, soltei uma risada que mais parecia uma tosse. O frio na barriga tinha aumentado. Eu não sabia o que fazer. Apenas olhava, estupidamente, aquela aparição esdrúxula. Aquele demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fique assim, irmão, tudo vai dar certo. Eu simplesmente vou escrever o seu romance, assim como fizeram as personas literárias de John Fante, de Bukóswski, do Mirisola, depois vou embora. Você terá seu livro. Possivelmente, poderá até ganhar prêmios. Com certeza, seu prestígio social vai aumentar exponencialmente. Agora sim, você poderá conversar de igual para igual com todos os escritores brasileiros com a segurança de quem escreveu uma grande obra literária!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava meio em transe. Não sei bem porque eu fiz aquilo. Alguma coisa naquela persona me desagradou profundamente. Aproximei-me dela e enfiei-lhe a faca no peito, no lugar que eu supunha ser o coração. Enterrei a faca bem fundo e a deixei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A persona me lançou um olhar de perplexidade. Eu sabia o que ela pensava. Ela não compreendia a razão de um escritor matar a própria persona literária. Eu também não entendia. Só sei que me sentia profundamente aliviado. Livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o sangue vazava de seu corpo, ela ia desaparecendo, ficando cada vez mais transparente, até sumir de vez. Eu me sentei na cadeira e, sem me dar ao trabalho de olhar o que estava escrito na tela, apaguei o texto. Depois apaguei o arquivo, inclusive da lixeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que as personas literárias se danem, pensei, antes de voltar a dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115567366802059467?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115567366802059467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115567366802059467' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115567366802059467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115567366802059467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/08/uma-apario-inusitada.html' title='Uma aparição inusitada'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115475858746924751</id><published>2006-08-05T03:16:00.000-03:00</published><updated>2006-08-15T03:26:55.593-03:00</updated><title type='text'>Filosofia do café solúvel (em gerúndios ascendentes)</title><content type='html'>Queria ser mais honesto comigo, mais cínico em meus delírios. Aliás, honestidade e cinismo tem origem na mesma palavra em aramaico, sabiam? Realizei algumas experiências meio bestas, assimétricas: porres solitários, leitura de clássicos, observação de coelhos esfolados (depois de fodidos). Apud Mirisola, dei para vomitar estrogonoffs em melancólicas tardes de agosto e estrangular crianças. Na esquina da Maria Antônia com a Consolação, pensei em sequestrar uma menina que chorava ao lado da mãe. Não fui ao show dos Stones em Copa e, desesperado, decidi apelar: relembrei antigos casos de amor. Horrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela andava aborrecida porque eu não escrevia sobre nossa história. Tenho um bloqueio contra isso. A troco de quê conspurcar a relação com meu fracasso literário? O amor, pra mim, tinha muito a ver com café solúvel e pão com manteiga, às três da manhã. Talvez eu explique isso adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja só, com vinte anos eu tinha paixões fulminantes por garotas que passavam na rua. Qualquer sorriso, o mínimo gesto de simpatia, me envenenavam de morbidez romântica. E lá ficava eu, apaixonado como um chimpanzé. Esquizóide, totalmente. Eu era louco, cara, um &lt;em&gt;enfant terrible&lt;/em&gt; de merda .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essas e outras, falar de amor não dá. Amor se vive assim, assim, às escondidas. Assistindo filme francês, fazendo longas caminhadas, tomando chuva, realizando viagens malucas para Arraial do Cabo, dormindo no colchonete durante um ano, degustando miojo com elegância de artista incompreendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Droga, essas coisas me atrasaram. O romantismo babaca, a mania de ficar triste, o escapismo da cerveja e, naturalmente, o café solúvel. Maldito café solúvel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início dos anos 90, eu queria ser roqueiro. Eu e um chapa criamos a banda Ratos de Bar e compomos vinte músicas, inclusive alguns pequenos sucessos universitários, como Acidente de Moto e Noites de Inverno. Até que um cara-dono de um estúdio no Rio Comprido engatilhou sua opinião na minha testa: cara, você não toca nada. Fiquei calado, ferido de morte, máscara firme no rosto, bebendo a cerveja que ele nos oferecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento, eu podia dar uma de Robert Jonhson, sumir por uns tempos, fazer um pacto, e voltar gênio, vingativo. Mas decidi que o melhor era desistir da música e escrever. A merda foi o café solúvel, que estragou tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor, baby, prefiro vivê-lo, suave e intensamente. Caçando passarinhos e os lambendo, vivos, bem devagar. Bebendo uísque pelo gargalo, com calma de bêbado profissional. Sobre o café, não dou explicações; é o pequeno mistério dessa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os porres no bairro de Fátima, bem, insistirei neles. Até agora não me inspiraram porra nenhuma, em termos literários; mas valem pelas filosofias que eclodem entre a quarta e a quinta antartica, antes de vazarem pelo ralo do mictório. Triste pra caralho isso, o esquecimento; ou talvez seja necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O porre é o botão "reset" da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, nada mais acintosamente humano que o esquecimento e a ressaca. Infelizmente, também é humano ver mulheres atropeladas por caminhões de gás, tendões estraçalhados por bombas clusters, embora, andei pensando, no fim das contas, alguns pirralhos sobrevivem ao tiroteio, pirralhos azuis, lilases, amarelos. Vale o mesmo para velhas desonestas, que roubam gerânios negros e xepa de feira, criam gatos fedidos e neuróticos e bebem - ó deuses do jack daniels - café solúvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história termina sem conclusões, com parasitas rastejando em minhas costas e o autógrafo de Fagner no álbum da família; longe, longe, a gente bebendo - com doses excessivas de gerúndio - caipirinhas, Dylan cantava I shall be released, apenas isso (dinheiro no bolso, claro): nós mesmos, dois loucos brindando ao nosso amor - apenas levemente ferido por clichês - e à existência e maldição do café... ah, do café e seus mistérios...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115475858746924751?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115475858746924751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115475858746924751' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115475858746924751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115475858746924751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/08/filosofia-do-caf-solvel-em-gerndios.html' title='Filosofia do café solúvel (em gerúndios ascendentes)'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115428943350033044</id><published>2006-07-30T15:51:00.000-03:00</published><updated>2006-07-31T17:49:01.596-03:00</updated><title type='text'>Todas as histórias já foram contadas? Não necessariamente</title><content type='html'>Na entrevista para o Globo, a escritora &lt;a href="http://www.releituras.com/mdenser_menu.asp"&gt;Marcia Denser&lt;/a&gt; se alinha com a turma da linguagem pura, ao afirmar que "todas as histórias já foram contadas" e que "o importante na literatura não é o conteúdo". A turma em questão é numerosa e densa. Reúne autores que inclusive não gostariam de ser colocados na mesma sala. Declarações bem parecidas podem ser colhidas em livros e entrevistas de Ruffato e Mirisola, e no mesmo Prosa &amp; Verso que publicou a matéria sobre a autora de Caim (Editora Record), há uma resenha bem interessante de Flávio Izhaki sobre o novo livro de Evandro Affonso Ferreira, Catrâmbias! (Editora 34), na qual o Izhaki comenta justamente a opção de Ferreira pelo experimentalismo sintático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa escola tem representantes de peso na literatura ocidental, a começar por Faulkner e James Joyce. Mesmo quem não gosta desses dois, tem que admitir a importância deles na renovação do romance moderno. Marcia Denser, por exemplo, é admiradora veemente da obra de Faulkner.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, será mesmo que "a história" acabou? Que a única literatura que presta, com letra maiúscula, que merece ganhar prêmios e ser estudada em universidades, será a literatura de linguagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem estava conversando com um amigo, o artista plástico &lt;a href="http://www.helciobarros.com.br/"&gt;Hélcio Barros&lt;/a&gt;, um pessimista radical assumido e ele respondia nossas perguntas com um sábio: "não necessariamente". Brincamos que essa resposta serviria para todos os questionamentos do mundo. Igual a ela somente o célebre "ou não" de Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, copio a resposta do amigo Hélcio. Não necessariamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, nota-se uma profunda (e crescente) clivagem entre a literatura comercial, que vende muito (O caçador de Pipas, Quando Nietzsche Chorou, Código Da Vinci, etc) e a LITERATURA (na qual incluo trabalhos muito bons e ousados, mas também muito lixo pretensioso, de baixíssimo valor artístico) que vende cada vez menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na literatura comercial, também se pode encontrar coisa boa, embora não para pedantes refinados e bêbados como são quase todos os literatos (incluindo eu). O povo gosta, fazer o quê? E olha que esse "povo" não é o mesmo que recebe o Bolsa Família, mas classe média e alta, enfim gente que tem muito mais dinheiro que os próprios "críticos" e "escritores", geralmente, têm - sobretudo se vivem das mixarias que jornais e revistas pagam pelas resenhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais delongas, discordo da opinião da Denser. Eu me considero um dos últimos românticos a acreditar no valor da história e que ela ainda tem e terá uma importante função estética dentro do texto LITERÁRIO. Não será mais soberana, como já foi, mas compartilhará o poder, dentro do texto, com a originalidade e o estilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gosto de textos com história. Prefiro Doistoiésvki à Faulkner; Proust à Joyce. Até hoje curto ler Conan Doyle e suas intrigas policiais mirabolantes. Procuro sempre estar atualizado quanto aos novos autores policiais norte-americanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que isso, tenho fé de que somente a história, ou enredo, poderá libertar a LITERATURA do gueto. Claro que, para que isso se concretize, será preciso novos autores das letras nacionais. Alguém que crie histórias muito boas e as narre de uma forma genial. Não digo que precisamos de um Messias, mas se for o caso, que pelo menos seja um de acordo com essa lenda &lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2006/06/o-segredo-do-homem.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115428943350033044?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115428943350033044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115428943350033044' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115428943350033044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115428943350033044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/07/todas-as-histrias-j-foram-contadas-no.html' title='Todas as histórias já foram contadas? Não necessariamente'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115369320836054467</id><published>2006-07-23T17:44:00.000-03:00</published><updated>2006-10-11T03:45:17.750-03:00</updated><title type='text'>De novo na Roosevelt</title><content type='html'>"camisinha usada é ressaca de caralho esclarecido", MM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sábado, o re-lançamento dos livros do Mirisola reuniu uma cambada de escritores na praça Roosevelt. Legal observar o pessoal se encontrando sem objetivo determinado, sem pretensão de criar nenhum "movimento", sem compromissos mútuos, apenas o prazer e a liberdade de estar juntos, tomar umas geladas, e fazer o velho e bom tráfico de idéias - o que alguns também denominam "filosofar", ou simplesmente "falar merda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aviso aos amigos que se confundiram: não estou morando em São Paulo. Só estive lá uns dias. Ontem, no evento organizado pelo Claudinei Vieira (que rolará todo último sábado do mês, das 14 às 18), conheci mais uma pá de gente e re-encontrei alguns novíssimos brothers (vejam como meu vocabulário se apaulistou).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mirisola, daqui em diante chamado O AUTOR, subiu à sua quitinete de marfim e achou um Buchanan que, generosamente, botou na roda. Não durou muito, mas foi bem degustado, sobretudo pelo Douglas Kim, que pegou a garrafa e saiu correndo para o meio da praça, tentando beber tudo pelo gargalo. Foi perseguido furiosamente por alguns dos presentes, enquanto Marcelo Montenegro recitava belíssimos poemas, ao ritmo místico e onomatopeico da guitarra de Daniel Galera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o uísque foi recuperado e o famigerado coreano amarrado num poste em frente ao bar, de onde passou a vociferar obscenidades (segundo informaram conterrâneos continentais presentes) em sua língua materna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Camilla Lopes se divertia botando as mirisoletes pra correr e o AUTOR discorria sobre seu ceticismo radical em relação ao elefantinho da Cica e conjecturando, gravemente, sobre quem seria a velhinha da Casa do Pão de Queijo. E perguntava: "onde está aquele filhadaputa do Reinaldo de Moraes?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, todos os olhares se voltaram para uma das mesas. Diante do público estarrecido, Pindoca e Picunha beijavam-se na boca, um beijo incendiário, nitroglicerina pura. Até Kim parou de berrar em coreano e contemplava a cena em total perplexidade (ciúmes?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indignado, Vieirinha foi lá e interrompeu o idílio. "Vocês estão estragando a festa porra!". Os dois sorriram, envergonhados, e concordaram em segurar a tesão (no feminino, como prega o AUTOR) por mais algumas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas foram voltando ao normal. Os berros de Kim haviam alcançado harmonia com a música e a poesia. Alguém teve pena e foi lá dar um pouco de uísque pra ele. Enquanto isso, a Marcia Denser e eu travávamos uma dura discussão, ela defendendo Faulkner e menosprezando Dostoiésvki, eu dizendo que o único livro de Faulkner que prestava era Santuário e que o velho Dosti é que era O CARA. Até que me dei por vencido, beijei-lhe as mãos e concentrei-me no que restava do Buchanan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O AUTOR continuava falando sobre o elefantinho da Cica e a velhinha da Casa do Pão de Queijo, até que alguém lembrou de lhe perguntar o que faria com o dinheiro do Jabuti, caso fosse o vencedor deste ano. O AUTOR então se ergueu, lentamente, olhou para um lado e outro, olhos brilhando de malícia, como se tivesse esperado anos para dizer aquilo e soltou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- VOU MANDAR O R., O M., O N. E O P. TODOS ELES PARA A PUTA QUE OS PARIU! É ISSO MESMO, VOU MANDAR TODO MUNDO MANDAR NO CÚ! INCLUSIVE VOCÊS TODOS AQUI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ficaram muito constrangidos, mas ninguém ousava dizer palavra. Ouviu-se uma voz doce:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até eu, amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao identificar a voz, foi como se O AUTOR tivesse recebido uma descarga elétrica. Voltou-se e viu a sua AMADA, sorrindo carinhosamente. Ele abriu um sorrisão e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- VOCÊ NÃO, VOCÊ NÃO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois se abraçaram e Camilla levou o AUTOR para seu apartamento, que fica dezessete andares acima do bar. Eu decidi soltar o Kim, que parecia estar bem mais calmo. Pedi, e fui atendido, para que ele não me aplicasse letais golpes de kung-fu. Conversamos sobre literatura - ele me contou que meu problema era levar as coisas a sério demais, a pensar muito, isso prejudicava meu texto e tal. Chegou mesmo a ficar furioso quando ousei falar que o Fome, do Hansum, também ficou conhecido fora dos meios literários pelas descrições precisas e minuciosas dos sofrimentos causados pela falta de comida. Nem pude falar em Josué de Castro. O Vieirinha chegou e acrescentou que o único texto meu do qual ele realmente gostou havia sido A RESENHA (o que não falei é que até A RESENHA, a meu ver, também não era lá essas coisas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o tempo (tirando o episódio do rapto do Buchanan), Bortolotto observou a confusão com serenidade budista, mas sabíamos que torcia para que qualquer um de seus MALAS prediletos chegasse para que pudesse exercitar seus punhos de caminhoneiro. Mais tarde, nos confessou que sua sede de boxe era tão grande que estava aceitando bater até em MALA MULHER, principalmente se fosse uma certa fulana que tentou queimar um amigo seu (e o próprio Bortolotto, por tabela) que trabalha na Folha, só porque o cara tinha assistido a uma peça do B, gostado e escrito uma crítica positiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentados junto ao balcão, Bactéria e Trovão morriam de rir. Mesmo quando fui lá e falei pro Trovão que eu ia pendurar a conta, o Trovão continuou rindo. Achei legal da parte dele. O Bactéria me cumprimentou pela RESENHA e falou sobre seus planos de montar uma filial no Rio de Janeiro. Enquanto falávamos sobre como os sebistas do Rio, em sua maioria, não tinham noção do valor dos livros que vendiam, ofertando às vezes verdadeiras raridades por preços irrisórios, um vento frio, terrivelmente frio, provocou calafrios em todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sensação muito estranha pareceu invadir cada um dos presentes. Ninguém mais falava, só nos olhávamos nos olhos um dos outros e víamos uma espécie de pavor irracional. Seria o PCC? Seria o Alckmin? Alguém sussurrou que era o novo prefeito de São Paulo, Kassab, que vinha conhecer o Satyros 2. Felizmente, era só boato. Entretanto, a sensação ruim continuava. Alguém viu um vulto correndo pra cá e pra lá nos escuros da praça Roosevelt. Todos voltaram sua atenção para o local e, de fato, havia algo se movimentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esquisito, comentou alguém, parece que o vulto é... AZUL!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase caiu como uma bomba. Ouviu-se um "uuuhhh" geral. As mulheres começaram a gemer. Alguns, entre eles Picunha e Pindoca, saíram correndo, desabalados, gritando "o horror, o horror". Eu virei a Salinas que estava na mesa, e que nem era minha. O silêncio aterrorizado de todos era o silêncio que sucede a constatação de que algo terrível aconteceu. Enfim ouviu-se a voz de Bortolotto, trêmula, mas numa altura inteligível a todos no bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, não é possível. É...&lt;br /&gt;- Você sabe o que é isso, Bortolotto? - perguntou a Fernanda, olhos arregalados.&lt;br /&gt;- Sei, mas não acredito. Não pode ser.&lt;br /&gt;- Porra, diz logo cara, o que é isso? - eu insisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vulto parecia se aproximar, trazendo um vento frio que gelava a alma... e aquele azul-claro mortiço, doentio, cintilando sinistramente por trás dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, Bortolotto falou, numa voz desconsolada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É ele, Jesus! Meu pai, é ele! O FILHO MORTO DA PRAÇA ROOSEVELT!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(essa é uma crônica ficcional, com suaves pinceladas de realidade. A cena do beijo, por exemplo, assim como o são as peripécias de Kim, é fictícia; foi incluída justamente como um toque de absurdo. A única coisa realmente verdadeira na crônica foi a aparição do fantasma azul)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115369320836054467?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115369320836054467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115369320836054467' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115369320836054467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115369320836054467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/07/de-novo-na-roosevelt.html' title='De novo na Roosevelt'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115327017100268993</id><published>2006-07-18T19:40:00.000-03:00</published><updated>2006-07-22T03:35:43.443-03:00</updated><title type='text'>Um Filho Morto na Praça Roosevelt</title><content type='html'>Não, Mirisola, não vou vender essa resenha por trezentos reais para o Prosa e Verso do Globo. Já bastam os “coelhos despachados a pontapés” da minha vida, oscilando entre o tédio da Fispal e a bebedeira na praça Roosevelt. Até porque eles nunca iriam pagar. Aliás, o que eles publicam ali não é resenha. É informe publicitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo porque resolvi reler o livro, e o negócio bateu mais forte que a primeira vez – olhe que já tinha sido foda (eu nunca acreditei em primeiras vezes, as melhores sensações sempre vêm depois). Talvez porque estou em São Paulo, me sentindo às vezes um caipira, prestando muita atenção aos carros que vem de todas as direções. As encruzilhadas de sete pontas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, cara, eu sempre achei – o que foi o meu erro capital – que a tristeza poderia me redimir. Ou seja, se eu ficasse muito triste, eu seria perdoado. Da minha covardia, principalmente. Essa mania de pedir desculpas. Fiz isso de novo, há pouco, depois de jurar que eu seria diferente. É foda... mas foda-se. Pra ser livre, a gente tem que brigar um pouco, fazer umas sacanagens, decepcionar os tolinhos e magoar os velhos frustrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um escritor disse que toda literatura nasce da humilhação, ao que não dei muita bola. Me pareceu uma dessas frases de efeito. No entanto, a citação me parece pertinente ao Azul, um livro que, a meu ver, trata basicamente do sentimento de humilhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia o escritor “é um bicho que fode”, e também um impotente (sim porque, infelizmente, a literatura nunca será uma foda em si), que se desespera porque vê o amor vencer o sexo e o amor, ah, o amor – o amor é uma merda. Bom mesmo é foder sem amor, mesmo fodendo aquela que você ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero escrever uma resenha do Azul sem falar da classe média e seus temores &amp; vergonhas &amp;amp; podridões e não vou não vou. Foda-se a classe média. Ou antes, viva a classe média. Já chega meus ARTIGOS POLÍTICOS, que transferiram a dor que eu sentia no estômago (úlceras anti-colunismo, que besteira) para os tendões do meu braço direito. Voltei à cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o que a classe média tem a ver com o teu livro, mêu? Nada, nadica, nonada. O teu livro – na visão que eu tive, enquanto descia a rua da consolação, pensando bem rápido, as palavras borbulhando, sem sequer imaginar que, horas mais tarde, tomaria uma surra na sinuca do Bortolotto – o teu livro é uma sinfonia de Stravinsky, ou melhor, um solo de Charlie Parker, e os caras que não perceberam isso são uns boçais. Os caras reconheceram o próprio rabo, isso sim, porque o rosto que emerge do livro não é do autor, é o rosto em si. Ou antes, o próprio cu. O cu em si. Um cu arrombado e sujo de sangue e fezes. O livro é música, cara, música clássica produzida com uma sintaxe louca, apaixonada, uma sintaxe bêbada, impossível, com bolsas embaixo dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, depois que terminei de ler o livro na cama, desci e fiquei na frente do hotel, bestando, olhando a rua, olhando uma garotinha que segurava o braço da mãe e chorava quietinha. Ela tinha trancinhas, a mãe era nordestina, nem ligava pro choro da filha. Tão triste, tão triste, tão humano, mas nem a tristeza me redimia. Não descansaria enquanto não botasse pra fora pelo menos uma parte da caralhada de coisas que pensei, subindo e descendo a rua augusta, bebendo umas cachaças no bar do Trovão, rodopiando, em transe, pelos corredores idiotas do parque de exposições Anhembi, fraudando a sala de imprensa de uma feira de alimentos para falar de literatura (o pior é a bicha que não pára de gritar histericamente do meu lado, não respeita nem a porra de uma sala de imprensa, o escroto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você reclamou de uns caras que vinham tentando te imitar. É melhor você se acostumar com isso. Picasso enlouqueceria se fosse implicar com todo mundo que resolveu fazer cubismo depois dele. Vale o mesmo para Chuck Berry. Eu mesmo meio que tô te imitando nessa resenha, sendo que, ao menos, tenho a elegância de assumir publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à humilhação. Porra, me senti humilhado. Ainda tô assim. Senti vontade de queimar tudo que escrevi. Começar de novo, sei lá. Talvez ainda haja tempo. Não vou te imitar. Aliás, antes que eu esqueça, vá se fuder (na eventualidade de você ter pensado isso). Contudo, a arte, depois que é publicada, vira patrimônio coletivo. Van Gogh não seria Van Gogh se não estudasse os pintores contemporâneos de Montmartre. O velho Dosty não seria quem foi não fosse um leitor assíduo de Tostói, Gogól e Puschkin, dos quais ele foi o brilhante continuador. A humilhação, disse outro escritor, não advém da vergonha por um erro pessoal, cometido acidentalmente, mas pela constatação de que somos o que somos e não há como mudar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, meu Deus, “que bosta, puta que pariu”, a liberdade sintática, estilística, narrativa do Azul do Filho Morto representa um marco importante na literatura brasileira e sabe porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, uma observação: sei que você não gosta muito do Rosa, e faz bem, mas eu gosto pra caralho daquele sertanejo sabidão, e no entanto achava que o filhodaputa tinha matado boa parte das minhas esperanças. Agora me sinto mais leve, embora humilhado. E triste pelos coelhos capotados, a morte do gente boa, a morte do meu pai, essa dicotomia dilacerante entre uma escrita de merda (às vezes) e uma razoável e firme e cruel intuição literária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, é um marco porque consolida uma liberdade que vem sendo buscada há tempos pelos escritores, uma liberdade não gratuita, um surrealismo refletido, existencial, realista mesmo. É melhor que (com perdão aos que gostam) as bobeiras holliwoodianas dum Agripino de Paula. Mais verdadeira (ô palavrinha besta, mas aqui vem com um sentido de autenticidade, força, verossimilhança) que os delírios non-sense do Campos de Carvalho. Sobretudo ajuda a libertar o meio literário da influência (não me incluo entre as vítimas dessa influência) dos analfabetos auto-promocionais e dos burocratas da pirotecnia virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu devo ser uma ameaça pra vida saudável”, diz você no livro. Bem, isso é mentira. Ou melhor, um paradoxo, um daqueles antigos e deliciososo paradoxos da literatura. Tão antigos quanto a maçã (uma vaga num puteiro, pois sim; ou seria um livro?) que a serpente &amp; cafetina &amp;amp; tutora ofereceu à Eva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, não é o tipo de saúde que eu quero. Saúde de hamsters de laboratório. Porra, o Azul é a celebração da doença! Nascemos mongolóides. Um bando de retardadinhos empilhando cubos e “lambendo azulejos”. Só depois aprendemos a queimar a bunda das putas e atropelar mendigos - isso sem perder a aura santa dos estetas canalhas. Aí começa a verdadeira merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS técnico: Azul do Filho Morto, de Marcelo Mirisola, foi relançado há pouco pela Editora 34. Está disponível nas principais livrarias do país, porém o mais honesto é comprar no Sebo do Bactéria, na praça Roosevelt.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115327017100268993?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115327017100268993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115327017100268993' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115327017100268993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115327017100268993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/07/um-filho-morto-na-praa-roosevelt.html' title='Um Filho Morto na Praça Roosevelt'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115283434346975223</id><published>2006-07-13T20:42:00.000-03:00</published><updated>2006-07-13T20:45:43.486-03:00</updated><title type='text'>glória bêbada</title><content type='html'>a morte, a ressaca, o tédio&lt;br /&gt;chegam assim, embebidos&lt;br /&gt;na angústia inesperada (ou nem tanto)&lt;br /&gt;das tardes em São Paulo&lt;br /&gt;e no entusiasmo inútil&lt;br /&gt;dos sonhos mortos&lt;br /&gt;(crianças acéfalas que apodrecem&lt;br /&gt;na porta das casas dos "homens de bem")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não, definitivamente&lt;br /&gt;não é apenas a cerveja&lt;br /&gt;que me resolve metafisicamente&lt;br /&gt;alguns tipos de cachaça (salinas, por exemplo)&lt;br /&gt;também me concedem&lt;br /&gt;minutos decisivos&lt;br /&gt;de glória bêbada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a glória anônima&lt;br /&gt;insensata&lt;br /&gt;incoerente&lt;br /&gt;dos bêbados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas enfim, o que é o bêbado&lt;br /&gt;senão metáfora&lt;br /&gt;do homem livre?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115283434346975223?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115283434346975223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115283434346975223' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115283434346975223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115283434346975223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/07/glria-bbada.html' title='glória bêbada'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115209517195668593</id><published>2006-07-05T07:23:00.001-03:00</published><updated>2008-10-07T12:58:55.774-03:00</updated><title type='text'>Livro tratado</title><content type='html'>Dei um trato no meu livro de poemas virtual. Mudei o título, cortei uns poemas, alterei versos. Quem tiver interessado numa poesia contemporânea clica &lt;a href="http://www.arteepolitica.com.br/hellbar/poemas_migueldorosario.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt; e lê. Ou então, vai na livraria virtual, aí do lado direito, e escolhe o livro de poemas &lt;strong&gt;Ao sol da minha crise&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: o link do livro não está mais disponivel. Qq coisa entre em contato comigo pelo &lt;a href="mailto:migueldorosario@gmail.com"&gt;email&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115209517195668593?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115209517195668593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115209517195668593' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115209517195668593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115209517195668593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/07/livro-tratado.html' title='Livro tratado'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115202055457833975</id><published>2006-07-04T10:04:00.003-03:00</published><updated>2006-07-05T22:37:54.633-03:00</updated><title type='text'>Agenda cultural</title><content type='html'>A Lapa continua surpreendendo. Quando eu achava que não tinha mais novidade na área, eis que ressurge o Beco do Rato, com atividades de quarta à sábado. Minha dica é a quinta-feira, quando rola um chorinho das oito às onze, e depois exibição de curtas num telão instalado aos fundos do beco. É um lugar antigo, escuro, com o cheiro dos séculos passados, as ruas estreitas, de pedras, quase não têm circulação de carros. O Beco fica ali no final da Joaquim Silva (na saída da Glória, perto das Termas Rio Antigo). A frequência tem sido nobre, músicos, poetas, escritores, cineastas, mulheres bonitas, entremeados, é claro, com vagabundos e malandros de toda espécie, conforme a milenar tradição lapiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarta sim quarta não tem evento de poesia. Nessa próxima quarta, 5 de julho, não vai ter. Mas na próxima semana tem. O único senão é o preço da cerveja, 3,50 todas as marcas. Uma espécie de couvert artístico embutido. Nada é perfeito. Estive lá na quinta-feira passada, junto com meu amigo Juliano Guilherme, o pintor da tela aí ao lado, mais um colega dele, além da minha amável secretária (patroa nas horas vagas). Depois apareceram dezenas de amigos e conhecidos, entre eles muitos representantes da marginália ilustre das letras e das artes cariocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já disse, o Beco fica próximo da esquina onde está a famosa Termas Rio Antigo. Nessa mesma esquina, do outro lado da rua, há um bar onde eu fui beber duas cervejas com um amigo, pagando menos. Assistimos o fim do expediente das prostitutas, algumas de bom humor outras nem tanto. Teve uma morena de olhos verdes que tocou meu colega, solteiro. A única, pra falar a verdade, que justificava o preço de R$ 150 a R$ 200 que, segundo ouvimos falar, cobra a casa pela entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas tantas, um carro estacionado ao lado da Termas teve o alarme disparado. O som chegava ao Beco, incomodando, principalmente eu, que odeio visceralmente o som de alarme de carro. Pra mim, devia ser proibido. Foda-se que é para a proteção da propriedade. É uma poluição absurda. Que se inventem outra, mais racional, não um esporro federal que acaba com o humor de qualquer cidadão dotado de um tímpano; quanto mais de dois tímpanos, como é o meu caso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115202055457833975?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115202055457833975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115202055457833975' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115202055457833975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115202055457833975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/07/agenda-cultural_04.html' title='Agenda cultural'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115161378547465592</id><published>2006-06-29T17:40:00.000-03:00</published><updated>2006-07-04T09:33:13.336-03:00</updated><title type='text'>Marginal Blues 1980</title><content type='html'>Imaginar que se passaram vinte anos... Pois digo a vocês, quando o sujeito não morre num lugar desses, ele se transforma. Afinal, é preciso sobreviver. No meu caso, não só me transformei como virei transformista. Claro que já tinha um DNA gay antes disso, porque esse tipo de coisa, creio eu, já nasce com a pessoa. Mas compartilhar uma cela com outros vinte e sete homens foi, talvez, o fator decisivo para a metamorfose completa. Da sexual, naturalmente, porque a mudança mental que se operou em mim se deve, essencialmente, ao ilustre senhor Dráuzio Varela e seu trabalho social aqui na prisão. Ele foi o idealizador da primeira biblioteca do Carandiru e eu era seu assistente no projeto. Depois fui encarregado pela organização de tudo, o empréstimo dos livros, a coleta das doações vindas de empresas, editoras, livrarias e até de escritores, empolgados com a perspectiva de criar uma ilha de cultura dentro daquele inferno dantesco – o projeto incluía aulas de literatura, português, história, filosofia, de tudo que pudesse facilitar ao preso a assimilação dos livros, que chegavam aos milhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou livre, quarenta anos de idade e uma experiência que nunca imaginei que possuiria há vinte anos. Eu, que era um garoto mimado, criado pela avó corujona, ignorante tanto em relação ao meu próprio sexo quanto à vida em geral, hoje contemplo o mundo do alto dessa colina, onde vim me esconder da polícia (sim, infelizmente, fui obrigado a fazer um último crime), sem ódio, sem rancor de espécie alguma, tranquilo, compreensivo. Nem da polícia tenho raiva. Pelo menos não enquanto eles não puserem a mão em mim novamente - e acho difícil que eles consigam porque esse é o meu melhor esconderijo. Se tivesse vindo pra cá em 1980 não teria sido preso. Mas aí também não teria me transformado, não teria chegado onde cheguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje posso dizer que sou escritor. Embora não tenha livro publicado, sinto a paixão da escrita queimar dentro de mim. Por isso, tive que cometer esse derradeiro assalto, precisava garantir o futuro. Não posso simplesmente me empregar como office-boy e esquecer todos os sonhos. Ou montar uma banquinha de camelô e passar o dia vendendo biscoito enquanto qualquer idiotinha filhinho de bacana tá aí lendo os clássicos, estudando inglês e alemão, viajando à Paris, montando panelinha de literatura, com tempo sobrando pra pensar, escrever e coçar o saco, não necessariamente nessa ordem. Mais tarde tenho meus planos para com eles. Por enquanto, precisava apenas de uma coisa: dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dirão que sou imoral, e por isso não tenho direito à glória literária, que nunca a sociedade irá aceitar um monstro (me chamaram disso nos jornais, acreditam?) que assassina a própria avó que lhe criou com tanto carinho e dedicação. Mas eu sei o que sou. Nietzsche me ensinou que a única moral que vale é a moral do forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, não pensem, ao ler essa carta que envio para os jornais, que sou um desses psicopatas de filme americano, revoltado contra o sistema capitalista e disposto a explodir tudo. Não. Tenho meus planos, que infelizmente não posso contar, para que eles sejam bem sucedidos. Mas eles não incluem nenhum atentado terrorista, nem outros crimes de espécie alguma. O último foi esse mesmo, que fui obrigado a cometer em vista das circunstâncais. Minha avó, que sempre foi muito boa comigo quando eu era criança, tornou-se uma megera avarenta após minha prisão. Guardava jóias no quarto enquanto eu quase morria de fome no xadrez – é, porque não é fácil engolir a gororoba nojenta que eles nos serviam por lá. A rapaziada mais aprumada mandava trazer comida de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de adiantar somente isso: vou sumir do mapa por uns tempos, mas não esqueçam meu nome: Virgulino Candeias de Araújo, ou simplesmente Virgulino Araújo, como pretendo assinar meus livros de agora em diante. De vez em quando, enviarei uns textos por email para revistas, sites, jornais. Meu ser físico continuará ausente por alguns anos, quiçá por toda a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei muito. Naquela noite quente de 1980, quando fui preso, eu era apenas um garoto inconsequente escutando blues no toca-fita de um fusquinha velho - cujos donos eu havia matado a facadas. Hoje sou um homem maduro, consciente dos fatos sociais e históricos que marcaram o país e o mundo. Hoje tenho cultura e experiência, não serei pego com tanta facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardem, meu amigos, em breve mandarei notícias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115161378547465592?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115161378547465592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115161378547465592' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115161378547465592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115161378547465592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/06/marginal-blues-1980.html' title='Marginal Blues 1980'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115138760841569711</id><published>2006-06-27T02:38:00.000-03:00</published><updated>2006-07-04T15:16:51.373-03:00</updated><title type='text'>Factotum</title><content type='html'>Fui assistir &lt;a href="http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/factotum/factotum.asp"&gt;Factotum&lt;/a&gt;, o filme de Bent Hammer, baseado no romance homônimo de Bukowski. Que me perdoem, mas não achei tudo isso. Achei a trilha sonora fraca, e as cenas muito repartidas, sem uma linha narrativa que as conectassem melhor. Tal conexão poderia ser feita através justamente da música e da fotografia, que poderiam dar uma densidade mais poética ao filme, e mais condizente à atmosfera bukoswkiana. Também faltou, a meu ver, um certo toque de humor e sarcasmo característicos do velho bêbado. O filme é melancólico o tempo todo. Com musiquinha triste e tudo. Tá certo que Factotum é meio triste, se comparado a outros livros do Buk, mas também tem humor, e no filme esse item deveria estar presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar minha chatice, também não gostei dos atores. Matt Dillon não convence como Buk. Falta-lhe poesia, personalidade e humor. A Jan é romântica e boazinha demais - no próprio filme é sugerida a sua infidelidade e problemática, mas não é mostrado. A Laura não convence como bêbada e me parece bonitinha em demasia, assim, excessivamente bem tratada para uma mulher "de botequim". Não digo que deviam usar uma atriz feia, mas podiam usar um figurino e maquiagem um pouco decadentes. Ficaria mais verossímil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os episódios são fiéis ao livro. Fiéis demais, a ponto de algumas cenas parecerem totalmente desnecessárias, porque tinham algum sentido no livro, mas não na telona. Dá a impressão de uma repetição mau feita do texto literário. Sei lá, fica meio artificial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, é o que achei. Me amarro no Buk e acho que o Bar Fly (sofrivelmente traduzido para Condenados pelo Vìcio) é melhor filme sobre o velho. Cronica de um amor louco também é muito bom, com um toque mais poético, mais lírico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Factotum, no entanto, não é de se jogar fora. Para quem gosta da obra do Buk, vale a pena assistir. Talvez eu esteja sendo chato demais, confiram vocês mesmos. Pretendo ver esse filme mais uma vez, em dvd, bebendo um uisquinho vagabundo (ou caro, a depender do destino), e quiçá terei uma melhor impressão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115138760841569711?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115138760841569711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115138760841569711' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115138760841569711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115138760841569711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/06/factotum.html' title='Factotum'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115116687076764923</id><published>2006-06-24T13:21:00.000-03:00</published><updated>2006-07-04T12:08:33.093-03:00</updated><title type='text'>O café da minha casa &amp; matricídio em São Paulo</title><content type='html'>Voltei em casa para tomar um café. Não vou beber café de botequim. Queria ir ao banheiro também, mas é melhor não falarmos nisso. Não é elegante falar de nossas anti-estéticas necessidades fisiológicas. O fato é que fiquei excitado e sempre que isso acontece o meu intestino funciona mais rápido. Talvez seja uma coisa saudável. A excitação gera um desejo instintivo de auto-limpeza. Enfim, voltei em casa para tomar um café e fazer aquilo que todos fazem. O motivo da excitação é que, finalmente, encontrei uma saída para um problema que vinha me atazanando há tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo mais escrever em casa, por vários motivos. Escrever literatura. O ambiente doméstico obstrui-me a inspiração, principalmente porque trabalho em casa. Sou jornalista especializado em agribusiness. Passo horas pesquisando notícias e estatísticas na internet, que compilo, sumarizo e publico no site-jornal para o qual trabalho. Quando termino o batente, ainda tenho a mente cheia de números e informações. O computador à minha frente não me desperta aquele sentimento de mistério e felicidade que considero tão importantes para a inspiração. A sala bagunçada, a mesa cheia de anotações, o chão empoeirado, a mal organizada estante de livros, a cozinha americana - uma pia embutida na parede - são as mesmas imagens de sempre e, por algum motivo, ajudam na paralisia e torpor aos quais meu espírito parece estar preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saída é escrever nesta lan house, que oferece preços promocionais - duas horas por cinco reais. Já disse ao atendente desligar o som alto, explicando-lhe que, apesar da maioria vir aqui só para entrar em orkut e conversar em msn, alguns vêm para escrever e precisam se concentrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi um computador com headfone e achei uma boa rádio online, no site da TVcultura. Ainda não é a ideal, queria mesmo uma rádio com blues antigos, mas não quero perder minhas duas horas procurando. Mandem-me sugestões, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devidamente instalado, posso dar livre curso às minhas divagações. Gostaria de comentar o recente caso do professor Geraldo Barbosa, que assassinou a própria mãe, num bairro de classe média da capital de São Paulo. A vítima, Zilda Barbosa, tinha sessenta e três anos, morava no mesmo prédio e vinha, diariamente, à residência do filho cuidar dos afazeres domésticos. Era assim desde que Geraldo separou-se de sua esposa, que foi morar em outra cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia, Geraldo acordou por volta de meio dia e encontrou sua mãe na cozinha. Por alguma razão, a presença dela irritou-o profundamente. Houve discussão, ela chamou-lhe fraco, incapaz de ter uma mulher. A senhora dizia isso de costas, enquanto cortava legumes. Geraldo nem aparentava tanta fúria; tinha uma expressão fria, ódio contido. Pegou a faca numa mesinha e atacou-a por trás. Repetiu o gesto três vezes. Ficou parado alguns minutos, contemplando o espetáculo sangrento. Aí resolveu fazer uma coisa ainda mais monstruosa. Abriu o armário, pegou um frasco de álcool e despejou sobre a vítima, que caíra no chão, gemendo e contorcendo-se. Riscou um fósforo e pôs fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu sono. Chegara em casa pela manhã, depois de passar a noite numa festa, com seus alunos. Geraldo tinha quarenta e dois anos, mas sentia-se com trinta. Desde antes do divórcio, estava sempre namorando uma de suas alunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interfonou para o porteiro, pediu que chamasse o bombeiro. Voltou ao quarto, indiferente aos gritos da velha, deitou-se na cama e dormiu. Teve um sonho agitado, no qual abria uma porta e saía para um jardim ensolarado, muito bonito, com flores de todos os tipos e cores. No entanto, havia algo de maligno e violento, pois era guardado por homens armados com metralhadoras. Sentia uma alegria enorme, e medo também. Apesar da luz que banhava o jardim, o sol, quando olhou para cima, era negro. Um astro negro no meio de um céu azul, que, no entanto, irradiava luz amarela, solar. Uma menina negra, de uma magreza cadavérica, saiu de trás de uma árvore e aproximou-se dele, sorrindo. Por alguma razão, ele tentou fugir, mas não conseguiu mover nenhum músculo do corpo. A negrinha correu até ele, olhos fixos no pênis do homem, que só agora conscientizou-se de que estava nu. Ela abocanhou-lhe o órgão, chupando-o sofregamente, gemendo. De início com nojo, ele não pôde evitar, contudo, a ereção. Ela continuou chupando até ele gozar. Quando terminou, a garota encarou-o e ele viu, aterrorizado, o rosto de sua filha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém sacudia-lhe o corpo, ordenando que acordasse. Abriu os olhos e viu um homem corpulento, de calça jeans, camisa social e gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senhor, acorde! É a polícia!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115116687076764923?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115116687076764923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115116687076764923' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115116687076764923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115116687076764923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/06/o-caf-da-minha-casa-matricdio-em-so.html' title='O café da minha casa &amp; matricídio em São Paulo'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-115072963252320734</id><published>2006-06-19T12:02:00.000-03:00</published><updated>2006-06-22T15:34:44.623-03:00</updated><title type='text'>Urubus não têm lei</title><content type='html'>Segue abaixo a minha última participação na revista Bagatelas, da qual não faço mais parte por uma decisão pessoal. Minha coluna não existe mais, portanto o texto abaixo só pode ser lido aqui. Desejo toda sorte e sucesso à revista e convido meus leitores a virem me visitar sempre por estas bandas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou absolutamente contra o oba-oba. Claro que me aborreço muito com certo predomínio do pós-modernismo-joyciano-pilantra. Consequentemente, tenho me alegrado em ver as bases deste movimento ruírem aos poucos, de forma mais lenta do que eu gostaria, mas irreversivelmente. Pelo menos, prefiro acreditar nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura virou festinha? Agora tão criando uma faculdade de escritor lá no sul que vão ensinar até como dar entrevista... O mais preocupante é que, no fundo, a proposta é absolutamente coerente com os rumos que o segmento vem seguindo nos últimos tempos. Enfim, o problema no Brasil, blá blá, é a falta de leitores. Daí que ficamos reféns de meia-dúzia de intelectualóides e da ditadura dos concursos marmelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, reclamar não adianta nada. A gente sabe que a vida é dura, e talvez as coisas devam ser assim mesmo. Quer moleza, dizia Chacrinha, senta no pudim. O fato é que eu fico chateado em ver que alguns dos que estão ingressando no mundo da literatura, inclusive amigos meus, começaram a deixar a discussão estética em segundo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome de uma suposta busca da profissionalização do escritor, estão esquecendo que isso só faz sentido se a literatura for o interesse central de suas vidas. Isso implica, naturalmente, em ler. Discutir o que leu. Perguntar. Pesquisar. Informar-se constantemente sobre o que vem sendo feito de novo no país e no exterior. Respeitar os que estão há mais tempo na luta, não pela idade avançada, mas pela extensão e repercussão de suas obras. Se não for assim, então não vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganhar dinheiro com literatura? Ah, não me façam rir. Ser escritor é praticamente assinar atestado de pobreza. Conformem-se. Arrumem empregos que lhes permitam algum tipo de liberdade. Negociem com a mamãe uma mesada vitalícia. Encarando a literatura desta maneira leviana, vocês não somente não contribuem em nada para a profissionalização do escritor; pelo contrário, desmoralizam a literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem que eu seja humilde? Então tá: parodiando o Veríssimo, eu sou o cara mais humilde do mundo. Me acuso, peço desculpas. Faço merda. Quem não faz? Quem atirará a primeira pedra? Um escritor deve ser leal apenas a si mesmo, e isso já é muita coisa. Elogio depois xingo, entro em contradição. Sou dialético, porra! O fato de ser simpático com as pessoas nem sempre é uma qualidade. No meu caso, é uma espécie de covardia congênita. Herdei essa merda. Tenho medo de cachorro e de magoar os outros, e a impressão de que meu talento existe à revelia da simpatia. Um dia ainda me livro disso, como já me livrei de tanta coisa em minha vida. Serei um filho-da-puta franco, cruel, mas de consciência tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura é compromisso. Com a leitura, sobretudo. O escritor compete com dois-três mil anos de intensa produção literária. Como poderia ter a mínima pretensão de ser escritor se não procurasse dialogar com todo esse patrimônio? Evidentemente, isso será possível apenas se eu ler, reler e discutir todo maldito clássico, toda maldita obra contemporânea. Se um escritor não pensa assim, se acha que literatura é frequentar Flip, Flap e tomar umas cervas na Mercearia São Pedro, então, meu caro, definitivamente... boa sorte. O segredo é ler e sofrer, disse Dostoiésvki, respondendo ao jovem aspirante a escritor, que lhe pedira a fórmula de como escrever bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, literatura não é um sonho bom. É barra pesada. Sofrimento, renúncia. Ser escritor, no início, é aguentar no lombo a consciência de ser um fraco que escreve mal pra caralho e não possuir nada além de uma ambição desmesurada e um ego doente. E trabalhar, trabalhar. Sondar as profundezas de seu próprio desespero. Aceitar a dor enquanto condição obrigatória para uma incerta evolução. Um dia, aprende-se a escrever, de forma singular e universal, e percebe-se que o sofrimento não diminuiu, pelo contrário. Não ganhamos dinheiro. O ego continua doente, a ambição cresceu. Que ganhamos? Satisfação íntima? Um pouco de dignidade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-115072963252320734?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/115072963252320734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=115072963252320734' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115072963252320734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/115072963252320734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/06/urubus-no-tm-lei.html' title='Urubus não têm lei'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114977593263502147</id><published>2006-06-08T10:55:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T02:03:00.373-03:00</updated><title type='text'>Paneros &amp; De Haro</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/panero_jpg.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/panero_jpg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Seguindo a tradição blogueira, faço esse post influenciado pelo blog do &lt;a href="http://emprestemeseusouvidos.zip.net/"&gt;Douglas Kim&lt;/a&gt;, em cujos comentários se citou um dos poetas homenageados neste bar virtual. Ao fim, transcrevo poesia do Rodrigo De Haro, grande poeta catarinense, cujo livro Amigo da Labareda me foi enviado pelo ex-carioca e presentíssimo poeta e amigo Silvio Barros. Por fim, reservo-me o prazer de fazer a introdução léxica, com todo respeito, como diria o Anselmo Góes, da sulíssima (ia dizer gauchíssima, mas não quero causar conflitos diplomáticos com os catarinas) palavra "&lt;strong&gt;vasca&lt;/strong&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;LA POESÍA DESTRUYE AL HOMBRE...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La poesía destruye al hombre&lt;br /&gt;mientras los monos saltan de rama en rama&lt;br /&gt;buscándose en vano a sí mismos&lt;br /&gt;en el sacrílego bosque de la vida&lt;br /&gt;las palabras destruyen al hombre&lt;br /&gt;¡y las mujeres devoran cráneos con tanta hambre&lt;br /&gt;de vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sólo es hermoso el pájaro cuando muere&lt;br /&gt;destruído por la poesía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"El último hombre" 1984&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia destrói o homem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia destrói o homem&lt;br /&gt;macacos pulam de galho em galho&lt;br /&gt;buscando em vão a si mesmos&lt;br /&gt;no sacrílego bosque da vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as palavras destróem o homem&lt;br /&gt;e as mulheres devoram crâneos com tanta fome&lt;br /&gt;de vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só é belo o pássaro quando morre&lt;br /&gt;destruido pela poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"El último hombre" 1984&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://amediavoz.com/paneroLM.htm"&gt;Leopoldo María Panero&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tradução livre por Miguel do Rosário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comida dos santos&lt;br /&gt;levo num barco&lt;br /&gt;faço parte do hieróglifo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo a comida dos santos&lt;br /&gt;coberta por linho puro&lt;br /&gt;destroços para caranguejos&lt;br /&gt;Assim o poema&lt;br /&gt;é comido na vasca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilusão é bela&lt;br /&gt;porém a pedra&lt;br /&gt;ainda é mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ferramenta parca&lt;br /&gt;construo meu barco.&lt;br /&gt;O rio escuro&lt;br /&gt;fica pintado no muro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rodrigo De Haro, Amigo da Labareda, 1991, Massao Ohno Editor)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Aurélio&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;vasca&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;[De or. incerta.]&lt;br /&gt;Substantivo feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.Grande convulsão:&lt;br /&gt;“Quem minha angústia suportar, prefira / A morte, redentora, à desventura / De não poder, nas vascas da loucura, / Distinguir a verdade da mentira.” (Martins Fontes, Verão, p. 119).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.Ânsia excessiva; estertor:&lt;br /&gt;“uma bala vara o peito de Juanillo que cai e, nas vascas da agonia, rolando no chão, aproxima-se da defunta” (Érico Veríssimo, México, p. 128). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114977593263502147?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114977593263502147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114977593263502147' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114977593263502147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114977593263502147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/06/paneros-de-haro.html' title='Paneros &amp; De Haro'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114969553294040467</id><published>2006-06-07T11:47:00.000-03:00</published><updated>2006-06-07T12:52:13.100-03:00</updated><title type='text'>O que é bom a gente prestigia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/e-convite.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/400/e-convite.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso mesmo, o que é bom a gente tem que dar valor e prestigiar. A Mercearia São Pedro tem se tornado, cada vez mais, um espaço importante de encontro e divulgação de literatura contemporânea. Mais que isso, se tornou um foco irradiador de arte, amizades, boas idéias, antigos sonhos e, sobretudo, muita alegria (no bom sentido, é claro, o que envolve inteligentes pitadas, nem sempre calculadas, inevitáveis diria, de melancolia e pessimismo. Afinal, arte não é comédia ou comitê eleitoral do partido republicano).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tudo isso pra dizer que estou feliz com o lançamento da Revista da Mercearia, iniciativa, ao que parece, do Marquinhos, dono da famosa birosca, e do Joca, frequentador assíduo que, pelo jeito, está encontrando alternativas para pagar sua dívida no bar (preciso dizer que é brincadeira?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A galera aqui do Rio tem prestigiado a Mercearia. O lançamento da segunda edição da Bagatelas, nossa revista de contos, será feito por lá, no dia 15 de julho. No início do ano, estivemos por lá e fizemos nossos contatos iniciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe porque eu fico tão feliz com a iniciativa merceárica? Eu moro num bairro que tem tanto bar, birosca, botequim, pé sujo, fim de noite, que, se cada um deles disponibilizasse um espacinho para um sebo, uma estante de livros, isso aqui seria o local mais literário do planeta. Por enquanto, infelizmente (ou felizmente, por um outro ângulo), somente a Mercearia concilia o fogo da literatura ultra-contemporânea com o gelo das louras meretrizes - aquelas nas quais todos passam a mão e põem na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderei estar presente, fisicamente, na festa de lançamento da revista, marcada para hoje, dia 7 de junho, na própria Mercearia. Mas devo projetar meu espírito, que poderá, portanto, ser entrevisto vagando por entre as estantes e bebericando no copo dos outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114969553294040467?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114969553294040467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114969553294040467' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114969553294040467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114969553294040467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/06/o-que-bom-gente-prestigia.html' title='O que é bom a gente prestigia'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114954173670359904</id><published>2006-06-05T18:07:00.000-03:00</published><updated>2006-06-06T19:50:59.996-03:00</updated><title type='text'>O segredo do Homem</title><content type='html'>"Os que estavam à mesa começaram a dizer então: Quem é este homem que até perdoa pecados? ", Lucas 7, 49&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre as inúmeras lendas que cercam a vida de Jesus, uma das mais escondidas pela Igreja é a de que o Filho de Deus teria sido um grande boêmio. Não é polemismo barato. Não se trata somente do hábito de beber diariamente quatro ou cinco garrafas de vinho. Cristo seria também um poeta, um bon vivant, um artista! Essa ladainha do Dan Brow sobre Cristo transar com Madalena e ter um filho, que hoje horroriza setores reacionários da Igreja, é uma versão infantil da verdadeira história. Como disse a francesa, antes de baixar a calcinha: prepare-se, le chose é bem mais cabeluda do que imaginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na China, essa história é conhecida e encarada com naturalidade. Afinal, Buda foi, em sua juventude, o maior playboy de todos os tempos. No Ocidente, porém, o judaísmo moralista tratou de distorcer o significado profundamente libertário da vida de Cristo, erguendo em torno de sua biografia um muro de castidade e inocência. A idéia da gravidez sem sexo de Maria é uma das lendas mais carolas e inverossímeis da mitologia mundial. Daí para a virgindade de Jesus foi um passo natural, apesar do absurdo da coisa. Incrível é como a humanidade tem sido engambelada há mais de dois mil anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lenda diz que Jesus barbarizava as noites de Jerusalém, cantando, bebendo e dançando, participando de festas e orgias... Numa dessas, conheceu Madalena, a mais bela prostituta da Palestina, que apaixonou-se perdidamente pelo jovem de longas melenas, olhos brilhantes e lábios sempre coloridos pelo vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor de Madalena, apesar do bem que proporcionou à alma inconstante de Jesus, trouxe-lhe também a sífilis. Tal fato é que teria motivado a tentativa de apedrejamento da meretriz, por parte de pretensos "amigos de Jesus". Madalena foi salva pelo corajoso amante, que enfrentou os atacantes gritando-lhes a famosa frase sobre a primeira pedra (conta-se que um engraçadinho, neste momento, lançou um pedra que atingiu o abdômem de Jesus; e que este revidou furiosamente, esmagando-lhe o crânio com uma pesada tora de madeira).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus tinha trinta anos quando contraiu a doença, e os médicos lhe deram poucos meses de vida. Diante da proximidade da morte e proibido de fazer sexo ou exceder-se no vinho, Jesus aproxima-se da religião e decide tornar-se um profeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consultando os sábios de sua Seita, Cristo descobre que havia uma planta que poderia curar-lhe a terrível doença. Era um derivado da papoula, ou da cannabis, coisa assim, muito popular entre os jovens da elite judaica. Não tendo dinheiro para adquirir regularmente o produto, Cristo começa a fazer tráfico da planta para bancar seu próprio consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atividade rendeu-lhe gordos lucros; em pouco tempo, estruturou uma poderosa organização. Patrocinava projetos sociais e religiosos, que lhe renderam a fama de Santo, além de úteis para comprar o silêncio da comunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os supostos milagres de Cristo seriam nada mais que o resultado de seus conhecimentos científicos. Aprendera como curar doenças com seu pai, José, membro da Seita dos Essênios, uma espécie de Maçonaria, cujos integrantes estudavam literatura, ciências, religião e medicina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os romanos haviam proibido expressamente o consumo da referida erva entre os judeus, pois queria-os dóceis, alienados e submissos, e a planta induzia seus usuários à reflexão, provocando debates filosóficos e políticos que, invariavelmente, produziam projetos de rebelião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judas Iscariotes era um viciado decadente, que se aproveitava do bom coração de Jesus para adquirir-lhe a droga sem pagar. A dívida de Judas cresceu e Cristo, mesmo sendo o bom cristão que era, ameaçou-lhe dar uma surra caso não a quitasse. Há relatos de que o discurso de Jesus sobre dar a outra face para quem lhe estapeia foi uma tirada sarcástica contra Iscariotes, pronunciada logo após o sonoro ressoar de um tabefe na parte esquerda do rosto do X9 mais famoso do Ocidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um safado qualquer (quiçá o próprio Satã) observou a Judas que, delatando Jesus, poderia não só ganhar uma boa recompensa (que usaria para comprar mais drogas) como se livraria de ser espancado pelo Santo Credor, o qual, apesar de Santo, bem sabia aplicar um corretivo num pilantra caloteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judas gostou da idéia e traiu seu Fornecedor, dedurando-o às autoridades competentes. Jesus ficou sabendo da trairagem e, sem ter como escapar, tratou de fumar grande quantidade de erva, para evitar a dor física nas tradicionais sessões de tortura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento de carregar a cruz, um de seus discípulos conseguiu passar-lhe uma boa dose de outro estimulante, o que lhe permitiu arrastar o peso até o monte Calvário. No momento da crucificação, enquanto alguém distraía os guardas, aplicaram-lhe outra dose, para que não sentisse as dores dos pregos sendo enfiados em seus pés e mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo esse coquetel fê-lo entrar em coma, após algum tempo, levando os guardas a pensarem que estava morto e a liberarem o corpo para ser enterrado. Quando o efeito passou, Jesus, como se sabe, saiu do caixão e foi ao encontro de seus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta-se que, nesta ocasião, ele teria combinado com seus discípulos que o mais seguro era que romanos e filisteus acreditassem mesmo em sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus então partiu para o exílio na Índia, onde terminou o resto de seus dias. Dizem as más línguas que ele teria se convertido ao budismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(conto publicado na revista impressa Bagatelas, número 2, lançada esta semana. O conto vem aqui com uma ou duas correções. Portanto, os que não tem acesso à revista impressa, poderão ler o conto com alguma vantagem)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114954173670359904?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114954173670359904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114954173670359904' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114954173670359904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114954173670359904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/06/o-segredo-do-homem.html' title='O segredo do Homem'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114836146300138079</id><published>2006-05-23T01:45:00.000-03:00</published><updated>2006-05-28T14:18:48.653-03:00</updated><title type='text'>Crise de inspiração</title><content type='html'>(essa é minha última crônica para o Bagatelas - última no sentido de mais recente, é claro, não de derradeira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há semanas que estou em crise de inspiração. Todas as histórias me parecem repetitivas. Toda linguagem me parece enfadonha e pouco original. Pra piorar, minha mão direita dói. Tô com tendinite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já inventei histórias escalafobéticas sobre mim, escrevi uma crônica sobre a velha (desculpa esfarrapada), interpretei psicodelicamente as aventuras da turma Bagatelas. Agora há pouco, enlouqueci no recém criado grupo de discussão Bagatelas e quase arrumei uma briga verbal com um sujeito chamado Sólon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até minhas participações nos comentários estão em crise. "Fóda", foi o máximo que pude dizer sobre o conto da Camilla Lopes. Que fazer, meu Deus? Musas, ó Musas, desçam do Olimpo, se é que estão aí, e venham acudir este aflito escritor carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm... Hum..... Não veio nada. Vou fazer um café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, enquanto a inspiração não chega, a gente continua batendo papo. Tenho uma coisa presa na garganta. Encontrei um escritor numa festa, ano passado, e fui abraçá-lo e cumprimentá-lo pelo seu novo livro. Ele me disse que a gente "nunca vai escrever como Guimarães Rosa". O negócio me atingiu em cheio. Puta que pariu! O cara tá certo. E daí? Foda-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu adoro Guimarães Rosa, mas sei que ele tem um defeito. Não fala de cidade, de metrópole, e o Brasil hoje é 80% urbano. Portanto, há que surgir o escritor urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café ficou pronto. Acho que agora vai. Vamos começar assim. Um homem sentado numa praia deserta. Não, deserta não. Uma praia cheia de gente, mas é como se estivesse deserta, porque ele está sozinho e se sente isolado. Ele olha o mar e vê as pessoas entrando na água, pegando onda, as crianças mijando. Ele sabe que muitas entram no mar para mijar, mas todas, naturalmente, disfarçam muito bem. Nosso personagem, então, descobre um passatempo maravilhoso: identificar quem está no mar por puro prazer e quem está por necessidade fisiológica. Em primeiro lugar, é preciso observar as pessoas antes de entrarem na água. Algumas já vem com uma expressão meio aflita no rosto, o que seria um sinal. Bem, não é tão difícil. Como o mar está um pouco agitado, as pessoas que querem mijar são obrigadas a ficar completamente paradas, mais perto do raso, numa postura rígida, uma expressão sempre algo constrangida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso personagem, que se chama Sherwood Anderson (não me perguntem porque ele tem esse nome, foi seu pai que deu, provavelmente em homenagem ao escritor americano), resolve entrar na água. Não, ele não quer mijar, não agora. Seu objetivo é nadar, até o fundo, até bem longe. Quer se matar? Não, mas de fato ele não me parece muito bem, está se arriscando demais. O mar está agitado. Ele se afasta cada vez mais da praia. Um conhecido seu, que o observava de longe desde o início da história, mas que não lhe dirigira a palavra, olha preocupado para nosso personagem, a esta hora quase invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele quer alcançar as Ilhas Cagarras. É, ele estava em Ipanema, no posto 9. Nunca ninguém de suas relações havia tido coragem de fazê-lo. As Cagarras distam uns quatro ou cinco quilômetros da praia. Que eu saiba, somente nadadores profissionais, com apoio técnico, poderiam realizar esta proeza. Ele está louco, o personagem! Sim, está louco. Não nadou nem dois quilômetros e começa a sentir uma forte câimbra na perna direita. Olha pra trás. A praia parece bem mais distante que a ilha. Resolve continuar, mas a perna dói, atrapalhando o desenvolvimento do nado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, Musas, que fazer? Mato o personagem afogado? Faço vir um deus ex-machina e o salvo? Os céus trovejam e começa a cair uma tempestade. Dessas súbitas e terríveis de verão. O mar se agita, e nosso personagem está engolindo água. Ele chora, a sua vida inteira lhe passa pela mente, como um filme em forward. Grita por socorro, mas o barulho do mar abafa sua voz e a água salgada invade a boca aberta, fazendo-o engasgar e perder o fôlego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim está próximo para o nosso herói. O que ele pensa nesse momento derradeiro? Bem, ele não pensa nada. Sente apenas uma grande e angustiante vontade de mijar e cagar. E ninguém vai reparar! Ele ri. Enquanto caga e mija, as ondas quebrando-lhe por cima, fazendo-o engolir cada vez mais água, ele ri. Debaixo d'água ele ri. "Posso mijar e cagar à vontade, ninguém me verá! Ah Ah Ah!" Nunca se viu alguém realizar suas necessidades com tanta alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quase uma morte feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peraí. Antes de morrer afogado, ele põe sua cabeça para fora d'água e olha para o céu. O que vê? Ele me vê! Um grande rosto no firmamento, os olhos gigantescos, monstruosos. O nariz do tamanho da Ponte Rio-Niterói. Sim, ele vê a mim, o Autor, que está rindo mais que ele. Eu digo: "eu estou te vendo, otário! Estou vendo você a cagar a mijar no oceano. Personagem sem-vergonha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele morre enfim, com cara de besta, sem entender nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114836146300138079?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114836146300138079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114836146300138079' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114836146300138079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114836146300138079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/05/crise-de-inspirao.html' title='Crise de inspiração'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114835588246277916</id><published>2006-05-23T00:32:00.000-03:00</published><updated>2006-05-23T16:54:37.950-03:00</updated><title type='text'>Buk no Rio</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/img_bukowski_02.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/img_bukowski_02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a tarde numa biblioteca pública, saboreando Factotum, de Charles Bukoswki, um dos poucos dele que ainda não tinha lido. Devorei quase tudo, tenho que voltar lá para terminar o livro, mas as páginas assimiladas me fizeram refletir sobre as diferenças entre os escritores de lá e os daqui. (nota: tenho que ver o filme Factotum)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, compreendi mais um pouco o carinho que os brasileiros têm pelo velho bêbado. Ele é pobre, fudido e mau pago, como a gente. Esta é a razão da afinidade que sentimos. Outra, ele é humilde, diferente do caráter padrão do norte-americano, arrogante e prepotente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semelhanças páram por aí. Um escritor brasuca que se dispusesse a imitar a trajetória etílica do velho não aguentaria quinze dias - o tempo que se leva para uma crise aguda de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Factotum, Buk viaja pela América dos anos 40, em plena Guerra. Os EUA haviam se tornado o principal fornecedor de alimentos, insumos e armas para o palco de guerra. Além disso, dezenas de milhares de homens lutavam no front, desafogando o excesso de mão-de-obra no país. Buk vaga por várias cidades, sem emprego, sem dinheiro e mesmo assim dorme em hotéis e passa o dia inteiro bebendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jovem Henry Chinaski, alter-ego de Buk, dá-se ao luxo de passar dias sem folhear os jornais à cata de emprego, e quando o faz arruma um trabalho quase que imediatamente. O trabalho, apesar de pesado e braçal, sempre lhe proporciona grana suficiente para beber uisque, comprar um carro usado e dormir em hotéis baratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo livre, entre uma dose e outra, Chinaski escreve. Aí entra outra diferença. Ele envia contos pelo correio para as revistas literárias de sua preferência. São muitas as revistas literárias consagradas nos EUA. E todas, quando aceitam publicar contos dos novos autores, pagam-lhes quantias razoáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de Buk em Factotum é muito parecida com a de John Fante em Pergunte ao Pó. Não é outra razão do velho ter se apaixonado pelo livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também li poemas muito bonitos do velho de uma livro recém-publicado, título irrepetível aqui. Sabe, podem falar o que quiserem, gosto cada vez mais desse pinguço filho-da-puta. Não digo isso por deslumbre, nem estou descobrindo Buk agora. Gosto dele bem antes de virar moda, desde o final da década de 80, quando eu era um adolescente desajeitado lendo Cartas na Rua na biblioteca nacional. Desde então, já li quase todos os clássicos, antigos e modernos. Ainda sou um rato de bibliotecas, lendo tudo que me aparece pela frente. Mas são poucos os livros que me dão tanto prazer de ler como os do velho. Por trás de suas histórias, de seu humor corrosivo e calejado, há um humanismo intenso. Uma coisa que acho que faz falta por aqui, um calor humano que o Brasil finge que tem mas que não tem porra nenhuma. Somos um país de pessoas frias, filhas-da-puta no mau sentido, uma burguesia mais cínica e mais burra do que em outros países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso gosto tanto de ler o velho Buk, para sentir essa fé... não no homem, mas na humanidade, se é que me entendem. Podemos às vezes nos sentir cercados de idiotas, ou mesmo nos sentir idiotas, mas sabemos, pela música, pela literatura, pela arte, que a humanidade é mais que isso. Que a humanidade é surpreendente e que o mundo, por mais que nos dê uns murros de vez em quando, é o mesmo mundo que pode, a qualquer momento, nos oferecer um bom gole de uísque, uma buceta quentinha e um maço de notas, só pra calar nossa boca resmungona, nos fazer olhar a vida nos olhos e dizer: vem cá sua vadia, eu te pago mais uma!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114835588246277916?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114835588246277916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114835588246277916' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114835588246277916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114835588246277916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/05/buk-no-rio.html' title='Buk no Rio'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114784332190224619</id><published>2006-05-17T01:20:00.000-03:00</published><updated>2006-05-17T13:00:50.053-03:00</updated><title type='text'>Crônica de uma cidade morta</title><content type='html'>Rebeliões nos presídios, ataques a policiais, ônibus incendiados, ruas desertas, lojas, bares e shoppings fechados. A rotina da megalópole que disputa com Seul o título de maior cidade do mundo foi severamente abalada pelo crime organizado. Uma leitura isenta e crítica de vários jornais e sites noticiosos permite algumas conclusões sobre o que realmente aconteceu a este município com mais de 10 milhões de habitantes. Hum, não somente à cidade, mas à todo o estado de São Paulo, o mais rico, mais desenvolvido e mais industrializado do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, o que aconteceu foi que o PCC, Primeiro Comando da Capital, principal organização criminosa do estado, originado aparentemente dentro dos presídios paulistas, ordenou um ataque sistemático e geral às autoridades. Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, líder do PCC, insatisfeito com o tratamento recebido pelas autoridades penitenciárias, decidiu mandar um aviso à sociedade civil: me respeitem ou eu páro São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E parou mesmo. Até conseguir o que queria. A maior cidade do país entrou em pânico, vivendo a maior crise de segurança pública de sua história. Os ataques só cessaram após encontro de autoridades do governo paulista com Marcola e a aceitação de suas exigências, dentre as quais a instalação de 60 televisores de plasma nos principais presídios do estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos cidadãos acharam que o pânico foi excessivo. Outros acharam que tudo não passou de boataria. Bem, se você acha que a morte de quase 100 pessoas em apenas 2 dias, 80 ônibus incendiados, ataques a prédios públicos e rebelião em presídios, se você acha que isso não deveria despertar pânico na população, então você está pronto para residir em Bagdá, numa casinha bonita perto de uma base americana, e só para mostrar coragem hastear uma bandeirinha dos EUA no jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio foi feio. O ex-governador do estado, dr.Geraldo Alckmin, soltou mais uma de suas pérolas de sabedoria: "criminalidade é uma coisa séria". Que bom que temos políticos dotados de tanta visão e inteligência! Não fosse ele dizer isso, por quanto tempos ficaríamos iludidos, pensando que a criminalidade não passa de brincadeirinha inocente de garotos mimados! Quando fôssemos assaltados, diríamos aos bandidos: "pára com essa brincadeira, seu bobo, aponta essa arma para lá!". Iluminados pela sabedoria de nossos políticos, podemos tocar nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A declaração do governador Claudio Lembo - que não fosse pelo episódio jamais seria tão conhecido nacionalmente - de que a situação estava "sob controle", também foi fundamental para nos tranquilizar. Mesmo aqui no Rio, eu estava preocupado com o que ocorria em São Paulo. Após ouvir Lembro dizer que a situação estava controlada, relaxei e fui dormir tranquilo como um bebê dopado. Ou morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o PCC matou São Paulo por dois dias e duas noites. As febris madrugadas paulistanas converteram-se em noites vazias e silenciosas. A solução para o problema é complexa. A direita quer endurecer, a esquerda não sabe o que fazer. A classe média quer repressão. Os pobres pagam o pato: a polícia invade as periferias, mata uns pretinhos, diz que são traficantes e sacia a sede de sangue da opinião pública. Intelectuais e artistas voltam a ocupar bares da moda e bebem e cheiram os problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns dizem que a melhor saída para o problema da segurança pública nas metrópoles brasileiras continua sendo o aeroporto. Sinceramente, não tenho respostas. Não sou especialista em segurança. Mas tenho uma opinião. Em meio a tantas notícias e declarações sobre o caos paulista, alguém disse que os presidiários têm regalias demais em Sampa. Bem, até onde eu sei, é o contrário. Temos presídios super-lotados, com pessoas vivendo em condições desumanas. Disseram também que é preciso aumentar a pena. Outra besteira, a meu ver. Tem é que transformar os presídios em centros de reciclagem. Investir mais na área de inteligência da polícia e usar menos truculência no trato com as comunidades. Detectar as áreas urbanas mais sensíveis e realizar aí investimentos sociais maciços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sociedade civil também precisa participar mais. Em vez das toneladas de teses sobre o homossexualismo de Miguel de Cervantes ou a crise do ser em Heidegger, as universidades podiam contribuir com mais estudos, pesquisas e propostas sobre o tema. Todos os cursos poderiam ajudar, inclusive o de Letras (para ficarmos no terreno literário do exemplo que usei), que poderia elaborar teses sobre o imaginário de violência que prospera na periferia, e como usar a arte e a literatura para convencer crianças e jovens de que o caminho da paz pode ser muito mais corajoso e frutífero do que pegar em armas e lutar uma guerra insana e suicida contra o Estado de direito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114784332190224619?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114784332190224619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114784332190224619' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114784332190224619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114784332190224619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/05/crnica-de-uma-cidade-morta.html' title='Crônica de uma cidade morta'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114708652012394770</id><published>2006-05-08T08:06:00.000-03:00</published><updated>2006-05-18T18:59:53.133-03:00</updated><title type='text'>Crônica de uma tarde bêbada</title><content type='html'>(Conto publicado na última edição do &lt;a href="http://www.paralelos.org"&gt;Paralelos&lt;/a&gt;, corrigido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho feito caminhadas pelos arredores da Cruz Vermelha, esmiuçando antigos casarios, sobrados coloniais, a rica e decadente arquitetura do centro da cidade. Há uma energia misteriosa nas ruas cujo significado procuro decifrar. Saio de casa à tarde, por volta das três ou quatro horas. O céu muito azul. Subo a Riachuelo, passando pelo Hospital Espanhol, a Academia Brasileira de Filosofia, entro pela Marques de Pombal, viro na Irineu Marinho, paro num bar e peço uma cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sede do jornal O Globo fica na esquina. Enquanto bebo cerveja, procuro identificar algum jornalista. Não vejo nenhum, apenas algumas moças com pinta de estagiária andando apressadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente aparece um cara com pinta de jornalista. Alto, branco, olhos azuis, óculos de aros vermelhos, a roupa limpa e bem passada, cores claras e alegres. Tem um porte altivo, orgulhoso, deve escrever sobre política. Um desses jornalistas que, apesar de assinarem as matérias, a gente nunca sabe o nome, nem lhes conhece o rosto, porque só os colunistas é que ficam famosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar por mim, ele me olha fixamente, de forma um pouco exagerada. Minutos depois ele retorna, entra no bar. Compra cigarros, me observa de perto. Sustento o olhar. Ele sorri, pede um uísque, não tem, pede um conhaque, bebe, me encarando sorrindo. Eu sorrio, iniciamos uma conversa amena. Ele é jornalista, de fato, de política, na mosca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa dele, cheiramos umas carreiras, ele pergunta se estou com fome, não estou, ele abre o bar e pega uma garrafa de uísque. Eu vou até o som, escolho um cd, ligo, fico dançando, excitada e feliz no centro da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto danço, excitada, no centro da sala, olho-me no espelho e vejo um homem. Eu sou agora o jornalista de óculos de aros vermelhos, eu sou alto, branco, de olhos azuis e a mulher, que era eu, está sentada no sofá, beijando outra garota. Vou até o bar, completo meu copo, pego o gelo e lembro do que fiz durante o dia. Conversei, ao telefone, com um senador, que me transmitiu informações explosivas sobre a crise política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas prosseguem a perfomance. Uma é garota de programa. A outra, ex-eu, é meio estranha, mas bonita. Encontrei-a num bar perto do jornal. Disse-me que estava escrevendo uma crônica sobre a Cruz Vermelha e precisava de histórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas páram de se beijar. Uma delas está sem camisa, tem seios grandes, com mamilos enormes, inchados, respira forte, quer sexo. Chamo-a de peituda, ela ri, tem dentes um pouco cavalados, mas o rosto é harmonioso, olhos castanhos claros, nariz fino e lábios suavemente carnudos. Ela acaricia os próprios seios e roça uma perna na outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra é a escritora, magra, seios pequenos, olheiras profundas muito sensuais, chamo-a de Sherazade. Ela tem um sorriso giocôndico, está cheirando muito pó, digo para tomar cuidado, esse é puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espelho vejo que continuo sendo o jornalista alto, mas estou um pouco mais gordo, e não tenho mais os olhos azuis. A peituda desapareceu. Há somente eu e a escritora na sala, nós dois dançando, eu beijo seu pescoço, ela estremece. Ela me diz que estuda jornalismo, que está desiludida com a profissão, uns vendidos. Não estico o assunto enjoado, já sei o que ela vai falar, sempre a mesma coisa. Beijo sua boca, ela me morde os lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Puta que pariu! Você me machucou!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tem um olhar estranho, me dá calafrios. Me afasto um pouco, olho bem dentro de seus olhos, vejo um brilho de loucura, que merda, não tenho sorte com mulher, quando é bonita é louca, quando é legal é um tribufu. Ela pega a estátua de mármore sobre a mesa e parte pra cima de mim, insana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No espelho, levo um susto, sou eu quem segura a estátua de mármore, estou no meio de um impulso, acerto a cabeça do jornalista, ouço o som dos ossos partindo. O sangue espirra na minha roupa. Ele cai, desacordado, morto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revisto à casa à procura de jóias, dinheiro, carteira, agenda. Encontro a agenda, dou sorte, ele anota as senhas do cartão. Limpo as impressões digitais, apago a luz, saio do prédio chique em Ipanema, tomando cuidado para não ser vista por ninguém. São três e cinquenta da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro no carro dele, estacionado na rua, disparo pelas avenidas, acelero enlouquecidamente no aterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordo no dia seguinte, vou ao banco, saco o máximo de dinheiro, compro os jornais, paro num bar perto da Cruz Vermelha para beber uma cerveja. Dali a meia hora, vou ao banheiro fazer xixi, o espelhinho me devolve a imagem de um homem com aproximadamente trinta anos, muito bêbado, tentando organizar os pensamentos: bem, com sete reais dá para beber exatamente três itaipavas e uma cachaça com limão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114708652012394770?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114708652012394770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114708652012394770' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114708652012394770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114708652012394770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/05/crnica-de-uma-tarde-bbada.html' title='Crônica de uma tarde bêbada'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114582999370782483</id><published>2006-04-23T19:01:00.000-03:00</published><updated>2006-04-23T19:06:33.730-03:00</updated><title type='text'>O Crime compensou</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/crime-delicado02.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/crime-delicado02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O grande mérito de Crime Delicado, o novo filme de Beto Brant, é a ruptura com certos cacoetes televisivos que vinham contaminando o cinema nacional. Era necessário que um diretor do quilate de Brant, consagrado por três longas de sucesso (Matadores, Ação entre Amigos, Invasor), lembrasse ao distinto público que cinema é cinema, tv é tv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra a televisão, o meio audivisual mais popular do país. Mas é que a tv está amarrada a uma linguagem padronizada, feita para agradar comerciantes e voltada na maioria das vezes para a quantidade, não para a qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crime Delicado é um filme sem pretensões de bater recorde de bilheteria; seu público preferencial deve possuir uma bagagem cultural mínima. O texto do filme, notadamente os monólogos do protagonista, o crítico de teatro Antônio Martins, é complexo, sofisticado, difícil. Brant fez um filme cult.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é um filme hermético, porém. A generosidade das imagens, a fotografia voluptuosa de Walter Carvalho e o documentarismo viril de algumas cenas, neutralizam a suposta “intelectualidade” do filme e nos recorda que estamos diante de um trabalho de Brant, o mesmo diretor de vertiginosos filmes de ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não ama nada!”, acusa o personagem interpretado por Claudio Assis, dirigindo-se ao crítico. A acusação de Assis atinge também o público, a sociedade, a mídia, a raça humana, constantemente obcecados em negar que é o amor, enquanto paixão e loucura, o motivo capital de nossa breve passagem na Terra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria presença do diretor de Amarelo Manga no filme é uma forma de posicionamento político muito claro de Brant. O cinema, enquanto arte industrial, com necessidades financeiras muito superiores às outras e, no caso do Brasil, sofrendo de uma crônica dependência do Estado como financiador, não pode se furtar ao debate da política cultural. Claudio Assis, Lírio Ferreira e, agora, Beto Brant, já explicitaram, em viva voz e em película, o seu apoio à política de financiamento a filmes de baixo orçamento, no caso 1 a 2 milhões de reais. Essa política tornou possível a produção de dezenas de bons filmes por ano e não de três ou quatro super-produções. Não que a super-produção não seja importante, mas é preciso antes democratizar a produção cinematográfica no país, e para isso é necessário desenvolver a criatividade e aprender a fazer bons filmes com menos dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, embora utilize uma linguagem sofisticada, não é conceitual, graças a Deus. Tem ritmo, volúpia, intensidade, texto, enredo. Brant conseguiu unir sua experiência como narrador de histórias ao talento, desconhecido nele até então, como provocador estético e criador de uma linguagem peculiar e original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diálogo com o teatro e as artes plásticas foi uma sacação brilhante de Brant, uma idéia tão espantosamente simples, eficaz e elegante, que soa como um novo 11 de setembro para o cinemão bilionário que alguns medalhões ainda reclamam para o audivisual brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a violência presente nos filmes anteriores nunca foi gratuita, antes sempre um componente estético necessário à narrativa e usado sem apelação, desta fez Brant conseguiu sublimar a violência do mundo real, transformando-a em pura arte. Vale ressaltar ainda que os créditos de Crime Delicado não ficam apenas com Brant, mas com toda sua extraordinária equipe, com destaque para o produtor e amigo-de-guerra Renato Ciasca e para a qualidade plástica dos trabalhos do mexicano Felipe Ehrenberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desempenho dos atores principais, Marcos Ricca e Lilian Taublib, produz o desconforto da verossimilhança bruta. A falta de uma perna em Lilian não é mais um defeito, mas um poderoso recurso estético, um toque desconcertante, uma singularidade dolorosa e, por isso mesmo, prodigiosamente universal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114582999370782483?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114582999370782483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114582999370782483' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114582999370782483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114582999370782483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/04/o-crime-compensou.html' title='O Crime compensou'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114525486339502145</id><published>2006-04-17T03:02:00.000-03:00</published><updated>2006-04-21T23:54:38.593-03:00</updated><title type='text'>Música e poesia nas ruas</title><content type='html'>Recentemente vivenciei dois grandes acontecimentos musicais. O primeiro foi a compra de um aparelho MP3 Player. A segunda foi a passagem do poeta blogueiro Jorge Ferreira pelo Rio de Janeiro, à caminho da Nova Zelândia, deixando um rastro de 400 músicas em meu computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, gravo as músicas no meu MP3 Player e vou caminhar pelas redondezas do meu querido Bairro de Fátima, região central do Rio de Janeiro. Escutando um Tim Maia da fase Racional, subo a escadaria atrás da praça principal, ando um pouco, viro na Costa Bastos e sigo até Santa Teresa. Fiz esse percurso muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente, tenho optado por um trajeto distinto, perambulando aleatoriamente pelas adjacências da Cruz Vermelha. As ruas pelas quais passo, nesse caminho, são Riachuelo, Marques de Pombal, Irineu Marinho, Santana, Mem de Sá, Resende, Inválidos. Passo por casarios antigos, prédios decadentes dos anos 30 ou 40, construções coloniais, igrejas góticas. Esse caminho tem a desvantagem de ser mais tentador. São dezenas de botequins pitorescos, clássicos, e eventualmente paro num deles para beber uma cerveja e "sentir" o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante, porém, é que voltei a escutar música com reverência e prazer. Sons que tenho curtido: Erasmo Carlos, fase antiga; Bob Dylan; Jorge Benjor; Led Zeppelin; Raul Seixas; e muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, dito isto, vamos a outra parte deste post. Creio que venho perdendo meus já raros leitores pela ausência e pela frieza nas postagens, ultimamente apenas contos, sem nenhuma reportagem cultural ou narrativa boêmia. O cachê do blogueiro, já disse alhures, são os comentários. Se o blogueiro não se esforça, perde o cachê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos tentar consertar isso, contando como foi a sexta-feira passada. Nilton Pinho, artista plástico e companheiro de copo, futebol e trocadilhos, produziu um breve mas interessante espetáculo em Santa Teresa. Vale adiantar que a Petrobrás patrocinou dezenas de eventos artísticos nesta Semana Santa. Música, artes plásticas, poesia, a programação foi intensa. O evento do Nilton consistiu numa perfomance de Fernando Mendonça, também artista plástico e sua esposa. Fernando desceu uma ruazinha vestido de Jesus Cristo, carregando uma cruz estilizada, obra do Nilton, que prendeu na entrada da padaria. Sentada no meio fio, a mulher do Fernando representava Madalena, trajada como mendiga. Eles conversam, brincam de futebol, depois Madalena entra na padaria e volta com um monte de sacolas com bolas de futebol e pãezinhos, que distribui para o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi divertido. Isso foi às 14:00, num dia de sol e céu azul do Rio de Janeiro. Pouco antes, tomei umas cervejas no Mineiro com a Priscila e Vincent, um canadense que estava sendo ciceroniado pela gente (ou pela Pri, para ser mais exato). Nesta hora, aparece o escritor Botika, sem camisa e brincalhão como sempre, nos cumprimenta e me convida para recitar poesia em evento que coordenaria mais tarde, no Mineiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Pri queria trocar de roupa, então descemos pela Ladeira do Castro e, lá embaixo, eu e Vincent esperamos num barzinho da Nossa Senhora de Fátima, bebendo umas cervejas. Consegui arranhar um francês sofrível, todo errado, mas ao cabo relativamente eficaz. Neste momento, Vincent quis algumas informações sobre a situação política, assunto que tento evitar a todo custo ultimamente, mas não me omiti e consegui dar minha opinião para o canadense de Quebéc, dono de uma agência de turismo. A Pri chegou e subimos pela escadaria da praça que dá na Monte Alegre, e chegamos ao fim do espetáculo do Céu na Terra. Reencontramos o pessoal, meus amigos artistas plásticos de Santa Teresa, o Nilton Pinho, Juliano Guilherme, Hélcio Barros, entre outros. Fomos pra casa do Hélcio, o Vincent sempre à vontade, depois devoramos uma pizza num restaurante e voltamos ao Largo dos Guimarães. Nesta noite, estavam programados vários espetáculos de poesia. Encontrei o Gean no Largo, apresenteio-o ao Vincent, que comprou um livro de poesia. O Vincent estava fascinado com a concentração de artistas em tão pouco espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao Mineiro, pegamos uma mesa e os trabalhos começaram. Neste momento, eu estava empapuçado de cerveja e passei para o destilado, uísque nacional. Nada da poesia começar. Até que Maurição sobe na mesa ao lado, ocupada por três moçoilas perplexas, e inaugura o Cep 20.000. O Maurição tem perto de 1.90 m de altura e deve pesar mais de cem quilos. Estas medidas e mais o seu comportamento frenético e ostensivamente alcoolizado devem ter contribuido para a perplexidade das moças desavisadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maurição gritou seus versos no gogó, depois veio o Guilherme Zarvos, recitou outros poemas e aí um monte de poetas já estava fazendo fila para recitar. Infelizmente, a acústica do Mineiro não era boa e pouco se compreendia do que se falava. Maurição viu-me na última mesa do bar, soturno como sempre e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MIGUEL DO ROSÁRIO, VOCÊ PODE! VEM AQUI!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E puxou um dos poetas que insistia em falar antes de mim. Eu estava sem meu novo livro de poemas (Antes que chegue a primavera), pois o tinha emprestado para o Botika mais cedo, pensando que o encontraria à noite, mas ele não apareceu. Cooperativo, não neguei fogo e subi na cadeira. Recitei o início do Fantasma da Puta, um dos poucos que sei de cor, mas minha voz não teve uma impostação legal no ambiente. Acabei errando os versos, entrei em outro poema e percebi que ninguém estava entendendo nada. Para piorar, o Zarvos ficou arrotando do meu lado, não sei se porque não estava gostando ou por excesso de gases. Encerrei minha perfomance um pouco melancolicamente e voltei à mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chacal também deus as caras e recitou alguma coisa. Ericson Pires apareceu, com seu novo looking surfista. Laurent Gabriel estava do lado de fora, dizendo-me que aceitava a proposta para publicar seu livro de poemas pelo Arte &amp;amp; Política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei uns amigos, bebi bastante, depois fizemos uma caminhada insensata até o Largo das Neves atrás de outro ambiente. Mas estava tudo fechado lá, como eu previa e voltamos ao Mineiro, a esta hora já encerrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descemos para Lapa, sempre na companhia do Vincent, passamos pela porta do Estrela da Lapa, do Carioca da Gema e do Rio Scenarium, e terminamos a noite na Pizzaria Encontros Cariocas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114525486339502145?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114525486339502145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114525486339502145' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114525486339502145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114525486339502145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/04/msica-e-poesia-nas-ruas.html' title='Música e poesia nas ruas'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114521573529945180</id><published>2006-04-16T16:26:00.000-03:00</published><updated>2006-04-18T11:21:12.246-03:00</updated><title type='text'>A filha do bicheiro</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/Codigo_da_vinci2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/Codigo_da_vinci2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (Leonardo Da Vinci)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Bem que eu tentava aparentar tristeza, mas os garçons não parávam de me servir uísque importado e ela continuava a me sorrir do outro lado da sala. O defunto parecia indiferente ao flerte entre sua filha e eu. Fosse vivo, eu já teria ido embora, evitando confusão, ou melhor, evitando uma morte violenta. Há tempos Danny insinuava-se pra mim. Eu fingia que não reparava. Garota louca, paquerar um cara de quarenta, pobretão, ela com só vinte aninhos e tão rica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virgílio de Andrade morrera de crise renal, quem diria. Um sujeito que escapara de mais de vinte tentativas de assassinato, terminar assim, vítima de si próprio, um cadáver de terno e gravata no meio da sala, enquanto seus convidados enchiam a cara e riam de sua lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela veio se aproximando, aos poucos, conversando com as pessoas no trajeto, até que se postou a meu lado, sorrisinho safado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Oi! Você vai na festa hoje?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para os lados, algumas pessoas nos observavam com malícia. Senti vontade de fumar um cigarro, mas tinha parado de fumar há meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pô Danny, festa? Seu pai morreu e você dá uma festa?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, deixa de ser careta! Quem inventou essas convenções? Morreu morreu! Quem fica tem de comemorar o fato de estar vivo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olhou-me daquele jeito que me deixava louco, revirando os olhos. Mexeu na blusa, aumentando o decote. Continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estou esperando você lá! Vou ficar muuuuito triste se você não for."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saiu, recebendo os cumprimentos de conhecidos com um ar visivelmente enfastiado. Antes de atravessar a porta da sala do velório, voltou-se e me deu tchauzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceitei mais uísque e senti vontade de chorar. De alegria. Aquela garota era meu sonho de consumo. Peitos grandes, coxas grossas, bunda perfeita, cinturinha, cabelos longos pintados de louro, e safadinha que só ela. Quando eu fazia plantão dentro da casa, ela sempre aparecia, exibindo-se. Mergulhava na piscina, estendia-se no quintal, toda gostosa, procurando me excitar. Uma vez ela se deitou na beira da piscina, de biquini, e começou a se masturbar, suavemente. Eu podia ver Seu Virgílio lá dentro, lendo jornal, e não sabia o que fazer para esconder minha ereção. Ela reparou e continuou, olhando-me nos olhos. Gozou com um sorriso que se me fixou na cabeça por meses, torturando-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhar para um bicheiro nunca havia me passado pela cabeça antes de ser expulso da polícia civil, acusado de receber propina. Ah, que piada. Todo mundo fazia isso, mas eu fui escolhido para ser o bode expiatório da tal "nova gestão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anoitecia. Despedi-me de quem eu conhecia e saí do velório. Consumia-me pensando em Danny, se valia a pena investir na garota. O filho do bicheiro, Castorzinho, tinha apenas vinte e dois anos, era um playboy total, preocupando-se apenas com carros, mulheres e drogas. Mas não era cego. Não lhe agradaria ver a irmã saindo com um dos seguranças. Seria capaz de mandar me matar com o mesmo sangue frio do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gastei algumas horas num botequim próximo, bebendo cerveja e tentando não pensar em nada. Faria o que me viesse na telha, na hora certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às dez e meia, estava totalmente bêbado. Chamei um táxi e disse o endereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava linda, com um vestido muito curto, colado ao corpo. Abraçou-me longamente. Disse-lhe que estava bêbado. Ela pegou-me na mão, fez-me sentar num sofá, trouxe água com gás e aconchegou-se em meu colo, fazendo-me carícias no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha muita gente na festa, apenas alguns amigos mais chegados. Senti-me melhor após algum tempo. Ela chamou uma de suas amigas, uma morena magrinha, de short. As duas sentaram-se em meu colo e beijaram-se. A morena abaixou a parte de cima do vestido de Danny, fazendo os peitões saltarem. A morena esfregava-se na minha perna e com uma das mãos apertou meu pau por cima da calça. Enfim, ainda a morena, abriu meu flechequer e tirou meu pau pra fora, enorme, duro, latejando. Seus olhos brilharam e atirou-se de boca no mastro, chupando sofregamente. Danny acariciava os próprios seios com uma mão e se masturbava com a outra, não usava calcinha. Sorria-me e dizia-me algo que eu não podia compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fui eu."&lt;br /&gt;"O quê?"&lt;br /&gt;"Fui eu."&lt;br /&gt;"Você o quê?"&lt;br /&gt;"Eu matei meu pai."&lt;br /&gt;"O quê?"&lt;br /&gt;"Troquei os remédios dele."&lt;br /&gt;"Ãh?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não paráva de se masturbar enquanto falava. Fazia caretas como se fosse gozar. A outra continuava me chupando decididamente. Eu estava aprisionado. Enfim, entendi o que ela me dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Queria ficar com você."&lt;br /&gt;"Danny! Você ficou louca?"&lt;br /&gt;"Não queria ninguém entre nós."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gozei na boca da morena. Senti Danny estremecer num orgasmo prolongado, seu olhar jorrando carinho e paixão. Pensei algo como: há sempre um pouco de morte em todo grande amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114521573529945180?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114521573529945180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114521573529945180' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114521573529945180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114521573529945180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/04/filha-do-bicheiro.html' title='A filha do bicheiro'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114409045373278577</id><published>2006-04-03T15:50:00.000-03:00</published><updated>2006-04-12T13:26:04.133-03:00</updated><title type='text'>A decadência do capitalismo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/basquiat3.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/basquiat3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Basquiat)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Manú tirou o embrulhinho de dentro da bolsa, colocou-o sobre a mesa e falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aperta aí você que eu tô cansada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se lembrava como ele viera parar em sua casa; conjecturava se tinham feito amor ou coisa parecida. Recordava-se, um pouco confusamente, que fora apresentada a ele por uma amiga, e que o achou interessante e misterioso. Mas agora, observando calmamente, com a mente limpa - apesar da ressaca -, experimentava uma viva decepação: ele era barrigudo, vestia-se mal e era horrivelmente tímido. Sempre odiara caras tímidos, ainda mais quando eram pobres! Pelas maneiras do rapaz, via-se que era de origem humilde. Era moreno, quase negro, com cabelos crespos, e contemplava deslumbrado os móveis e bibelôs da sala de estar. E se ele roubar alguma coisa? Preciso prestar muita atenção, pensou Manú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua principal preocupação, porém, era a chegada iminente dos pais. Eles haviam viajado para a casa deles em Angra e retornariam hoje. Sua mãe dissera que pretendia sair de lá no domingo bem cedo, para fugir do congestionamento. Olhou para o relógio da parede: duas e meia da tarde. Eles deviam chegar a qualquer momento. Caso o rapaz ainda estivesse na casa, ele almoçaria com a família dela, na mesa comprida da sala de jantar. Sempre que tinha visita, a mãe fazia questão que comessem todos juntos na sala. Quando não havia visita, cada um fazia seu prato na cozinha e ia prum canto diferente da casa. Ela ia pra salinha de televisão comer no sofá vendo um filme qualquer no Telecine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio é que, com todos na mesa, haveria fatalmente uma conversa sobre quem era o rapaz, onde ela o conhecera, o que ele fazia, e todas essas babaquices. Manú morreria de vergonha por ter ficado com uma pessoa de tão baixo nível. A irmã mais nova, que também viajara com os pais, daria aquele sorrisinho insuportável que queria dizer: "tá vendo, sua horrorosa, você é mesmo uma tribufu gorda que só consegue pegar esses estudantezinhos pobres e bêbados que ficam com qualquer mulher depois de certa hora e algumas cervejas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pegou o embrulhinho, abriu, despejou o conteúdo sobre a mesa e começou a despelotar. Não estava se sentindo à vontade naquele apartamento luxuoso. Mas já que estava ali, queria aproveitar um pouco, fumar um, viajar, escutar uns Cds, olhar, pela janela, as montanhas verdes e o Cristo Redentor. A garota o havia agarrado quase à força na festa. Depois, arrastara-o, também quase à força, para o apartamento dela e se comportara como uma tarada. Mal chegaram, totalmente bêbados, ela abaixou as calças dele e chupou seu pau com uma sofreguidão que nunca vira antes em mulher alguma. Teve que segurar a cabeça dela para não gozar e sobrar energia para fodê-la legal. E foi o que fez, e ela gozou uivando como uma cadela no cio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram para um quartinho nos fundos da cozinha e acenderam o baseado. Ele recostou-se num sofá macio e lembrou do chão duro que fazia o papel de cadeira, mesa e cama de seu conjugado no Bairro de Fátima. Por uma associação óbvia, lembrou-se que não tinha dinheiro nem pro ônibus e praticou, de cabeça, algumas frases de efeito para justificar o pedido de empréstimo que faria à moça. Ela vai saber que sou um pobretão e não vai mais querer sair comigo. Ah, foda-se, ela é uma baranga mesmo. Sem bunda, sem peito, gorda, grandalhona, e agora está se revelando também uma garota arrogante e convencida. Olha só o jeito que ela me olha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutam o barulho da porta se abrindo e apagam o baseado. Manú pega um spray de Bom Ar e perfuma o ambiente. Correm pra sala, antes passando no banheiro e fazendo a higiene básica do maconheiro: lavam as mãos, escovam os dentes e pingam colírio nos olhos. Ela pede que ele vá para seu quarto e espere por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às três e meia da tarde o almoço foi servido. A mãe preparara espaguete com molho pesto. Sentaram-se todos à mesa, o pai numa cabeceira e o irmãozinho na outra. As duas irmãs ficaram frente à frente; o rapaz ao lado de Manú e a mãe ao lado da outra irmã. Estavam todos mal-humorados de fome. Tinham calculado chegar a uma da tarde, mas um engarrafamento provocado por um acidente na estrada fê-los atrasar em mais de duas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as primeiras garfadas, o silêncio pesado foi aos poucos se desfazendo com frases curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E aí, mãe, fez sol lá?", perguntou Manú.&lt;br /&gt;"No sábado de manhã fez um solão. A gente saiu de barco e fomos a umas ilhas que não conhecíamos."&lt;br /&gt;"Foi super-legal!", empolgou-se o irmãozinho.&lt;br /&gt;" Toninho! Não lhe disse para não falar de boca cheia? ", ralhou a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez-se silêncio novamente. Escutava-se somente os talheres batendo de leve no prato. O pai voltou-se para o rapaz e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Qual é seu nome, rapaz? "&lt;br /&gt;" Arnaldo, senhor. "&lt;br /&gt;" Arnaldo de quê? "&lt;br /&gt;" Pai!", Manú sorria; ela sabia que a última pergunta havia sido apenas provocativa, com sentido cômico. O pai não ligava a mínima para sobrenomes. Ligava sim para o dinheiro que a pessoa, ou a família da pessoa, tinham. Era um legítimo burguês liberal. Estava só puxando assuto; ela sabia disso e protestava para divertir o pai. Arnaldo compreendera tudo e sorria também; respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Arnaldo Gomes Pinto, nome de português."&lt;br /&gt;"E você mora aonde, seu Arnaldo Pinto? "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manú alarmou-se; notara um quê de sarcasmo ou irritação no pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No Bairro de Fátima, na rua do Riachuelo."&lt;br /&gt;"E conhece minha filha de onde? "&lt;br /&gt;"Amor, pára com esse interrogatório. Deixa o rapaz comer em paz", interveio a mãe, incomodada com o fato do rapaz estar, há alguns minutos, com um garfo cheio de comida paralisado no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arnaldo sorriu de novo e não respondeu. Encheu a boca e põs-se a mastigar lentamente. Sua intuição lhe advertia que alguma coisa estava errada. Alguns minutos depois de silenciosa mastigação, o pai empurrou o prato pra frente, brutalmente. Tinha o rosto muito vermelho e os olhos cravados no rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Retire-se imediatamente desta mesa e saia da minha casa, seu vagabundo, seu, seu, seu, seu maconheiro! É! Maconheiro! Eu senti o cheiro quando cheguei em casa. E vocês não conseguiram disfarçar. Dá pra notar que os dois estão doidões."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um susto. Haviam interrompido a mastigação no instante em que o pai empurrou o prato. As primeiras palavras, naquele tom de voz, foram deixando a todos estupefatos. Nunca tinham visto o pai nesse estado. O rapaz estava petrificado. Queria levantar-se e ir embora, mas não conseguia mover um músculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pensamentos do pai queriam explodir. Eu tenho que falar. Tenho que falar. Tenho. Agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Puta que pariu! Puta que pariu! Eu tô enlouquecendo nessa casa. Tô nervoso, muito nervoso. Estou desesperado. Eu tenho que falar pra vocês. Preciso contar a verdade. Nós estamos falidos. FALIDOS", berrou o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irmãozinho começou a chorar, apesar de não saber o que significava "falido". Podia sentir, antes que todos, uma coisa muito ruim no ar. Talvez por isso, tenha vomitado tanto durante a viagem. A mãe também chorava, mas discretamente. Então era isso, pensava ela, que já vinha desconfiando de alguma coisa nesse sentido, devido ao péssimo humor do marido durante o fim-de-semana. Aquela especulação doida em que ele e o sócio entraram deve ter criado um rombo monstruoso na empresa. Olhou para o marido, que queria falar mais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Temos que vender tudo. Tudo. O apartamento, a casa em Angra, o carro, pra pagar as dívidas da empresa. E mesmo assim vamos ficar devendo. Ficaremos pobres. Eu tô fudido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arnaldo sentia o sangue voltar a circular em suas veias. Enfim, não era comigo que o cara tava tão revoltado, refletiu. Levantou-se da mesa completamente ignorado pelos outros, que estavam hipnotizados pela cena terrível de derrocada: o pai chorando convulsivamente, debruçado sobre a mesa, os braços pendendo, mortos, para o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de sair, Arnaldo pegou umas moedinhas que viu em cima de um móvel na saleta da entrada. Deve dar pro ônibus, pensou. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114409045373278577?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114409045373278577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114409045373278577' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114409045373278577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114409045373278577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/04/decadncia-do-capitalismo.html' title='A decadência do capitalismo'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114376686632302324</id><published>2006-03-30T21:59:00.000-03:00</published><updated>2006-03-30T22:52:07.096-03:00</updated><title type='text'>O diabo não bebe cerveja</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/2002_faces-with-tongues.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/2002_faces-with-tongues.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Faces com língua, de Emilio Mogilner - &lt;a href="http://www.123emilio.com"&gt;www.123emilio.com&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Faz dez anos que tenho problemas com a bebida. Perdi o emprego. Afastei-me dos amigos, da família. Mas como sempre conseguia um biscate, criando websites ou consertando computadores, vivia sem grandes preocupações. Até que um dia, meti-me numa briga de bar e esfaqueei um homem. Nem lembro direito como aconteceu, apenas de chegar em casa, pela manhã, muito bêbado e com a roupa toda suja de sangue. O sujeito morreu. Aí me acusaram de louco e me prenderam aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou louco. Quero provar a vocês que sou um cara normal. Ou quase. Apenas fui vítima de acontecimentos insólitos, cujas lembranças me tornaram um sujeito desequilibrado emocionalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou assim: eu era casado com uma linda mulher e vivia num aconchegante apartamento em Botafogo. Três quartos, duas salas, uma cozinha espaçosa e uma enorme varanda que dava para uma vista magnífica da praia de Botafogo, do Pão de Açúcar e das avenidas litorâneas. Vivíamos um para o outro e não nos separávamos nunca por mais de algumas horas. Até fazer compras no supermercado era, pra nós, uma deliciosa aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, recebemos ligação de um amigo, ex-namorado de Eurídice - esse era o nome de minha esposa. Convidou-nos para uma festa em Copacabana. Ficamos empolgados com o programa, pois Hefestos sabia das coisas. Sempre que saíamos com ele, era diversão garantida. Eurídice vestiu uma túnica verde-musgo, amarrada na cintura e cingiu uma flor azul a seus cabelos longos e negros. Eu optei por minha bata branca tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos à festa por volta da meia-noite. Tocava um som muito louco e todos dançavam freneticamente. Os garçons passavam servindo bebidas variadas. Mergulhei fundo na coisa. Eurídice me olhava assustada, às vezes, e voltava a dançar. Ela e outra moça, também muito bonita, faziam uma coreografia diabolicamente sensual. Eurídice rebolava, saltava, mexia os peitos, balançava os braços, fazia o diabo com o corpo. A outra garota não deixava por menos, acompanhando-a em todos os movimentos. Eu não estava a fim de dançar e me instalei num banquinho junto ao balcão, concentrado em beber cerveja o mais rápido possível. Aos poucos, ou de repente, não sei, tudo começou a brilhar. Quando dei por mim, estava dançando também. Era estranho, nem parecia eu. Parecia que um demônio tomara conta de meu corpo e dançava em meu lugar. Diversas garotas dançavam comigo, todas bonitas, cabelos compridos, cabelos curtos, cinturas finas, vestidos negros, vermelhos, cintilantes. Fiquei tonto. Desmaiei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei, a boate estava vazia. Por todo lado, centenas de latinhas de cerveja, copos de plástico, sapatos, brincos perdidos, celulares. A primeira coisa que pensei, quando minha mente deu sinais de vida, foi, é claro, em Eurídice. Onde está ela? O engraçado é que assim que pensei isso tive a impressão de já ter a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho tempo de descrever todos os lugares sórdidos pelos quais passei antes de encontrá-la. A busca durou meses. Além dos hospitais, clínicas e necrotérios, estive em prostíbulos imundos, sinistras bocas de fumo, bares suspeitos, e outros lugares mal-afamados. Vou resumir: encontrei-a trabalhando numa estranha boate na área portuária de Santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu chefe era um homem sombrio, parecia estrangeiro e possuía olhos esbugalhados e sempre injetados de sangue. O nome caía-lhe como luva: Plutão. Podia jurar que o sujeito era o próprio diabo em pessoa. Hospedei-me numa espelunca ali perto e passei a observar a rotina de Eurídice. Havia sido praticamente escravizada. O estranho é que não parecia se importar. Por que não fugia? Por que não chamava a polícia? Sem respostas, decidi salvá-la imediatamente, livrá-la das garras daquele demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei uma noite em que Plutão se recolheu mais cedo e Eurídice ficou sozinha atendendo os clientes. Pedi uma cerveja. Quando ela veio, segurei sua mão e a olhei bem nos olhos. Vi que estremecia, mas não havia me reconhecido. O que o desgraçado fizera com ela? Soltei sua mão, deixei que continuasse a trabalhar. Esperei. Lá pelas quatro da manhã, tentei nova abordagem. Falei que era seu marido, que meu nome era Orfeu, e que nós costumávamos ser felizes. Seus olhos brilharam, um lampejo de lucidez cintilou em seu rosto. Senti imenso alívio ao ver que recuperava a memória e me olhava enternecida. Mas durou pouco. Logo voltou ao estado catatônico que, pelo jeito, era seu natural. Voltei ao hotel e esperei o dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no bar à meia-noite e pedi uma tequila. Plutão estava sentado a uma mesa nos fundos, fumando um charuto e sorvendo um líquido vermelho e viscoso. Aproximei-me. Ele mediu-me por um instante, cumprimentou-me com a cabeça e voltou a se concentrar na bebida. Sem saber como abordá-lo, disse a primeira coisa que me ocorreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com licença, senhor, poderia me dizer o que está bebendo?&lt;br /&gt;- Sangue. Por quê? Quer um pouco?&lt;br /&gt;- Ah, sangue - respondi, tentando sorrir do que achava ser uma piada. É um novo tipo de bebida?&lt;br /&gt;- É uma bebida especial para pessoas especiais, meu caro. O que você quer?&lt;br /&gt;- Quero levar Eurídice. Ela é minha esposa.&lt;br /&gt;- O quê? Você quer levar minha melhor funcionária?&lt;br /&gt;- Sim. Ela é minha esposa, já falei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu e deu mais um gole na bebida nojenta. Puxei um revólver de dentro da calça e apontei para sua cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou levar por bem ou por mal. Agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notei uma expressão de medo em seu rosto. Ele procurou me acalmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eh, fica frio, rapaz. Não vamos brigar por causa disso. Tudo bem, pode levar a garota. Pegue-a pelo braço e diga: “Plutão mandou você vir comigo”. Vá na frente. Ela vai te seguir. Saia da boate. Caminhe até o fim da rua sem olhar pra trás. Sem olhar pra trás, ouviu bem? Ela estará te seguindo. Quando vocês contornarem a primeira esquina, estarão salvos.&lt;br /&gt;- Salvos de quê?&lt;br /&gt;- Do inferno, ora!! - e riu desbragadamente, exibindo os dentes sujos de sangue ou seja lá o que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase perguntei que inferno era aquele, mas dei uma olhada rápida ao redor e certifiquei-me de que estávamos mesmo num lugar assombrosamente infernal. As pessoas se comportavam de uma maneira bizarra. Ninguém ria ou conversava. Vi, num canto escuro do bar, um homem seviciando uma garota nua da cintura pra cima. Ele chicoteava a garota impiedosamente, e ela não gritava, apenas fazia caretas desesperadas. Em outra parte, dois homens faziam sexo furiosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem. Vou lá pegar Eurídice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui até onde ela estava e sussurrei em seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Plutão ordenou que você me acompanhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi como apertar o botão de um robô. Ela me olhou com obediência comovente. Largou a bandeja e me seguiu. Em alguns segundos estávamos fora do local. Senti desejo de olhar pra trás, mas lembrei-me do aviso de Plutão. Um pouco antes de chegar à esquina, a curiosidade mordeu-me o espírito novamente. Não pude resistir. Dei uma olhada ligeira pra trás. Ela arregalou os olhos e correu de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri atrás dela, mas quando tentei entrar no estabelecimento, dei com a porta trancada. Esmurrei, chutei, gritei, mas não me deixaram entrar. Frustrado e deprimido, voltei ao hotel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou resumir: nunca mais vi Eurídice. Acionei a polícia, a justiça, detetives particulares, paguei anúncios em jornais, e nada. O bar de Plutão transferiu-se para lugar desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a beber descontroladamente. Aí vocês conhecem o resto da história. Talvez o que não saibam é que eu aprendi a tocar violão. Quando algum de vocês vier me visitar, posso mostrar as músicas que ando compondo... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114376686632302324?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114376686632302324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114376686632302324' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114376686632302324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114376686632302324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/o-diabo-no-bebe-cerveja.html' title='O diabo não bebe cerveja'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114360245125641660</id><published>2006-03-29T00:19:00.000-03:00</published><updated>2006-03-29T00:20:51.290-03:00</updated><title type='text'>Encontro do Bagatelas, sábado, no Paço</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/encontros.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/encontros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114360245125641660?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114360245125641660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114360245125641660' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114360245125641660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114360245125641660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/encontro-do-bagatelas-sbado-no-pao.html' title='Encontro do Bagatelas, sábado, no Paço'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114325925475855566</id><published>2006-03-25T00:37:00.000-03:00</published><updated>2006-04-10T02:01:22.706-03:00</updated><title type='text'>Ainda não tenho saudades de Kátia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/daJulius_3252_x.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/daJulius_3252_x.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acordei sem abrir os olhos. Como um cego acorda, pensei, tentando adivinhar o que realmente tinha me despertado. O sol batendo forte no rosto. Ou a fome doendo no estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha coragem de abrir os olhos porque sabia que o risco de enxaqueca era grande. Levantei-me de olhos fechados, prudentemente, e sentei-me na beira da cama, de costas para a janela. Agora o sol batia em minha nuca. Calor insuportável. O ventiladorzinho furreca não dava conta. Abri os olhos apreensivo. Estava em casa? A visão do armário de portas abertas, roupas entulhadas lá dentro sem ordem alguma, tranquilizou-me. Abri totalmente os olhos e fui ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho, tropecei numa coisa mole, pesada, e desmoronei, batendo a cabeça na televisão, que por pouco não tomba em cima de mim. Soltei um palavrão. Aliás, dois palavrões. Com uma diferença fundamental entre eles. O primeiro tinha uma entonação furiosa. O segundo soou débil e assustado. A coisa mole e pesada no chão era o corpo enrijecido e gelado de Kátia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, apesar do susto, não perdi a fome. Estava há dias sem comer. Eu e Kátia nos trancáramos naquele quarto de pensão, com 20 gramas de pó e uma dúzia de garrafas de uísque e vodka. Cheirando, falando, transando, vendo tv e planejando nosso primeiro assalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei um pacotinho de batatas fritas aberto jogado num canto. As batatas estavam moles, úmidas. Comi mesmo assim. Abri o frigobar e peguei uma coca cola. Evitava olhar o corpo de Kátia. Overdose, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sentia dor pela perda de quem eu tanto amara. A ficha não caíra. Era como se eu estivesse vendo um filme. Pura ficção. A qualquer momento, o filme terminaria, eu iria acordar Kátia e recomeçaríamos os estudos e planejamento para o assalto à mansão do magnata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matei a coca cola e peguei uma latinha de cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Pintura: Juliano Guilherme)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114325925475855566?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114325925475855566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114325925475855566' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114325925475855566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114325925475855566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/ainda-no-tenho-saudades-de-ktia.html' title='Ainda não tenho saudades de Kátia'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114323033296776812</id><published>2006-03-24T16:53:00.000-03:00</published><updated>2006-03-24T17:02:08.763-03:00</updated><title type='text'>a poesia não paga o aluguel do meu apartamento</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/946ABE16d01.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/946ABE16d01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;(Egon Schiele)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desespero-te sombriamente&lt;br /&gt;entre a luz morta das praças do subúrbio&lt;br /&gt;e o sonho vago, ansioso, de pequenos&lt;br /&gt;proxenetas da rua Paisandu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esqueci-te num outrotra lânguido,&lt;br /&gt;impregnado de magnetismo e crueldade,&lt;br /&gt;eu era-me, brisa ácida, pelinhos tremulando&lt;br /&gt;em pernas bronzeadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ceticamente vaguei,&lt;br /&gt;trajando roupas de aço,&lt;br /&gt;por rodoviárias sujas e terrenos baldios,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estremecimentos que matam, assíduo enjôo&lt;br /&gt;sem comida, pensamentos pesados,&lt;br /&gt;sonhos simplórios, vil angústia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morro e mato,&lt;br /&gt;verei membros arrancados,&lt;br /&gt;lenta, amorosamente,&lt;br /&gt;num contraste suicida,&lt;br /&gt;entre a bomba e o piercing&lt;br /&gt;no umbiguinho da garota dançando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desespero-te sem medo&lt;br /&gt;ligeiro ódio apenas&lt;br /&gt;para carburar, com rocks antigos,&lt;br /&gt;teu coração cínico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os momentos transvivem-me&lt;br /&gt;sangrentos, biliosos,&lt;br /&gt;briga de velhos amigos,&lt;br /&gt;hiroximas florindo&lt;br /&gt;uma flor azul-assassino&lt;br /&gt;que paradoxalmente&lt;br /&gt;enrubesce o mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;exaustos soldados,&lt;br /&gt;punhetam-se nas sombras do bairro sujo&lt;br /&gt;enfumaçado, destruído,&lt;br /&gt;corpos mutilados&lt;br /&gt;beijando fungos e cães&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um sol doente&lt;br /&gt;espalha negrumes brilhantes&lt;br /&gt;pelos bares do centro&lt;br /&gt;despertando seres estranhos,&lt;br /&gt;aracnídeos semi-humanos&lt;br /&gt;que vão copular em silêncio&lt;br /&gt;nos cemitérios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o amor é uma mancha&lt;br /&gt;de sêmen na calça&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;a lapa na sexta&lt;br /&gt;o fogo das manhãs&lt;br /&gt;sem cocaína de agosto&lt;br /&gt;o grito das árvores&lt;br /&gt;nas ruas engarrafadas&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;o anoitecer armado,&lt;br /&gt;suavemente histérico,&lt;br /&gt;que precede as guerras,&lt;br /&gt;os casamentos,&lt;br /&gt;as demissões em massa,&lt;br /&gt;e as rodas de samba&lt;br /&gt;da joaquim silva &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114323033296776812?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114323033296776812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114323033296776812' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114323033296776812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114323033296776812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/poesia-no-paga-o-aluguel-do-meu.html' title='a poesia não paga o aluguel do meu apartamento'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114314011905712805</id><published>2006-03-23T15:54:00.000-03:00</published><updated>2006-03-23T17:54:07.950-03:00</updated><title type='text'>Revisitando textos recém-antigos</title><content type='html'>Soneto do cangaceiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misterioso é o sol da morte.&lt;br /&gt;Deus e armas regem o universo&lt;br /&gt;Um dois três e fecho o verso&lt;br /&gt;Tu vais pro sul, eu vou pro norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um, meu, tem seu porte,&lt;br /&gt;é melhor você rezar o terço,&lt;br /&gt;pois sou poeta desde o berço,&lt;br /&gt;está no sangue e na cor forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou índio, mestiço e brasileiro,&lt;br /&gt;Serei o que a morte permitir.&lt;br /&gt;Quem no caminho for traiçoeiro,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tentar, rasteiro, me destruir,&lt;br /&gt;Verá o meu facão de cangaceiro,&lt;br /&gt;Que você no meio eu vou partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escrito por Miguel do Rosário Domingo, Fevereiro 27, 2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cor da justiça é o verde&lt;br /&gt;Porque é a cor da floresta&lt;br /&gt;E a floresta é a flor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verde é a ferida do inferno&lt;br /&gt;Guerrilha das plantas&lt;br /&gt;Contra a tirania do concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do cinza, sangue das cores,&lt;br /&gt;O verde resiste&lt;br /&gt;No interior do azul&lt;br /&gt;Seu amigo mais fiel&lt;br /&gt;Cúmplice nas lutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças aos exércitos&lt;br /&gt;Terríveis do verde&lt;br /&gt;E os batalhões&lt;br /&gt;Numerosos do azul&lt;br /&gt;A terra, o ceú,&lt;br /&gt;E sobretudo o mar&lt;br /&gt;Forjam o dourado&lt;br /&gt;E o vermelho,&lt;br /&gt;Que embriagam a alvorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é outra poesia. É uma paródia de uma poesia do Robert Frost chamada Tudo que é dourado deve morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ianques go home&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro verde da justiça é vermelho&lt;br /&gt;Para ela a cor mais difícil de acalmar&lt;br /&gt;A primeira flor é uma bomba&lt;br /&gt;Depois bomba se rende à bomba&lt;br /&gt;E o Paraíso se transforma em Bagdá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paz se converte em nostalgia&lt;br /&gt;A justiça morre em agonia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114314011905712805?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114314011905712805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114314011905712805' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114314011905712805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114314011905712805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/revisitando-textos-recm-antigos.html' title='Revisitando textos recém-antigos'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114313747177184855</id><published>2006-03-23T15:09:00.000-03:00</published><updated>2006-03-23T15:11:11.876-03:00</updated><title type='text'>Bagatelas! Cheia de novidades</title><content type='html'>A &lt;a href="http://bagatelas.net"&gt;Bagatelas!&lt;/a&gt;, que virou revista impressa e pode ser encontrada nas principais livrarias, começa seu ano após o carnaval com boas novidades! Inaugura seu selo editorial publicando um livro que seria capaz de fazer o mais honesto dos cristãos sentir-se um monstro diabólico: A Arte de Odiar, do escritor Julio Cesar Corrêia (finalista do concurso Contos do Rio de 2004).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para quem estava com saudades dos bate-papos informais sobre literatura nas tardes de sábado, o Encontros &amp;amp; Bagatelas está de volta! Este será em homenagem ao consagrado Rubem Fonseca, com a presença dos escritores Tatiana Carlotti [SP], Rodrigo Melo [BA] e Julio Cesar Corrêia, que estará autografando seu livro. O evento acontece sábado, dia 01/04, às 14h, na Livraria Imperial - Paço Imperial, 48, lj. 3, Praça XV.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114313747177184855?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114313747177184855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114313747177184855' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114313747177184855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114313747177184855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/bagatelas-cheia-de-novidades.html' title='Bagatelas! Cheia de novidades'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114234520886398386</id><published>2006-03-14T11:04:00.000-03:00</published><updated>2006-03-31T04:04:13.390-03:00</updated><title type='text'>Entrevista com Flavio Côrrea de Mello, poeta carioca</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/flavio_mello.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/flavio_mello.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O fato é que ler e escrever pra mim é tão necessário quanto beber uma água ou comer, se deixo de escrever durante algum tempo algo de catastrófico se passa... "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"... é a arte que acolhe o sujeito na sua diferença, com braços e veias pulsantes o envolve e, assim, ele pode doar o que tem de melhor, a capacidade de se libertar, a capacidade de transcendir o cotidiano mesquinho que o tolhe e que o reprime. Não há loucos, loucos são os outros, os outros, eu não." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Flávio Corrêa de Mello&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hoje venho com uma entrevista com Flávio Corrêa de Mello, grande poeta, do qual tenho a honra de ser amigo de longa data. Não admiro sua poesia, porém, por ser ele meu amigo. Pelo contrário. Como é frequente entre poetas, minha amizade é que nasceu da admiração por seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mello lançou, há alguns anos, o livro Poemas Suíços, pela editora Ibsis Libris, e atualmente é colunista do site Bagatelas.net. Mello é carioca, mora na Tijuca, dá aulas de francês e trabalha na LIvraria da Travessa. Nesta entrevista, Mello filosofa sobre poesia e suas relações com o mundo, a loucura, a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel do Rosário: Flávio, quando você começou a escrever poesia? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávio: Com 16 anos, na época eu havia descoberto um vinil do Brasileiro, Profissão Esperança, de Paulo Pontes. Era uma gravação de um espetáculo sobre a vida e a obra de Antônio Maria e Dolores Duran, com direção de Bibi Ferreira. O lado 2 do lp me tocou muito, tinham uns monólogos que o Paulo Gracindo interpretava, entre eles um texto do José Régio, o famoso Cântico Negro. Mas ainda levou um tempo até a poesia tomar forma mesmo. Acho que a consciência poética, a consciência do ato de fazer poemas foi se moldando na UERJ, durante a graduação em LETRAS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel do Rosário: Na sua opinião, qual a importância da poesia para o ser humano? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávio: Para o ser humano eu não sei não, não dimensiono, neste aspecto, entendo a poesia de uma forma particular, uma forma de "religare" com o divino ou o caldeirão de emoções e pensamentos que fabricamos diariamente. Entretanto, pode-se perceber ao longo da história a importância da poesia na formação do caráter do indivíduo, desde a antiguidade, seja ela ocidental ou oriental, ela sempre esteve presente com função formadora, tanto intelectual e mental como emocional. De certo modo, hoje vejo a poesia como a arte mais íntima, na qual o poeta se expõe de maneira plena, porém discreta, até mesmo porque a poesia perante outras artes perdeu muito de sua força de influência, mas não perdeu de modo algum sua possibilidade de transformação interior, tanto para o poeta quanto para a sociedade na qual ele se insere, vide, por exemplo, casos como o de Agostinho Neto, poeta de Angola, e o de Xanana Gusmão, poeta do Timor, ambos exerceram sua poesia como elemento volitivo de transformação interior e exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel do Rosário: Em sua opinião, o que caracteriza a poesia de nosso tempo, de um tempo onde o audivisual impera e as pessoas sofrem com a falta de tempo livre? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flávio: Até bem pouco tempo pensava na poesia como algo impresso... tipo tinta no papel, suor e tensão na caneta, esperma na tinta... entende... Pensava para mim, para minha produção pessoal. Hoje reavalio, pois as possibilidades do fazer artístico estão por aí... estão dadas, de modo que o poeta tem por obrigação captá-las e transformá-las, amalgamando-as no seu trabalho poético. Sim, é verdade, a poesia hoje está para além do poema propriamente dito, seja ele verso livre ou metrificado. Há um hibridismo latente em todos gêneros literários... isto eu sinto e percebo, porém, de modo algum vou sair urrando em cada esquina que o poema esquemático ou o livro morreu, ou que não há mais espaço para livros que não são lidos. Sou daqueles que, apesar das intempéries, das dificuldades capitais e físicas, acredita que ainda há espaço para o poema. Também não radicalizo a experiência de uma poética voltada para a ausência de palavras. O poema para mim, digo isto bem especificamente, faz-se com palavras e é por elas que ele torna-se vida durante a criação e, para o leitor, durante a fruição. Gosto de mesclar imagens a textos, acho isso interessante, dá cor e sabor ao texto. A proposta de artes plásticas, fotografias envolvendo-se ao texto vem a somar para o leitor, para o prazer do leitor. Quanto à falta de tempo, isto influi a feitura da poesia contemporânea sobremaneira, podemos perceber os ritmos velozes que impregnam boa parte da literatura desde o século vinte, as imagens estanques, as aliterações e as repetições. Todos esses recursos são característicos de nosso tempo. Sou influenciado por isso, você também e outros escritores também são. Entretanto, o que busco é um outro tempo textual, uma outra possibilidade literária que não está ligada ao real, mas sim a tranfiguração deste real, deste cotidiano... Quero que meus leitores tenham todo o tempo do silêncio para fruir meus poemas, que num primeiro olhar, numa primeira leitura não apreendam sentidos ou significações, mas que aos poucos mergulhem na leitura, de maneira que possam extrair algo de concreto, um sentimento, algo que eles possam se conectar a partir de uma abstração inicial, tendo tempo necessário para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel do Rosário: Poderia divagar um pouco sobre a tão falada relação entre a arte e a loucura?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Flávio: Mas o que é a loucura? Van Gogh cortou as orelhas. Dolores Duran chegou em casa com 29 anos e disse vou dormir, não quero acordar... Artaud tomando choques elétricos, vivendo um corpo sem órgãos, fluídico. Bispo do Rosário... outros tantos... O projeto de rádio que havia no hospital psiquiátrico Pedro II (no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro) com os frequentadores do hospital... não há segmentação, compartilhamento ou distinção. É a convivência com os detalhes internos que povoam nosso ser que pode dinamizar um processo de criação artística... Viver seus personagens, habitá-los ao ponto de não mais saber diferenciar o que é real... até mesmo por que quem é que desmistifica o real do imaginário, o estado, a ciência?... Uns tão loucos quanto os outros. A internação dos ditos "loucos", nomeadamente "loucos" foi um elemento que se sedimentou com o advento do capitalismo industrial moderno. Foucault inventariou isso muto bem, basta ler a História da Loucura. Hoje, esses conceitos se transformam, se redimensionam já que cada vez mais valorizamos a necessidade de criarmos nosso legado, nossa biografia, vide as comunidades de relacionamento que pipocam na inernet, as redes... cada vez mais o que vale é ser diferente, ser pessoal, embora ainda tenhamos medos e paranóias coletivas, tais como: medo da felicidade, medo da incerteza, medo de dar os passos que nos libertem dos paradigmas capitais, dos paradigmas de consumo. E, neste ponto, ainda necessitamos das classificações, das estratificações, de: "quem é o louco... ou aquele cara é louco", não consegue fazer suas contas, não tem juízo e incorre contra sua própria vida. Entretanto, a arte é a válvula que impulsiona o louco... é a arte que acolhe o sujeito na sua diferença, com braços e veias pulsantes o envolve e, assim, ele pode doar o que tem de melhor, a capacidade de se libertar, a capacidade de transcendir o cotidiano mesquinho que o tolhe e que o reprime. Não há loucos, loucos são os outros, os outros, eu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Miguel do Rosário: Fale um pouco de seu processo de inspiração?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Flávio: Difícil falar... geralmente é uma frase... as vezes estou emborcando no sono e dali vem o gérmen... esse é o foco inicial, tenho que anotar rapidamente para não perder... existem as frases que vem na rua, andando, escrevo mentalmente muita coisa que se perde, que dariam poemas geniais, mas ficam ali no cérebro. Leio muito, isso fermenta a inspiração. Reescrevo bastante... um poema meu, muitas vezes guarda apenas um verso original do pensamento inicial, não tenho essa coisa... esse hábito de preservar o movimento inicial, aceito tudo que o poema me indica, o caminho que ele me sugere... os sons, sobretudo os sons... para isso repito em voz alta... e ando de um lado para o outro... o poema só acaba quando entrego os originais para a publicação e ainda quando o leio, após ser publicado, vejo coisas que gostaria de reescrever, assim foi com o Poemas Suíços. Entretanto, há algo extremamente importante: meu estado de espírito, cultivo a angústia para que ela se liberte no texto... Nesse ponto procuro ser o mais sensível e sincero comigo, depois vem a ourivesaria, algo que me dá muito tesão, procuro apenas manter a tensão que permeia o texto, tanto na prosa quanto no poema, pois é a tensão que vai indicar o ritmo e o andamento da literatura que faço. Mas tudo se trata de experimentação, não existe uma regra fixa, existem sim alguns nós, que em alguns momentos precisam ser bem nítidos e em outros não, devem ser desatados e fluídicos. O fato é que ler e escrever pra mim é tão necessário quanto beber uma água ou comer, se deixo de escrever durante algum tempo algo de catastrófico se passa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.prosa-poema.blogspot.com/"&gt;Blog&lt;/a&gt; de Flávio Mello&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.arteepolitica.com.br/literatura/poesia/flavio_mello.html"&gt;Poemas&lt;/a&gt; do autor&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bagatelas.net/movedico.htm"&gt;Coluna&lt;/a&gt; de Flávio Mello na Bagatelas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114234520886398386?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114234520886398386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114234520886398386' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114234520886398386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114234520886398386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/entrevista-com-flavio-crrea-de-mello.html' title='Entrevista com Flavio Côrrea de Mello, poeta carioca'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114231733033045432</id><published>2006-03-14T03:19:00.000-03:00</published><updated>2006-05-11T18:14:40.386-03:00</updated><title type='text'>Dejetos de um luxo carioca à sombra de satânicas flores azuis</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/Siqueiros_monumento_a_Cuauht??moc_el"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/Siqueiros_monumento_a_Cuauht%3F%3Fmoc_el%20tormento.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Siqueiros, O tormento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Série Posts preferidos)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vai, meu chapa, olha a vida&lt;br /&gt;de frente e paga a conta&lt;br /&gt;de seus porres de outrora&lt;br /&gt;homem que é homem chora&lt;br /&gt;lágrimas de cachaça&lt;br /&gt;e está sempre brincando&lt;br /&gt;em serviço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;secos estão seus olhos?&lt;br /&gt;molha-os com o mar&lt;br /&gt;branco de teu ódio&lt;br /&gt;apimentado, acarajé&lt;br /&gt;com coca-cola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com pupilas limpas&lt;br /&gt;contempla as ruas&lt;br /&gt;e as moças semi-nuas&lt;br /&gt;da praça castro alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pega um ônibus&lt;br /&gt;e vai pra chapada&lt;br /&gt;da diamantina&lt;br /&gt;contemplar a imensidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eleja-se presidente de si mesmo&lt;br /&gt;depois o derrube&lt;br /&gt;torne-se anarquista&lt;br /&gt;sem bombas, dê gargalhadas&lt;br /&gt;com teus amigos do bar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não esqueças, todavia&lt;br /&gt;que a palavra "buça" é sagrada,&lt;br /&gt;ou satânica, não a disperdices&lt;br /&gt;em poemas sem amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a poesia às vezes se finge&lt;br /&gt;de cínica,&lt;br /&gt;pra comer um pouco mais&lt;br /&gt;de carne vermelha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas ainda é o amor,&lt;br /&gt;sombrio e desesperado&lt;br /&gt;que corre em suas veias&lt;br /&gt;inchadas de poesia,&lt;br /&gt;dialética prostituta&lt;br /&gt;cujo beijo&lt;br /&gt;exala átomos&lt;br /&gt;de bondade, inteligência&lt;br /&gt;e levedos&lt;br /&gt;de cerveja&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114231733033045432?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114231733033045432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114231733033045432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114231733033045432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114231733033045432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/dejetos-de-um-luxo-carioca-sombra-de.html' title='Dejetos de um luxo carioca à sombra de satânicas flores azuis'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114186734576558554</id><published>2006-03-08T22:12:00.000-03:00</published><updated>2006-03-08T22:25:33.083-03:00</updated><title type='text'>Lá na revista Storm</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/esculpindo_rodin_juliano_x_small.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/esculpindo_rodin_juliano_x_small.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (Esculpindo Rodin, por Juliano Guilherme)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/arvore_de_corpos_juliano.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas dicas para vocês: uma é o conto publicado na minha &lt;a href="http://bagatelas.net/miguel.htm"&gt;coluna&lt;/a&gt; no Bagatelas, intitulado "O dono do Audi não gosta mais de política". Outra é o conto na &lt;a href="http://storm-magazine.com/"&gt;Revista Storm&lt;/a&gt;, no link Novos autores. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114186734576558554?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114186734576558554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114186734576558554' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114186734576558554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114186734576558554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/l-na-revista-storm.html' title='Lá na revista Storm'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114176204702918624</id><published>2006-03-07T16:53:00.000-03:00</published><updated>2006-03-09T01:04:03.086-03:00</updated><title type='text'>Preconceito burro das salas de cinema</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/vavietdeviens.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/vavietdeviens.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui assistir ao filme "&lt;strong&gt;Um herói de nosso tempo&lt;/strong&gt;", de Radu Mihaileanu. O título original é "Va, vis et deviens", que literalmente significa "Vá, viva e transforme-se". Ao término do filme, estava paralisado, sem coragem de fazer qualquer movimento, com receio de ter um acesso de choro. Tudo bem, sou meio chorão em filme mesmo, mas esse aí é o dramalhão mais triste que já assisti na vida. Mas é bom. É de um humanismo corajoso, verdadeiro, tocante. Fala da história dos judeus negros etíopes, que foram levados, na década de 80, para Israel. A viagem da comunidade de 8 mil judeus à Israel era secreta, com medo de retaliações das diversas nações árabes inimigas da região. Eles vão a pé até o Sudão, onde ficam em campos de refugiados. Metade deles morre de doença, fome, sede e crimes horrendos cometidos por outras etnias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dado momento, o acampamento onde os judeus etíopes esperam a chegada do transporte que os levarão aos aviões, para chegar em Israel, recebe refugiados de várias partes da África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personsagem principal do filme, é o filho de uma mãe etíope não judia. Uma das negras judias havia perdido o filho e aceita levar o garoto como se fosse seu. O garoto é instruído a mentir às autoridades israelenses, dizendo ser judeu e inventando nomes judeus para si e seus parentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a história prossegue com uma trama muito bem construída. Ao final da exibição, o diretor participou de um debate com o público. O responsável pela distribuição do filme no Brasil, Ugo Sorrentino, também falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrentino falou da dificuldade de trazer filmes estrangeiros não-americanos para o Brasil. As salas multiplex, por exemplo, só aceitam exibir filmes norte-americanos. Sorrentino informou ter recebido diversos nãos com a justificativa de que o filme não era falado em inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é de uma estupidez e de uma ignorância tão crassa que quase me deixou gago. Mas é a dura realidade do cinema brasileiro. Sorrentino explicou que as salas de cinema no país estão sendo dominadas por multinacionais americanas, cuja filosofia é essa: só passar filmes americanos, com um filme brasileiro de vez em quando e muito brevemente. Com a palavra: o governo e os cineastas. O que vocês vão fazer sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo: Radu Mihaileanu também dirigiu o filme Trem da Vida, que se passa na II Guerra e também foi exibido recentamente no cinema do Consulado Francês no Rio. É muito bom e engraçado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114176204702918624?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114176204702918624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114176204702918624' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114176204702918624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114176204702918624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/preconceito-burro-das-salas-de-cinema.html' title='Preconceito burro das salas de cinema'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114127238761826462</id><published>2006-03-02T00:41:00.000-03:00</published><updated>2006-03-04T14:00:40.376-03:00</updated><title type='text'>Antigo escuro</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/Mendon??a"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/Mendon%3F%3Fa%20e%20Obras%20do%20Nilton%20024.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(Nilton Pinho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desfraldando ao conjunto fictício dos céus estrelados&lt;br /&gt;O esplendor do sentido nenhum da vida...&lt;br /&gt;Toquem num arraial a marcha fúnebre minha!&lt;br /&gt;Quero cessar sem conseqüências...&lt;br /&gt;Quero ir para a morte como para uma festa ao crepúsculo." Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Não tenho saudades de nada. Desconsiderando a dor no braço, está tudo bem. Guimarães Rosa tirava lições de vida contemplando o São Francisco. Tento fazer o mesmo observando o ventilador portátil. Toda crítica é política. Estética virou ética, ética virou estética, nos martelava o professor de teoria da comunicação. Contra o que eu me insurgia, com a violência característica de um jovem de ressaca pela manhã. Muitas vezes me calei, acumulei ódios e guerras no armário do quarto.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Se eu perdesse a voz? Voz incômoda que nem parece minha. Há tempos me cansei de espelhos. A imagem que tenho de mim mesmo sempre foi mais interessante. Aprendi a errar, a usar o erro em benefício próprio. Criei uma seita de errados e vagabundos. Só botequins me deixam à vontade para pensar e conversar. Sou hipocritamente tolerante com a opinião alheia. Prefiro ficar só, bebendo minha cerveja. Ou na companhia de caras tão malucos que ninguém se importa com o que eles pensam. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114127238761826462?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114127238761826462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114127238761826462' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114127238761826462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114127238761826462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/antigo-escuro.html' title='Antigo escuro'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114127017692337593</id><published>2006-03-02T00:13:00.000-03:00</published><updated>2006-03-04T14:02:25.073-03:00</updated><title type='text'>Porque a gente é assim</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/12.09.05%20032.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/12.09.05%20032.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (ateliê de Nilton Pinho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Tateei a ilusão no escuro. Senti uma coisa gosmenta, gelada. Não queria mais sonhar, e no entanto continuava a distrair-me em nebulosass divagações. Arrancava um braço do monstro e mastigava, feliz, cuspindo o osso pela janela. Contemplei o escuro do abismo e quis saltar, como quem pretende aniquilar a dor a golpes de niilismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo mais improvisar histórias simples. Como aquela da menina que bebeu um copo de ácido quando soube que seu amor havia se casado com outra mulher. Não morreu, coitada, mas o esôfago ficou meio destruído. Condenada à dieta líquida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já contei-lhes sobre meu tio-avô jagunço? Miguelão colecionava orelhas em sua bolsa de couro. Eram o seu curriculum vitae. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114127017692337593?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114127017692337593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114127017692337593' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114127017692337593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114127017692337593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/porque-gente-assim.html' title='Porque a gente é assim'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114126835845344144</id><published>2006-03-01T23:52:00.000-03:00</published><updated>2006-03-02T00:41:22.000-03:00</updated><title type='text'>Cacique de Ramos</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/cacique.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/cacique.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O tradicional bloco desfilou pela avenida Rio Branco na terça-feira de carnaval, tocando clássicos do samba, como Traição, Coisa Bonita do Pai, Vou Caciquiar, entre outras. Além das belas fantasias do bloco, a roupa de índio, o cocar, as saias de pena, acompanhavam a festa foliões com os trajes mais hilários e diversos. Homens vestidos de mulher maravilha, mulheres com roupas de pistoleiro, viúvas negras, presidiários, oncinhas, piranhas, gorilas, colombinas, fantasias para todos os gostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi muito bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114126835845344144?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114126835845344144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114126835845344144' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114126835845344144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114126835845344144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/03/cacique-de-ramos.html' title='Cacique de Ramos'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114116631088372664</id><published>2006-02-28T19:28:00.000-03:00</published><updated>2006-02-28T19:38:30.913-03:00</updated><title type='text'>Livraria virtual</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/crucify3.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/crucify3.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;(Francis Bacon)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Só para lembrar a vocês que está &lt;a href="http://www.arteepolitica.com.br/hellbar/livraria.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; o link para a Hell Bar Livraria Virtual, com livros em PDF gratuitos para você curtir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114116631088372664?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114116631088372664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114116631088372664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114116631088372664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114116631088372664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/livraria-virtual.html' title='Livraria virtual'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114075527701472359</id><published>2006-02-24T01:16:00.000-03:00</published><updated>2006-02-26T02:10:41.726-03:00</updated><title type='text'>As obras de Nilton</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/tio%20nilton%202%20048.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/tio%20nilton%202%20048.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nilton Pinho é o cara mais divertido que conheço. Além de ser mestre em artes na universidade-davidadailhadogovernador, é especialista em trocadilhos. Bonecas, cabides, calcinhas, pedaços de madeira, páginas de revistas antigas, tudo é transformado em arte. Na minha opinião, Nilton conseguiu superar a arte conceitual: deu um passo adiante. Sua arte é e não é conceitual, porque atinge o inconsciente, os instintos, a intuição, e também solicita a reflexão. Mas tudo isso é papo furado, o negócio é você conhecer o ateliê do cara, na rua do Riachuelo, Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e a grande novidade. Consegui convencer Nilton a fazer um blog. Na realidade, eu é que tô fazendo, mas o blog é dele. Confira &lt;a href="http://niltonpinho1960.blogspot.com/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Sejam condescendentes. Ainda tá no início.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114075527701472359?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114075527701472359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114075527701472359' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114075527701472359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114075527701472359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/as-obras-de-nilton.html' title='As obras de Nilton'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114056437492531378</id><published>2006-02-21T20:25:00.000-03:00</published><updated>2006-02-21T20:26:14.926-03:00</updated><title type='text'>Coluna no Bagatelas</title><content type='html'>Acabo de estrear uma coluna semanal no&lt;a href="http://bagatelas.net"&gt; Bagatelas&lt;/a&gt;. Estarei atualizando toda terça-feira A coluna se chama Hell Bar. Dá uma passada lá e deixa seu comentário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114056437492531378?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114056437492531378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114056437492531378' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114056437492531378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114056437492531378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/coluna-no-bagatelas.html' title='Coluna no Bagatelas'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-114026736003125857</id><published>2006-02-18T09:52:00.000-02:00</published><updated>2006-02-27T15:53:28.903-03:00</updated><title type='text'>A crise editorial no Brasil</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/vergara3.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/vergara3.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (Carlos Vergara)&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu hoje no Prosa &amp; Verso, caderno do Globo dedicado à literatura, mais uma reportagem sobre a crise do mercado de livros no Brasil. O tema me interessa muito, por motivos óbvios e gostaria de discuti-lo um pouco com vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão da reportagem, embasada nas entrevistas com editores e livreiros, e no estudo feito pelos pesquisadores Fábio Sá Earp e George Kornis, é de que o livro no Brasil é mais caro do que deveria ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma tabela interessante publicada no jornal, com o índice de preço relativo do livro. O Japão é o país que vende livro ao preço mais acessível ao público, em proporção, é claro a sua invejável renda per capita de 32,23 mil dólares/ano. Ou seja, o japonês ganha em média cerca de 5,77 mil reais por mês. O Japão, por esta razão, foi usado como parâmetro, com índice 1. Outros países que se destacam pela acessibilidade do livro são os EUA, com índice de 1,8; Canadá, 1,7 e Suíça, 1,6.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A renda per capita no Brasil é de 4,4 mil dólares/ano, ou 788,33 reais por mês, e o índice de preço relativo do livro é 2,7.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando bem a tabela, vemos que o índice do Brasil é similar ao da Itália (2,7), Bélgica (2,8). É menor que o mexicano (5,5!), Rússia (3,6) e Argentina (3,3).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O índice do Brasil, porém, observam os próprios autores da pesquisa, em artigo publicado na edição do Prosa &amp; Verso, é distorcido pelo fato de incluir a distribuição gratuita de livros para estudantes da rede pública de ensino. O governo federal brasileiro tem o maior programa de compras de livro do mundo, diz o documento, que está disponível &lt;a href="http://www.bndes.gov.br/conhecimento/ebook/ebook.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre os depoimentos de livreiros e editores, encontra-se muito desânimo e pouca criatividade. O único ponto que achei interessante é a sugestão da isenção de IPTU para livrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucas soluções são aventadas na reportagem. Os autores sugerem destinar verbas às compras de bibliotecas públicas. Mas tal idéia não me parece muito genial. Claro que é importante, mas não creio que vá causar impacto nas vendas ou nas tiragens dos livros. Ademais, o governo já vem fazendo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro ganhou concorrentes fortes na briga pelo consumidor brasileiro: celular, computadores, provedores de internet, dvd. As classes B e C têm hoje outras prioridades que não a aquisição de livros, sobretudo de literatura contemporânea, mais caros e com distribuição precária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, particularmente, não acredito que a intervenção do Estado vá ajudar em alguma coisa. A literatura pertence à esfera do individual, o ato de ler é individual, a literatura é a arte mais subjetiva de todas e ao Estado cabe apenas produzir políticas de fomento à economia do país, coisa que já vem acontecendo. O governo já vem fazendo seu papel: geração de emprego, geração de emprego, geração de emprego. Estou seguro de que, com mais dinheiro no bolso, mais livros serão vendidos no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a indústria editorial no Brasil precisa ter paciência e resistência: saber esperar o processo de amadurecimento da economia nacional e ter planejamento econômico criativo para se manter de pé. Não compreendo como alguém ainda espera soluções mágicas do governo. Só serve para se somar ao exército de frustrados e irritadinhos que assolam nosso zoológico político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação de bolsas literárias anuais, uma das medidas defendidas pelo Movimento Literatura Urgente, não me parece também uma grande solução. O movimento pede 20 bolsas anuais. Poxa, 20? Temos mais de dez mil escritores no país: de que vão adiantar 20 bolsas senão para produzir inveja nos 19.980 que ficarão de fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeito muito a luta do Ademir Assunção pela inclusão da criação literária nos projetos do Ministério da Cultura, mas tenho receio de que isso se transforme mais em motivo para criação de atritos entre a classe, governo e imprensa do que qualquer outra coisa. Repito: no caso da literatura, não creio em soluções que venham do governo, seja tucano, petista ou pemedebista. Por outro lado, é evidente que repudio aquela grosseria insípida da revista Veja, que desqualificou o Movimento através de calúnias e insinuações nojentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um fator que acentuou muito a crise nos últimos anos, e que se refletiu nos números: o empobrecimento da classe média. O povão veio ganhando espaço na economia, deslocando a classe média, tradicional consumidora de literatura. Também acho um processo inevitável, e até saudável. A crise do mercado editorial, portanto, comporta também um erro de estratégia das editoras: negligenciaram as classes populares como mercado consumidor. Engana-se quem acha que pobre é tudo burro e não lê. Machado de Assis, Lima Barreto, Jorge Amado, eram todos da Classe C, para ficar nos antigos. Até hoje, uma parcela boa dos escritores e artistas também veio e pertence às classes populares. É preciso ir barateando o livro sim, e construindo sistemas de marketing, distribuição e produção mais compatíveis com a nova cara que o Brasil vem assumindo, um país de gente humilde, mas ambiciosa, batalhadora e criativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Celso Furtado tinha uma frase lapidar que dizia algo como "os homens podem sim mudar a história, mas somente em face circunstâncias que a história lhe apresenta". É uma frase lógica. Acho que editores, livreiros, governos e escritores precisam inventar soluções criativas para fomentar a criação literária, a circulação de idéias, a venda de livros, sem atitutes arrogantes uns com os outros. Acredito, por exemplo, que a livraria Saraiva, a Travessa, entre outras grandes, poderia fazer muito mais pelos escritores que qualquer governo. Até porque tudo que um governo fizesse estaria ligado, inevitavelmente, no clima tenso, autoritário e negativo que cercam os conflitos políticos. As livrarias, como legítimos agentes do setor, poderiam fazer promoções inteligentes de literatura contemporânea, através de projetos especiais. Para isso, contariam com a simpatia de toda sociedade, escritores, familiares e amigos dos escritores, editoras, imprensa, empresas e governos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso dos escritores, acho que é muito saudável que participem deste debate. Não faz mal nenhum, mas também não é fundamental. O trabalho do poeta está ligado somente à poesia, não ao mercado. O mais importante é continuarem acreditando em seu sonho, não se deixando desanimar com a frieza das editoras e livrarias e buscando o aperfeiçoamento constante desta técnica mágica, milenar, que consiste em transformar palavras em histórias, histórias em poesia. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-114026736003125857?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/114026736003125857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=114026736003125857' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114026736003125857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/114026736003125857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/crise-editorial-no-brasil.html' title='A crise editorial no Brasil'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113988870074587829</id><published>2006-02-14T01:27:00.000-02:00</published><updated>2006-02-20T10:33:32.140-03:00</updated><title type='text'>Botika mostra a cara</title><content type='html'>Há uns posts atrás, escrevi uma &lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/11/uma-autobiografia-de-lucas-frizzo-de.html"&gt;resenha&lt;/a&gt; sobre Botika, escritor carioca, lançado pela Azougue com o impetuoso romance "Uma autobiografia de Lucas Frizzo". Ganhei o livro do Sergio Cohn, editor da Azougue, e fiquei realmente muito impressionando com o fôlego do rapaz. De lá pra cá, topei com o Botika em algumas ocasiões - uma vez no Circo Voador, durante o Festival de Poesia organizado pelo Tavinho Paes; outra no desfile da Daspu, na praça Tiradentes, que teve show do Apax, banda liderada pelo Ericson Pires, que é amigo do cara. Combinamos uma entrevista por email, que ele tardou em responder. Mas não falhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia &lt;a href="http://www.arteepolitica.com.br/entrevistas/entrevista_Botika.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; a entrevista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113988870074587829?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113988870074587829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113988870074587829' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113988870074587829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113988870074587829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/botika-mostra-cara.html' title='Botika mostra a cara'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113972072174868924</id><published>2006-02-12T01:38:00.000-02:00</published><updated>2006-02-14T14:49:47.483-02:00</updated><title type='text'>Interiores</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/01740035.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/01740035.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu sou aquele cara de camisa amarela olhando pra trás. Não me perguntem o que eu estava olhando que realmente não faço a mínima idéia... Para quem não conhece as famosas figuras da foto acima, eu digo: a partir da esquerda, Marcelino Freire, Julio Cesar Correia, eu e o Marquinhos, dono da Mercearia São Pedro, o cenário da foto, tirada na noite do lançamento da revista Bagatelas em Sampa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113972072174868924?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113972072174868924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113972072174868924' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113972072174868924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113972072174868924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/interiores.html' title='Interiores'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113967603874339687</id><published>2006-02-11T14:38:00.000-02:00</published><updated>2006-02-19T01:38:57.406-03:00</updated><title type='text'>Arte &amp; Política entrevista Rodrigo De Haro</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/rodrigo_photo1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/rodrigo_photo1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com a colaboração do amigo Silvio Barros, publicamos uma entrevista exclusiva com o poeta Rodrigo De Haro. Confira lá no &lt;a href="http://arteepolitica.com.br"&gt;Arte &amp;amp; Política&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113967603874339687?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113967603874339687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113967603874339687' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113967603874339687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113967603874339687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/arte-poltica-entrevista-rodrigo-de.html' title='Arte &amp; Política entrevista Rodrigo De Haro'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113919399437189841</id><published>2006-02-06T00:40:00.000-02:00</published><updated>2006-02-06T00:46:34.423-02:00</updated><title type='text'>Um poema de diamantino</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/rauschenberg.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/rauschenberg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (rauschenberg)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tarde&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em carretéis de sois nordestinos&lt;br /&gt;Do meu canino em teu mamilo vibra&lt;br /&gt;O recital de um labirinto finito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mastigo o carinho essencial&lt;br /&gt;E esqueço por ande andávamos descalços.&lt;br /&gt;Pelos Paralelepípedos, cascalhos,&lt;br /&gt;Com a nossa concha de moluscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriamos um beijar sem precedentes.&lt;br /&gt;Desbravadores das lajes frias,&lt;br /&gt;Molestadores literários sujos,&lt;br /&gt;Inominados e sem prefácio definido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar de certo cheiro&lt;br /&gt;De guria assustada&lt;br /&gt;E o reverberar dos seus anseios&lt;br /&gt;Com o desprezo e a dedicação&lt;br /&gt;De quem bebe o gole das últimas&lt;br /&gt;Águas ardentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No verão de toda a brasa decomposta&lt;br /&gt;As fumaças são sugadas.&lt;br /&gt;E rejubilo embriagado&lt;br /&gt;Recriando a improvável textura&lt;br /&gt;Daquela saia azul cinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;(Antonio Diamantino Neto) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113919399437189841?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113919399437189841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113919399437189841' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113919399437189841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113919399437189841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/um-poema-de-diamantino.html' title='Um poema de diamantino'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113912181894405988</id><published>2006-02-05T03:49:00.000-02:00</published><updated>2006-02-19T01:40:44.056-03:00</updated><title type='text'>Novidades</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/315-5_2.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/315-5_2.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fui ao lançamento do livro Evolução do Cinema Brasileiro no Século XX, dos autores Ricardo Wahrendorff Caldas e Tania Montoro. Entrevistei-os para este blog. Caldas lembrou que o único momento em que o Brasil teve empresas privadas com capital próprio para investir em produção de cinema foi na década de 30. A crash da bolsa de Nova York e a depressão que se seguiu levou as produtoras americanas a privilegiar somente o mercado doméstico norte-americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As produtoras brasileiras aproveitaram a lacuna e se expandiram no mercado brasileiro. Basicamente, foram três produtoras independentes que se destacaram no país: Sinedia, Veracruz e Atlantida. O livro traz informações sobre o perfil das três produtoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim da depressão, e o período pujante da economia ianque no pós-guerra traz novamente as produtoras americanas para o Brasil, tomando o mercado conquistado pelas concorrentes nacionais, que não tinham cacife para competir. Ainda mais se considerarmos que as produtoras americanas, nos anos 50, auge da guerra fria, obtinham subsídios bilionários do governo americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Caldas, no Brasil, o grande rival do cinema é a televisão. O auge das salas de cinema ocorre em 1975, quando chegam a 3.276 em todo país. Em seguida, vão caindo, caindo, até chegar ao fundo do poço em 1997, com apenas 1.075 salas. De lá pra cá, tem havido uma recuperação gradual, chegando a 1.997 salas em 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tv teria sido a culpada, analisa o autor. Afinal, o custo de se ver um filme pela TV é infinitamente menor que vê-lo no cinema. Considerando que o preço do ingresso tem aumentado sistematicamente nos últimos dez anos, a TV continua ampliando sua vantagem competitiva sobre o cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tania Montoro, também autora, observa que o cinema contemporâneo vai beber fartamente na linguagem televisiva, aproximando-o do espectador brasileiro, hoje predominantemente telespectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caldas observa que seria fundamental para que o cinema brasileiro desse um passo adiante que houvesse uma parceria maior entre os canais de TV e as produtoras de cinema. Ele tem uma sugestão. O governo poderia conceder renúncia fiscal aos canais de TV que investissem na produção de filmes. Em contrapartida, o governo, ou o Congresso, poderiam criar algumas regras que exigissem dos canais uma programação constante voltada ao cinema nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;amp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro Contos para Ler no Botequim agora está disponível também na Mercearia São Pedro. O dono, Marquinhos, gostou dos livros e comprou alguns exemplares para revenda no local. Basta ir lá e pedir o seu. Em março ou abril, devo estar lançando a segunda edição, com contos novos. Devo fazer um lançamento na Mercearia. Aviso por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um livro que gostei excessivamente foi o Antologia Bêbada, que ganhei do Marquinhos, sócio da Mercearia São Pedro. Os contos do Reinaldo Moraes, do Bortolotto e do Xico Sá são muito muito muito divertidos. O livro, primorosamente editado pelo Joca Terrón, é mesmo uma curtição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;amp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mara Coradello voltou a escrever em seu blog. Há poemas lindos por lá. O link dela está de volta ao lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113912181894405988?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113912181894405988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113912181894405988' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113912181894405988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113912181894405988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/02/novidades.html' title='Novidades'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113808155243081656</id><published>2006-01-24T03:18:00.000-02:00</published><updated>2006-02-19T01:41:25.796-03:00</updated><title type='text'>Informe: cariocas invadem a Vila</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/sao_paulo_metro.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/sao_paulo_metro.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Às 23 horas do último sábado, aterrisou na Vila Madalena, num pitoresco bar paulistano, um comboio de três táxis trazendo um grupo liderado por cariocas excêntricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bar era a Mercearia São Pedro. O grupo era composto por colaboradores e agregados da revista Bagatelas, lançada dia 21/01 em São Paulo na Livraria da Vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui presenteado com a Antologia Bêbada, coletânea de contos de diversos autores-frequentadores-da-Mercearia, organizada por Joca Terrón, com quem conversei alguns minutos na mesma noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113808155243081656?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113808155243081656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113808155243081656' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113808155243081656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113808155243081656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2006/01/informe-cariocas-invadem-vila.html' title='Informe: cariocas invadem a Vila'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113587988067827327</id><published>2005-12-29T16:00:00.000-02:00</published><updated>2006-01-03T03:02:12.780-02:00</updated><title type='text'>Livro de poemas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/capa_livro_miguel_small.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/capa_livro_miguel_small.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Este é meu livro de poemas virtual em formato PDF. Aconselho clicar no link abaixo com o botão direito, baixar o arquivo, imprimir e ler tranquilamente no conforto do lar. O arquivo tem 2,0 Mega. Se você tem uma boa banda larga, acrobat reader instalado e versão recente do internet explorer, basta clicar em cima normalmente. O livro tem 43 páginas, em tamanho A4. As ilustrações foram feitas em cima de desenhos e pinturas de Egon Schiele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique &lt;a href="http://arteepolitica.com.br/hellbar/poemas_migueldorosario.pdf"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113587988067827327?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113587988067827327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113587988067827327' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113587988067827327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113587988067827327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/livro-de-poemas.html' title='Livro de poemas'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113574481447794452</id><published>2005-12-28T02:15:00.000-02:00</published><updated>2006-01-23T16:16:11.463-02:00</updated><title type='text'>Esquina sagrada</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/esquina.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/esquina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pra variar, hoje venho com uma crônica informativa. Fiz um &lt;a href="http://arteepolitica.com.br/hellbar/esquina_sagrada.pdf"&gt;Mapa da Lapa&lt;/a&gt;, Rio, mais especificamente da Esquina Sagrada, local onde o poeta e amigos tomam sua cerveja. Usei fotografias de satélite do Google Earth. Apesar de serem imagens de mais de dez anos atrás, antes da construção do novo Circo Voador, elas podem ajudar o leitor a adquirir senso mais apurado sobre a localização geográfica da Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho grande carinho pela Lapa, especialmente pelo que chamo, brincando, de &lt;strong&gt;Esquina Sagrada&lt;/strong&gt;. O cruzamento da Riachuelo com a Lavradio. A rua do Riachuelo e a Mem de Sá são as duas artérias principais da Lapa. A Riachuelo vem do Estácio, da Cruz Vermelha e termina nos Arcos. A Mem de Sá começa pouco antes dos Arcos, passa por ele e vai até a Cruz Vermelha. A rua do Lavradio é a primeira transversal que cruza a Riachuelo e a Mem de Sá, depois dos Arcos. No final da Lavradio, perto da Praça Tiradentes, fica o já lendário Rio Scenarium.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você estiver no Rio e quiser vir à Lapa, o centro boêmio do Rio, é a coisa mais fácil do mundo. Pode perguntar a qualquer pessoa na rua, que ela vai te informar quais os ônibus que vão pra lá. Estando na zona sul, os ônibus que passam na Lapa são o 409, 410, 433, 464, 434 e 572. Que eu me lembre. Os táxis no Rio também não são muito caros. A tarifa começa, senão me engano, em R$ 3, 60. Um táxi de Copacabana até a Lapa, não sendo na hora do rush, fica em torno de R$ 15 a R$ 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lapa tem opções para todos os gostos: punks, gays, mauricinhos, intelectuais, curiosos, amantes do hip hop, da sinuca, etc. Na Mem de Sá e na rua do Lavradio, há muitos bares novos, do tipo mais sofisticado, aceitam todo tipo de cartão e estão sendo frequentados por toda classe média carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha sugestão é o Arco Íris, na Mem de Sá, para tomar umas cervejas num bar tradicional. Para quem gosta de chop, o Bar do Juca, quase em frente, resolve o problema. Para comer, vale a nova Pizzaria Encontros na Lapa, também ali do lado. Sem esquecer que temos os tradicionais Bar Brasil (comida alemã) e o Nova Capela (com um contra-filé insuperável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, vale a pena dar um rolê pela Joaquim Silva, que começa nos Arcos. Mesmo se você não curtir o underground, é importante conhecer. A Joaquim Silva às vezes fica meio baixo astral porque é a área mais reprimida da Lapa, devido ao fato de ser a área mais popular, com bares simples e muita concentração de ambulantes. Também há festas legais no Tá na Rua e nas casas de show da Mem de Sá, no trecho antes dos Arcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso você queira um barzinho mais refinado para rolar um clima romântico com a gata, ou gato, vá para o Gato Negro, bar novo que abriu na Riachuelo, alguns metros depois dos Arcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Gato Negro fica bem ao lado da Esquina Sagrada, onde o poeta Miguel do Rosário e amigos, tomam cerveja a 2,30 a antartica. Se você pedir, o Paulo, gerente-garçom traz uma bem gelada. As mesinhas ficam na rua. A observação da arquitetura dos prédios, principalmente o enorme edifício colonial que fica do outro lado da rua, na esquina da lavradio com a riachuelo, será um grande momento de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse bar é frequentado por todo tipo de gente. Quando a Lapa está muito cheia, ele também fica badalado, mas normalmente é um bar de trabalhadores e travestis, com uma mesa ou outra ocupada por intelectuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leiam também essa &lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/10/lapa-ontem-e-sempre.html"&gt;crônica&lt;/a&gt; que escrevi, meses atrás, sobre a Lapa. De lá pra cá, o bairro continua crescendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiram esse site &lt;a href="http://www.lanalapa.com.br/"&gt;aqui&lt;/a&gt;, com informações completas sobre o bairro boêmio. Você encontrará a programação das diversas casas de show.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113574481447794452?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113574481447794452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113574481447794452' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113574481447794452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113574481447794452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/esquina-sagrada.html' title='Esquina sagrada'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113571745308196730</id><published>2005-12-27T18:41:00.000-02:00</published><updated>2005-12-30T16:21:58.613-02:00</updated><title type='text'>Sobre o nascimento de Jesus ou Resgate de um ex-sonho bom na esquina sagrada da Lapa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/imagens.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/imagens.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Resvira-te e beija o mundo. Bife com salada, antepasto do caos, esfumaçando-se por avenidas azuis. Desinventa o amor. Enche novamente teus lagos interiores com lágrimas de desejo. Escolhe a ocasião ardente e salta. Mergulha no mar sangrento do medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho, sempre. E demônios. Todos suavemente sentados ao bar, na beira da estrada que te leva ao suicídio, aos poemas, às paixões. O tempo? O tempo ri desbragadamente, o estômago forrado de churrasco e caipirinha. Queres fugir? Espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres fugir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então venha, discretamente. Silêncio. Na hora de gritar, te aviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha, abra a porta e entre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê Deus? Ele é um velho de jeans e charuto cubano na boca. Escutando rock antigo. Ele jura que ainda dá no couro e o estoque de Viagra no armário do banheiro confirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus te conduzirá à São Paulo, para passear pela metrópole com olhos puros. Verás as prostitutas da Rua Augusta. Os poetas da Praça Roosevelt. Os meninos que fumam crack.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois te mostrará o Rio. A esquina sagrada da Lapa, riachuelo com lavradio. Travestis e estudantes discutindo pornografia e estética, cinema e política, novas formas de relacionamento e poemas beatniks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resvira-te e beija o mundo, abre os braços e imita o cristo safado e humano dos bordéis pós-modernos, famoso travesti eletrônico que inventou o sexo ontológico. Ah, que orgasmos você não teria diante dos sublimes olhos de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Final com fritas: o Espírito Santo comeu Maria, está escrito na Bíblia. Viva o Espírito Santo, fudedor discreto, boêmio despachado e vagabundo nato. O verdadeiro pai de Jesus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113571745308196730?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113571745308196730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113571745308196730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113571745308196730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113571745308196730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/sobre-o-nascimento-de-jesus-ou-resgate.html' title='Sobre o nascimento de Jesus ou Resgate de um ex-sonho bom na esquina sagrada da Lapa'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113565991039562621</id><published>2005-12-27T02:50:00.000-02:00</published><updated>2005-12-28T04:06:50.603-02:00</updated><title type='text'>O relatório</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/william_blake_satan.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/william_blake_satan.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(William Blake, Satã sobrevoando Eva) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Grandes olhos - rajados de listras vermelhas. Fixados no espelho do banheiro. Roupas sujas amontoadas num canto. Olhos no espelho. Calcinhas dela penduradas na barra da cortina. Vermelhas de sangue, as listras do olho no espelho embaçado, salpicado de pasta de dente. Depois que enfiaram uma máquina de lavar dentro do banheiro, não é possível dar um passo. Apertado demais, olhos no espelho. Algo muito sombrio está para acontecer. Podia haver nuvens negras lá fora, tempestades. Não. Está sol. O dia está lindo. Mas a janela da sala está fechada. Através da porta do banheiro, entreaberta, a menininha espia o pai e dá um grito de horror. O rosto do pai havia, por alguns segundos, se transformado horrivelmente. Como um demônio. A menina continua gritando e chorando. O espelho vermelho se projeta nas pupilas rasgadas. Ele vê o rosto, no espelho, transfigurar-se num rosto de monstro. Sai do banheiro, sua mulher aponta-lhe um revólver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai embora dessa casa! Você não é... humano. Não se aproxime de nossa filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que tudo aconteceu. Tive que dar por encerrada a pesquisa e partir. Esperavam-me lá embaixo, entre os campos de fogo e as fábricas dos suplícios eternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler o relatório, o Mestre, satisfeito com a profundidade do estudo, pagou-me com séculos de festas e orgias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113565991039562621?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113565991039562621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113565991039562621' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113565991039562621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113565991039562621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/o-relatrio.html' title='O relatório'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113540307418142445</id><published>2005-12-24T03:40:00.000-02:00</published><updated>2006-02-19T01:44:06.013-03:00</updated><title type='text'>Poema do mestre</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/piva.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/piva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rua das Palmeiras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Minha visão com os cabelos presos nos rumores de uma rua&lt;br /&gt;o sol fazendo florescer as persianas por detrás do futuro&lt;br /&gt;meu impulso de conquistar a Terra violentamente descendo uma rua gasta&lt;br /&gt;minha vertigem entornando a alma violentamente por uma rua estranha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os insetos as nuvens costuram o espaço avermelhado de um céu sem dentes&lt;br /&gt;as copeiras se estabelecem nas sacadas para gritar&lt;br /&gt;o sangue fermenta debaixo das tábuas&lt;br /&gt;meninas saem de mãos dadas sem que a tarde deixe marca nas unhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde está tua alma sempre que o velho Anjo conquista as árvores com seu sêmen?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os aviões desencadeiam uma saudade metálica do outro lado do mundo&lt;br /&gt;colunas de vômito vacilam pelos olhos dos loucos&lt;br /&gt;corpos de bêbes mortos apontam na direção de uma praça vazia&lt;br /&gt;o tapume os vultos meu delírio prestes a serem obliterados pelo crepúsculo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;almas inoxidáveis flutuando sobre a estação das angústias suarentas&lt;br /&gt;as palavras cobrem com carícias negras os fios telefônicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no ar no vento nas poças as bocas apodrecem enquanto a noite soluça no alto de uma ponte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberto Piva &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113540307418142445?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113540307418142445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113540307418142445' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113540307418142445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113540307418142445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/poema-do-mestre.html' title='Poema do mestre'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113537786232949751</id><published>2005-12-23T19:44:00.000-02:00</published><updated>2007-10-20T03:54:05.013-02:00</updated><title type='text'>35 mini contos de verão (e crescendo)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/vergara1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/vergara1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (Carlos Vergara)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Em homenagem às temperaturas médias elevadas e ao reconfortante barulhinho de ventilador que nos acompanhará até meados de março, escrevi trinta e cinco mini-contos, a maior parte sobre o tema verão, e mais especificamente sobre o verão carioca. Boa leitura! A partir do número 14, faço uma divertida homenagem a vários personagens, alguns queridos, outros nem tanto... O número de textos é variável, crescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Mau humor&lt;br /&gt;Essa porra tá ficando quente pra caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Sexo&lt;br /&gt;Esse calor me deixa molhadinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Tristeza carioca&lt;br /&gt;Aê, tá mó calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - Revolta&lt;br /&gt;Porra! Hoje tá quente pra caralho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Gay homem&lt;br /&gt;Nossa... você fica tão gostoso suado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - Lésbica&lt;br /&gt;Eu suo muito embaixo do peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 - Intelectual&lt;br /&gt;De fato, hoje está muito quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - Poeta naif&lt;br /&gt;No verão, as andorinhas voam leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - Engraçadinho&lt;br /&gt;Verão é bão pra ver rabão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Marxista&lt;br /&gt;O verão carioca atiça a luta de classes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - Liberal&lt;br /&gt;Reduzam os impostos da cerveja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - Anarquista&lt;br /&gt;Viva o ambulante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - Maria Gasolina&lt;br /&gt;Você viu o carro dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 - Bortolotto&lt;br /&gt;O verão no Rio é du caralho. Mas eu prefiro um Jack Daniels.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - Mirisola&lt;br /&gt;Ela lambe minha pica em espiral, eu aumento a potência do ar-condicionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - Marçal Aquino&lt;br /&gt;O cadáver apodrece mais rápido nesta época do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 - Pellizzari&lt;br /&gt;Puta calor lá fora e eu aqui olhando a unha do meu dedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 - Mainardi&lt;br /&gt;Esse calor me dá nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 - Jabor&lt;br /&gt;Tô ficando velho... no verão agora só bebo champagne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 - Lula&lt;br /&gt;Grande Zeca Pagodinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 - Zeca Pagodinho&lt;br /&gt;Grande Lula!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 - João Filho&lt;br /&gt;Verão-bão pra comer buças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 - Bush&lt;br /&gt;Veron en Brazil? I like it.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 - Olavo de Carvalho&lt;br /&gt;Só idiotas gostam do verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 - Emir Sader&lt;br /&gt;Temos que fazer um verão de esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 - Reinaldo Azevedo&lt;br /&gt;Verão é bom para matar passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27 - Chávez&lt;br /&gt;Carajo! Porque somos tan horribles en el fútbol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 - Fidel&lt;br /&gt;Yo paré de fumar charutos... ahora somente los exporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 - Miguel do Rosário&lt;br /&gt;Calma amor. Esse ano eu compro um ar-condicionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 - Raphael Vidal&lt;br /&gt;AHAHAHAAHAHAAHAHAAHAHAHAHAHHAHAAH!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31 - Priscila Miranda&lt;br /&gt;Os violinos e as flores de um verão mágico, e romântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32 - Botika&lt;br /&gt;Lambi a ferida nojenta do mendigo e não vomitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33 - Bezerra da Silva&lt;br /&gt;Aqui no céu é legalize. Vou apertar e acender agora mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34 - Marcelino Freire&lt;br /&gt;Tem alguém passando a mão na minha bunda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35 - Mano Brow.&lt;br /&gt;Firmão? Tamo na área. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113537786232949751?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113537786232949751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113537786232949751' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113537786232949751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113537786232949751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/35-mini-contos-de-vero-e-crescendo.html' title='35 mini contos de verão (e crescendo)'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113536786673484747</id><published>2005-12-23T15:40:00.000-02:00</published><updated>2006-01-07T14:56:08.843-02:00</updated><title type='text'>Crítica a contragosto ou Dom Casmurro pós-moderno</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/marcelo_mirisola1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/marcelo_mirisola1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Breve comentário à guisa de prefácio: antes de fazer esta resenha ou crítica, li os artigos de Paulo de Toledo, publicados no Cronópios (seção Mezanino), apontando os erros e os acertos de uma boa crítica. Não deu para seguir tudo ao pé da letra, mas pelo menos, cometo os erros conscientemente. É um avanço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ah, Joana, te amo tanto", Mirisola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma bela tarde, estava numa livraria e queria ler algo do Mirisola. Como não havia nenhum romance dele na loja, perguntei pela coletânea Geração 90: os transgressores. Ali mesmo dei uma fuçada no material. O Mirisola entra com um dos melhores contos, Rio Pantográfico. A linguagem é lírica, aberta, fluida. As frases se sucedem em espirais (da mesma forma que os boquetes de Joana...). O uso de digressões e contrastes dá uma cadência dissonante e poética ao texto de Mirisola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fiquei sabendo do lançamento de Joana a contragosto, aguardei o momento de ter o livro em mãos. Não tardou a acontecer. Editora grande é outra parada, consegue distribuir o livro em toda parte. Li com calma, assimilando o lirismo amargo, venenoso, intenso, carregado do velho sarcasmo dos tímidos inveterados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei uma grande proximidade entre a literatura de Mirisola e a de João Gilberto Noll, sobretudo dos últimos livros deste, como Lorde e Berkeley em Bellagio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois vêm investindo na construção de um personagem-narrador, um alter-ego, que vive o romance com a mesma espécie de surpresa e espontaneidade de uma pessoa viva. A busca da frase poética, da frase lírica, também é comum aos dois, sendo que os dois conseguem, e isso é o mais difícil, eliminar quase todo clichê que o lirismo às vezes implica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estratégias de Mirisola para fugir do lugar-comum e subir os degraus da originalidade são bem singulares: sarcarsmo, ironia, luxúria, o bom e velho cinismo. Com esses ingredientes, Mirisola descarrega todo romantismo represado em suas entranhas. O fato do romantismo sair tão deformado seria apenas a contaminação natural da metrópole e sua radiações de crueldade e sujeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um livro sobre o amor, uma história de paixão entre o escritor-narrador e uma moçoila carioca de 20 anos. Cumpre observar que o romance teve ainda esse sabor especial de ser quase todo ambientado no Rio de Janeiro, apesar de tratar-se eminentemente de um romance psicológico com pouca descrição de cenário, apenas algumas pinceladas básicas de Rio. Até nossa evangélica governadora é citada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último capítulo, Mirisola dá uma dica sobre as influências bibliográficas do livro. Ele compara Joana à Capitu, a famosa personagem de Dom Casmurro, do Machadão. É claro! Assim como Bentinho, o protagonista de Joana a Contragosto curte uma paixão obsessiva por uma mulher misteriosa. Como Bentinho, cujo ar sorumbático lhe vale o apelido de Dom Casmurro, o escritor MM também é triste, solitário, rancoroso. O "eu" literário de Mirisola tem raízes em solo machadiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amizade o caralho", diz MM para sua amada. O que vale não é o equilíbrio e estabilidade de uma amizade. Não quando se trata de uma mulher que amamos. Com isso, Mirisola parece repudiar o próprio equilíbrio e estabilidade no texto literário. Não, ele quer a paixão, mesmo que esta resulte em sofrimento e numa terrível frustração. Sim, ele quer o texto inquieto e entusiástico, como as paixões. Surpreendente. Como a própria tesão (no livro, ele põe tesão no feminino). Se faltar tesão? Ah, diz o triste MM, a tesão... isso a gente inventa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113536786673484747?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113536786673484747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113536786673484747' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113536786673484747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113536786673484747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/crtica-contragosto-ou-dom-casmurro-ps.html' title='Crítica a contragosto ou Dom Casmurro pós-moderno'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113529174187496210</id><published>2005-12-22T20:43:00.000-02:00</published><updated>2005-12-26T19:21:16.303-02:00</updated><title type='text'>Bem, você sabe...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/egon_schiele_girldecabelosnegros1983_moma.2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/egon_schiele_girldecabelosnegros1983_moma.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; 2006 vem aí. Está chegando a hora de desanuviar... férias e tal.  Minha sugestão de leitura é &lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/11/orgia-sangrenta-no-baile-funk.html"&gt;essa&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113529174187496210?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113529174187496210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113529174187496210' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113529174187496210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113529174187496210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/bem-voc-sabe.html' title='Bem, você sabe...'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113499012358865469</id><published>2005-12-19T08:03:00.000-02:00</published><updated>2005-12-30T16:28:36.886-02:00</updated><title type='text'>Os garotos da Vila Nova</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/kichute.gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/kichute.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu sou um patriota do Brooklyn, dizia Henry Miller, ao explicar que o resto dos Estados Unidos não existia para ele, exceto por suas idéias, história e literatura. Parece contraditório. E é naturalmente, como qualquer texto de Miller. No mesmo conto, ele conta que nasceu e foi criado na rua, onde aprendeu tudo sobre os seres humanos e a vida. Napoleão, Lenin, Al Capone, tudo era ficção. Os verdadeiros heróis e bandidos de Miller eram os garotos que ele conheceu na infância. Cada um com sua incrível personalidade, seu misterioso caráter, sua impressionante coragem ou vergonhosa covardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não estou aqui para falar de Henry Miller, que está morto, enterrado, e todo mundo conhece. Estou aqui para falar de &lt;strong&gt;Márcio Américo&lt;/strong&gt; e seu &lt;strong&gt;Meninos de Kichute&lt;/strong&gt;, um clássico da ficção de memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro se passa inteiramente no bairro operário de Vila Nova, na periferia de Londrina. Relata com bom humor a vida difícil dos moradores da rua Ivaí e adjacências. Uma inegável nostalgia perpassa toda obra... Um tempo sem as complicações mentais que convertem crianças inteligentes e criativas em seres confusos, tímidos, chatos, tagarelas, pomposos, pedantes e imbecis. Nâo é o caso de Márcio, claro, pelo simples fato dele ser uma pessoa que, através da arte, ter conseguido resgatar um pouco da poderosa pureza da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos inocentes, em que Geisel era apenas uma grande figura no álbum de figurinhas. Em verdade, Márcio obteve um grande êxito artístico ao descrever a infância sem cometer quase nenhum "maduro" juízo de valor. Difícil isso. E honesto. Transformou o livro não apenas num escrito pessoal, mas numa obra de valor social, que pode ser estudada para se analisar o pensamento formador da sua geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As influências são claras: John Fante, Bukówski, Reinaldo Moraes, Salinger, o teatro de Bortolotto; ou melhor, o livro de Márcio está imerso nessa mesma corrente estética. A linguagem despojada, vibrante de franqueza e ironia, permite o autor resgatar a lógica perdida da infância. Uma lógica diferente, original, uma lógica pré-política digamos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que devia falar também sobre os aspectos antropológicos que circulam a obra de Américo. Nota-se, de cara, a opção pelo apolítico. Se é consciente ou não, isso não vem ao caso, pois é absolutamente natural e legítima. As referências ao ambiente histórico refletem apenas o ponto-de-vista inocente da personagem principal: o narrador-criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota-se também, de forma pungente e quase lírica, uma grande denúncia social em todo livro. Uma denúncia muito calma, de quem entende as vicissitudes da história e acredita, sem fanatismo, na força da liberdade .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mamãe não quero ser prefeito, dizia Raulzito, e acredito que é isso que o livro de Márcio transmite também: uma necessidade angustiada de enxergar o mundo com mais pureza e liberdade, desvencilhado das armadilhas do dinheiro e das relações de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminemos com palavras bonitas, como convém: uns fazem guerra, outros fazem amor. Não é preciso dizer qual a escolha de Márcio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113499012358865469?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113499012358865469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113499012358865469' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113499012358865469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113499012358865469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/os-garotos-da-vila-nova.html' title='Os garotos da Vila Nova'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113497613695966358</id><published>2005-12-19T04:56:00.000-02:00</published><updated>2005-12-21T17:45:34.096-02:00</updated><title type='text'>Daspu</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/254541-9017-ga.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/254541-9017-ga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (na falta de boas imagens do desfile, optei por esta provisória.&lt;br /&gt;Quando tiver uma boa imagem do desfile em mãos, eu substituo)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta fui no Parangolé, bloco dos artistas plásticos, na praça Tiradentes, em frente ao Centro Cultural Hélio Oiticica. Rolou o primeiro desfile da grife Daspu, da Ong Davida, composta por prostitutas dos arredores da Praça Tiradentes. Quem fez o som foi a banda Apax, liderada pelo poeta multimídia Ericson Pires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversei bastante com o pessoal do Imaginário Periférico, um grupo forte de artistas plásticos que residem na periferia do Grande Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bloco Parangolé vai ensaiar toda sexta. Promete boa diversão. Dêem uma sacada no site da &lt;a href="http://www.daspu.com.br"&gt;Daspu&lt;/a&gt;. Também vale olhar esse site &lt;a href="http://www.davida.org.br"&gt;aqui&lt;/a&gt;, da Ong Davida. E &lt;a href="http://www.redeprostitutas.org.br/"&gt;esse&lt;/a&gt;. &lt;a href="http://www.beijodarua.com.br/"&gt;Esse&lt;/a&gt; também. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113497613695966358?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113497613695966358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113497613695966358' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113497613695966358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113497613695966358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/daspu.html' title='Daspu'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113470934369514340</id><published>2005-12-16T02:56:00.000-02:00</published><updated>2005-12-16T03:02:23.723-02:00</updated><title type='text'>meu poema famoso</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/american_art.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/american_art.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; (&lt;a href="http://ca.encarta.msn.com/media_461544826_761570777_-1_1/Contemporary_Native_American_Art.html"&gt;Rick Bartow&lt;/a&gt;, 1995; Froelick Adelhart Gallery. Portland, OR)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Escrevi-o com dezessete anos, após uma noitada densa. escrevi de um jato, sobre a mesa de márvore da sala, sem planejar. recitei esse poema nos mais diversos lugares: cep 20.000, jam session, arcos da lapa, festas, saraus, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detalhe, já se passaram treze anos, estou com trinta. mas o poema continua atual. É um poema bom para ser lido em voz alta. um poema oral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com vocês, "&lt;a href="http://www.arteepolitica.com.br/Fantasma_puta.htm"&gt;O Fantasma da Puta&lt;/a&gt;" .&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113470934369514340?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113470934369514340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113470934369514340' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113470934369514340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113470934369514340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/meu-poema-famoso.html' title='meu poema famoso'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113460893302669087</id><published>2005-12-14T22:47:00.000-02:00</published><updated>2005-12-14T23:15:29.296-02:00</updated><title type='text'>Mais uma aventura na Lapa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/lapa_antiga1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/lapa_antiga1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estou cá lendo o último livro do Marçal, Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios, e acabei lembrando de uma boa história para esse blog. Tenho notado que os leitores sempre gostam das crônicas, sobretudo quando as histórias tem um lado tragicômico. Aconteceu na quinta-feira passada, na Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos rodando os bares da Riachuelo e chegamos à Sinuca, último botequim aberto àquela hora. Na esquina da Riachuelo com a Lavradio, vimos um conhecido num debate animado com um policial, os dois em pé. Aproximei-me e disse ao policial que o cara era gente fina. Por um momento, havia pensado que o cara estava se explicando por alguma merda que tivesse feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O policial disse que estavam tendo um papo filosófico e seguimos tranquilos, levemente surpreendidos com o ineditismo: um pm com cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ledo engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da sinuca, algumas cervejas depois, senti uma avassaladora vontade de tossir. Todos começaram a tossir. Saíram todos da sinuca, tossindo e lacrimejando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, o mesmo policial, risinho escroto no canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas garotas estavam agachadas, com as mãos no rosto, chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um conhecido nosso vociferando contra o policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei assistindo a cena e senti vontade de fazer alguma coisa. Tensão no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei um passos na direção do policial, sei lá o que me passou pela cabeça. Levei um jato de pimenta na cara. Por sorte, fechei bem os olhos e segurei a respiração. Não teve efeito em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara continuava gritando para o policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- PORRA SEU COVARDE, OLHA SÓ O QUE VOCÊ FEZ! JOGOU PIMENTA EM DUAS GAROTAS! DUAS GAROTAS!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava discursando, e o policial calado. Achei que aquilo não ia dar certo. Peguei o cara e fui tirando ele dali. Na verdade, eu ainda não sabia que o policial tinha feito aquela barbaridade com as garotas. Pensei que o cara estava se excedendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui empurrando ele à força até a esquina. Só que eu tava tão bêbado que esqueci por um momento porque estava fazendo aquilo e, dado a situação (estava segurando o cara), tentei lutar judô com ele. Depois, me lembrei do policial e usando uma psicologia barata de botequim, mandei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- DESCARREGA EM MIM. BRIGA COMIGO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara conseguiu se livrar de mim e voltou para onde estava o policial. Continuou vociferando. Eu fui embora com meus amigos, que alegaram a falta de vínculos nossos com aquele história toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, acordei com ressaca e desmemoriado. Sentei diante do computador para trabalhar (pego no batente antes de tomar o café da manhã). Quando recebo mensagem MSN de um amigo meu, dizendo que tinha sido preso na véspera, naquela confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então fiquei sabendo do final da história: o policial autuou as duas garotas, o amigo vociferador e esse amigo meu, que não sei como entrou na história. Entraram no camburão e foram fichados na delegacia, onde o policial conseguiu impor uma versão completamente diferente da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo disse que ainda vou ter que depor como testemunha...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113460893302669087?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113460893302669087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113460893302669087' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113460893302669087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113460893302669087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/mais-uma-aventura-na-lapa.html' title='Mais uma aventura na Lapa'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113432009297523111</id><published>2005-12-11T14:25:00.001-02:00</published><updated>2009-09-13T05:39:10.420-03:00</updated><title type='text'>poemas selecionados</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/1600/rio_cinelandia.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://photos1.blogger.com/blogger/666/517/320/rio_cinelandia.jpg" style="cursor: hand; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 85%;"&gt;(Cinelândia Rio Antigo) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novidades:vários poemas tem link para gravação do poeta recitando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis os poemas selecionados, junto com alguns mini-contos, que deverão compor meu livro cujo título ainda está em aberto. Todos foram escritos de março até agora, durante um período - até novembro - particularmente difícil da minha vida, dormindo no chão do kitnet, sem dinheiro pra nada, o óculos colado com durex. A situação agora está melhor, graças aos deuses, e a um providencial emprego. A edição será independente. Não sei se todos os poemas realmente entrarão no livro, devo cortar alguns e incluir outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou republicando-os para ter a opinião de vocês. Todos os comentários, mesmo em posts antigos, chegam em meu email.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/poesia-no-paga-o-aluguel-do-meu.html"&gt;A poesia não paga o aluguel do meu apartamento (com áudio)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/o-carnaval-vencer-crise.html"&gt;O carnaval vencerá a crise&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/tristezas-revolucionrias.html"&gt;Tristezas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/soneto.html"&gt;sherazade&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/poesia-se-come-crua.html"&gt;A poesia se come crua&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/os-romances-que-nunca-sero-escritos.html"&gt;Os romances que nunca serão escritos (com áudio)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/sonetos-criminosos.html"&gt;Sonetos criminosos (com áudio)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/07/crises-polticas.html"&gt;crises políticas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/05/terrorismo.html"&gt;Terrorismo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/06/versos-da-guerra.html"&gt;Versos da guerra&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/06/antes-que-chegue-primavera.html"&gt;Antes que chegue a primavera (com áudio)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/06/duas-poesias.html"&gt;Duas poesias&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/06/mais-um-poema-bomio.html"&gt;Mais um poema boêmio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/quando-o-vazio-da-noite-escorrega-da.html"&gt;Quando o vazio da noite escorrega da minha boca&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/dor-de-ver-o-sol-chupando-manga.html"&gt;A dor de ver o sol chupando manga&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/dor-extraordinria-sob-os-escombros-da.html"&gt;A dor extraordinária sob os escombros da insone metafísica&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/degenero-ao-sol-co-da-minha-crise.html"&gt;Degenero ao sol da minha crise&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/porque-poetas-no-gostam-de-poltica.html"&gt;Por que os poetas não gostam de política?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/mais-um-poema-vadio.html"&gt;Mais um poema vadio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/o-lobo-do-homem.html"&gt;O lobo do homem&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/12/elefantes-moleques-e-travestis.html"&gt;Elefantes, moleques e travestis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/11/dias-nublados.html"&gt;Poema anti-intelectual&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/12/angstia-ps-maldita.html"&gt;Angústia pós-maldita&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/12/os-anti-romanticos-suicidas.html"&gt;Anti-românticos suicidas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/12/hora-marcada.html"&gt;Hora marcada&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/09/o-co-e-o-nariz-um-conto-ps-moderno.html"&gt;O cão e o nariz&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/08/romance-botequinal.html"&gt;Romance botequinal&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2005/07/poesia-revisitada.html"&gt;Triste dia de sol&lt;br /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://hellbar.blogspot.com/2006/03/dejetos-de-um-luxo-carioca-sombra-de.html"&gt;Dejetos de um luxo carioca à sombra de satânicas flores azuis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/2007/07/poema.html"&gt;Incendio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/2007/10/o-casamento.html"&gt;Rua do Rezende&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/2007/09/mistrios-sem-cafena.html"&gt;O anti-bar&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/2007/09/mistrios-sem-cafena.html"&gt;Mistérios sem cafeína&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oleododiabo.blogspot.com/2007/09/inveja-annima.html"&gt;Inveja anônima (com áudio)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113432009297523111?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113432009297523111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113432009297523111' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113432009297523111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113432009297523111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/poemas-selecionados.html' title='poemas selecionados'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11492412.post-113424768086363519</id><published>2005-12-10T18:38:00.000-02:00</published><updated>2005-12-10T18:49:35.946-02:00</updated><title type='text'>hora marcada</title><content type='html'>ah, o tempo&lt;br /&gt;com suas asas cor-de-café&lt;br /&gt;bebeu-me o sangue&lt;br /&gt;como quem sorve&lt;br /&gt;uma caneca de cerveja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ah, o tempo&lt;br /&gt;é quase tão lindo&lt;br /&gt;e cruel&lt;br /&gt;como o Rio&lt;br /&gt;visto do alto&lt;br /&gt;à noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a revista veja&lt;br /&gt;denunciou o tempo&lt;br /&gt;disse que ele foi visto&lt;br /&gt;fumando maconha&lt;br /&gt;num churrasco&lt;br /&gt;de amigos&lt;br /&gt;na ilha do governador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ah, tempo&lt;br /&gt;deixa pra lá&lt;br /&gt;você há de durar&lt;br /&gt;a eternidade&lt;br /&gt;a veja&lt;br /&gt;morrerá&lt;br /&gt;na puberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu e o tempo&lt;br /&gt;costumávamos brincar&lt;br /&gt;de guerra&lt;br /&gt;um dia, roubei&lt;br /&gt;a arma de meu pai&lt;br /&gt;e puxei o gatilho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morreu o tempo&lt;br /&gt;às sete horas da noite&lt;br /&gt;no meio da praça cruz vermelha&lt;br /&gt;rodeado de mendigos curiosos&lt;br /&gt;e banhado pela luz&lt;br /&gt;dourada&lt;br /&gt;de um poste&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11492412-113424768086363519?l=hellbar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hellbar.blogspot.com/feeds/113424768086363519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11492412&amp;postID=113424768086363519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113424768086363519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11492412/posts/default/113424768086363519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hellbar.blogspot.com/2005/12/hora-marcada.html' title='hora marcada'/><author><name>Miguel do Rosário</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_YRstxrVhW40/TAdZ3vsVPHI/AAAAAAAAERM/1hCSocoJSsA/S220/DSC03077.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
